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Gastos públicos e câmbio descalibrado: duas heranças do atual governo


Segunda-feira, 27 de setembro de 2010 - 15h01

por Reinaldo Cafeo

Economista, especialista em engenharia econômica, mestre em comunicação com a dissertação “jornalismo econômico” e doutorando em economia.


O atual governo tem pouco mais que três meses pela frente. Foram oito anos em que teve que conviver praticamente com dois momentos mais agudos na condução da política econômica. O primeiro momento provocado pela própria eleição de Lula: o medo do novo. O mercado precificou em 2002, em plena discussão da sucessão presidencial, o temor de um governo do PT. A cotação do dólar disparou, atingindo R$4,00, e em ambiente de incertezas a inflação quase desgarrou. Após a eleição e posse, Lula manteve a política econômica neoliberal, optando por não mexer na política de juros altos, no regime de metas de inflação, mantendo a elevada carga tributária e passou a monitorar de perto a economia. Daí para frente aproveitou o verdadeiro “céu de brigadeiro” da economia mundial, garantindo crescimento (mesmo que a abaixo da média mundial) com controle de inflação. O segundo momento crise veio em 2008/2009. Provocada pelos Estados Unidos, a crise internacional, denominada como “marolinha” pelo presidente Lula, veio mais forte do que se imaginava, e apesar da inércia em agir, o Brasil se saiu bem, blindado pela austeridade monetária e robustas reservas cambiais. Considerando que a maior parte do tempo a economia nacional ofereceu boas respostas quanto à arrecadação, deixando em segundo plano a chamada reforma do setor público e a reforma tributária, o governo Lula abriu a guarda. Os gastos públicos foram exagerados, principalmente no que tange ao custeio da máquina pública, o que comeu boa parte do esforço em buscar sobras primárias (receita menos despesas, sem considerar juros da dívida), impedindo a queda mais firme dos juros básicos (que são utilizados para financiamento e rolagem da dívida pública), apontando para uma verdadeira armadilha, isto é, ou se mantém a arrecadação nos níveis atuais, ou seja, praticamente 40% do produto interno bruto, ou os juros altos serão o grande instrumento para compensar a incompetência na condução dos gastos públicos. Vejam que ambas mascaram o tamanho do setor público. Esta herança deverá ser enfrentada pelo novo presidente, seja ele quem for. A outra herança é real valorizado. A falta de política de longo prazo na questão cambial fez com que tivéssemos um câmbio descalibrado. O déficit em conta-corrente no balanço de pagamentos tem projeção 60 bilhões de dólares para 2011. Para fechar esta conta novamente os juros altos se apresentam como o grande atrativo para o capital estrangeiro. Os dólares entram em busca de bons retornos, a oferta da moeda estrangeira se amplia, sem demanda pela moeda estrangeira, o real se mantém forte. Prejuízo certo ao exportador brasileiro, que é a principal fonte de recursos “bons” vindos do exterior. É evidente que em plena campanha eleitoral questões como estas não serão discutidas, mas, em algum momento deverão ser enfrentadas e algo mais contundente deverá ser feito. O lamentável é observar que não aproveitamos o fato de o Brasil ser considerado a “bola da vez” na economia internacional, não implementando as reformas necessárias para sustentar o crescimento de longo prazo. Gastos exagerados, câmbio descalibrado, maior taxa de juros do mundo, terceira maior carga tributária do planeta, excesso de burocracia, falta de investimentos em ciência e tecnologia, mão-de-obra desqualificada, são alguns exemplos dos desafios que estão por vir. É bom abstrair parte dos discursos fáceis que apontam que nunca antes neste país tivemos uma economia tão bem administrada. Os desafios não serão poucos.



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