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A comunicação no meio rural


por Otaliz

Quinta-feira, 28 de setembro de 2006 - 22h34

É médico veterinário e instrutor do Senar – RS.


Na década de 60 e início dos anos 70, a grande novidade na zona rural, foi a chegada do rádio portátil. Até então, eram poucas as propriedades rurais que tinham acesso a energia elétrica. Claro, estou me referindo a região colonial do noroeste do RS, onde vivo há quase 40 anos. E foi muito importante o advento do rádio portátil, pois as famílias que viviam no interior dos municípios estavam distantes da informação, vivendo no seu mundo particular e estreito, sem notícias do que estava acontecendo na cidade, no Estado, no País e no mundo. Sem dúvidas, foi um acontecimento relevante na medida em que propiciou comunicação e entretenimento às famílias rurais. A SEGUNDA REVOLUÇÃO Já em meados da década de 80, a grande revolução nas comunicações no interior, foi a televisão. Hoje a antena parabólica está definitivamente incorporada a paisagem do meio rural. A área de terra pode ser pequena, a casa humilde, mas a antena está lá simbolizando um progresso sequer imaginado pelas gerações anteriores. Mas este símbolo trouxe progresso para o meio rural? Penso que não. Muito pelo contrário, incrustou-se nos lares, assumiu o centro das atenções, reduziu o diálogo entre os membros da família, anestesiou a nossa capacidade de pensar e planejar, e baniu o hábito da leitura. Para a televisão estão voltados os sofás, as cadeiras, os olhos e a mente dos brasileiros, três horas e meia em média, todos os dias. O lamentável é que este recurso eletrônico, com uma extraordinária capacidade de penetração, não seja utilizado para educar a população e para levar ao homem do campo as informações tão necessárias para a sua profissionalização. O que se vê nos raros programas voltados para as comunidades rurais é a veiculação de informações incompletas, que não contemplam as peculiaridades regionais em termos de clima, solo, tradições e costumes e ainda por cima transmitidas por leigos que jamais tiraram os pés de cima do asfalto. A TERCEIRA REVOLUÇÃO A terceira revolução na área das comunicações no meio rural já está consolidada. Refiro-me a telefonia tanto convencional como celular. É rara a propriedade que não dispõe de telefone, o que facilita sobremaneira a comunicação do campo com a cidade e vice versa. Um avanço considerável na medida em que agiliza a informação e reduz significativamente os deslocamentos com veículos. A QUARTA REVOLUÇÃO A quarta revolução está começando, de forma incipiente, muito lenta, mas sugere profundas e positivas alterações no processo de comunicação entre os produtores leiteiros e suas cooperativas e órgãos de extensão rural e assistência técnica. Trata-se da incorporação das TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação), ferramentas que permitem o processamento e a circulação da informação de forma mais acelerada, em maior volume, para maiores grupos-metas, possibilitando ao mesmo tempo maiores possibilidades de comunicação, de diálogos, de intercâmbios entre públicos diversos e de localizações remotas. Os instrumentos chave para a implantação desse sistema de informações são a computação e a internet. Este tema foi abordado no 9º Congresso Pan-Americano do Leite, realizado em Porto Alegre no corrente ano, quando foram relatadas as experiências em andamento em quatro cooperativas (SANCOR – da Argentina, ITAMBÉ do Brasil, DOS PINOS da Costa Rica e CONAPROLE do Uruguai). O tema é por demais interessante. A informatização do campo propiciará uma relação mais estreita dos produtores com suas cooperativas com uma enorme série de vantagens. O desempenho produtivo, operações comerciais, comportamento de mercados, ações de gestão rural, incluindo aqui instrumentos de planejamento das finanças e gerenciamento do processo produtivo, e veiculação de informações técnicas em tempo real, entre outros, serão procedimentos que poderão facilitar a vida dos produtores e melhorar a eficiência das unidades de produção. É claro que a implantação das TICs no sistema de informação e extensão ainda demandará um bom tempo, mas a iniciativa é altamente promissora e exigirá profundas mudanças no atual modelo de extensão rural e assistência técnica. Voltaremos a este tema na próxima edição.
Otaliz de Vargas Montardo é médico veterinário e instrutor do Senar – RS
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