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Scot Consultoria

A nova escravidão grega


Quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014 - 14h39

Problemas sociais - soluções liberais
Liberdade política e econômica. Democracia. Estado de direito. Estado mínimo. Máxima descentralização do poder.


A Grécia antiga gerou frutos intelectuais que balizam até hoje a civilização ocidental. De fato, não seria exagero afirmar que a civilização judaico-cristã nasceu a partir da mistura da cultura de três cidades: Jerusalém, Roma e Atenas.


Mas um instituto específico de Atenas nunca foi bem visto e, de certa forma, foi superado pela evolução civilizatória ocorrida nos últimos 3.000 anos: a escravidão.


A escravidão é provavelmente o instituto social humano mais sem sentido que existe.


Ela é imoral a partir de uma perspectiva deontológica-axiomática, pois um homem que acredita que um ser humano possa ser escravizado está dizendo que ele mesmo pode ser escravizado, e como um escravo não tem opinião, sua opinião seria inválida, fechando um círculo vicioso de impossibilidade argumentativa.


Ela também é imoral a partir de uma perspectiva utilitária, pois escravos não possuem os incentivos naturais que trabalhadores livres possuem para produzir mais, diminuindo o bem-estar coletivo da sociedade.


Parece que agora a Grécia pretende voltar aos velhos caminhos. De acordo com o "Greek Reporter", o governo grego estuda a possibilidade de combater o incrível desemprego grego de jovens, que hoje beira 57,2%, através da contratação dessas pessoas sem necessariamente que se pague qualquer salário a elas.


Caso essa contratação seja feita de maneira compulsória, estaremos de volta à barbárie da escravidão, que será de um ano.


Caso ela seja feita de maneira voluntária, teremos visto uma quebra da lógica da preferência temporal na economia. Normalmente há uma convergência entre as preferências de investidores e trabalhadores, pois investidores costumam buscar recursos (lucros) em longo prazo (por já possuírem recursos para consumo atualmente) e trabalhadores costumam buscar recursos (salários) em curto prazo (por não possuírem recursos para consumo atualmente). Se tanto trabalhadores quanto investidores passarem a buscar recursos em longo prazo, de onde sairão os recursos para bancar o consumo atual de trabalhadores? Só pode ser do governo, que vai subsidiar essa farra. Como o governo grego não gera recursos sozinhos e o povo grego não tem dinheiro para ser tributado, a dívida grega aumentará ainda mais.


Esse plano de "jêniu" foi elaborado mais uma vez pelo Centro de Planejamento e Pesquisa Econômica da Grécia, que é um instituto ligado ao Ministério do Desenvolvimento da Grécia, e vem para confirmar, mais uma vez, a visão de Mises sobre a impossibilidade do cálculo econômico centralizado.


Enquanto a Grécia insistir nesse modelo falido de alavancagem financeira e gastos públicos, o caos econômico do país será tão grande que passará a transbordar em um caos moral, que pode muito bem ser exemplificada pelo retorno da Grécia ao escravismo.


Por Bernardo Santoro 



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