O cuidado com o solo e o pasto aumenta a produção e melhora o retorno da atividade.
Foto: Shuterstock
A degradação das pastagens reduz a produção de forragem, a capacidade de suporte e o desempenho dos bovinos, comprometendo a rentabilidade. O Brasil possui aproximadamente 27,7 milhões de hectares de pastagens com potencial para recuperação ou conversão em sistemas produtivos sustentáveis (Agroicone, 2025). Desse total, 25,1 milhões de hectares apresentam potencial para a intensificação da pecuária de corte.
A escolha da intervenção deve começar pelo diagnóstico da área, considerando a cobertura vegetal, o vigor e a capacidade de rebrota da forrageira, a presença de plantas daninhas, a fertilidade e a compactação do solo. Essa avaliação indicará se a pastagem poderá ser recuperada ou se será necessário reformá-la ou renová-la.
A recuperação direta é indicada para pastagens moderadamente degradadas, nas quais a forrageira ainda apresenta cobertura e capacidade de rebrota. A espécie existente é mantida e a intervenção pode incluir correção e adubação do solo, controle de plantas daninhas, ajuste da taxa de lotação e melhoria do manejo do pastejo.
A reforma é necessária quando a degradação comprometeu a cobertura e a produtividade da pastagem. Nesse caso, a área é preparada e a forrageira é reimplantada, geralmente com a mesma espécie ou cultivar.
Na renovação, a forrageira existente é substituída por outra espécie ou cultivar mais adequada ao solo, ao clima e ao sistema de produção. Tanto a reforma quanto a renovação podem exigir controle da vegetação, preparo do solo, correção da acidez, adubação, aquisição de sementes e pausa temporária do pastejo.
Atualmente, o custo para uma reforma e manutenção de uma pastagem, considerando seus serviços com maquinário e operação, tempo dedicado e insumo, varia, em média, entre R$4,5 mil e R$5,0 mil por hectare. E, pode sofrer variações conforme o estado, o bioma, a análise do solo, as doses de corretivos e fertilizantes, a espécie forrageira, a mão de obra, o frete e as operações mecanizadas.
A alternativa mais barata também não é necessariamente a mais econômica. Tentar recuperar apenas com adubação uma área severamente degradada pode gerar gastos sem restabelecer sua produtividade. Porém, reformar completamente uma pastagem que ainda apresenta condições de recuperação pode elevar o investimento sem necessidade.
A renovação também pode ser feita por meio da Integração Lavoura-Pecuária (ILP) ou da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Esses sistemas permitem recuperar a fertilidade do solo, renovar a pastagem.
Na ILP, a produção de grãos ou silagem pode ajudar a amortizar o investimento. Na ILPF, a inclusão do componente florestal pode gerar, também, investimento no longo prazo e proporcionar sombra aos bovinos.
Não há um custo único por hectare para esses sistemas. O valor depende das culturas utilizadas, das operações mecanizadas, dos fertilizantes, das sementes, das mudas, da infraestrutura e do período de implantação. Por isso, a viabilidade deve ser calculada individualmente, considerando os custos e as receitas esperadas de cada componente.
A recuperação pode elevar a produção de forragem e a capacidade de suporte. Pastagens degradadas podem operar ao redor de 0,4 unidade animal (UA) por hectare, enquanto áreas recuperadas e bem manejadas podem alcançar 1 UA/ha ou mais.
De acordo com a Embrapa, em Uberlândia, Minas Gerais, a implantação de um sistema integrado elevou a lotação de 1,1 para 3,2 cabeças por hectare. O resultado demonstra o potencial da intervenção, mas não deve ser aplicado automaticamente a outras propriedades, pois varia conforme o clima, o solo, a forrageira e o manejo.
A análise econômica não deve considerar apenas o número de animais por hectare. Também devem ser avaliados o ganho de peso, a produção de carne por área, o custo da suplementação e a margem da venda dos bovinos.
Pastagens recuperadas podem reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) por quilograma de carne produzida. Com maior oferta de forragem e melhor desempenho, os bovinos podem atingir o peso de abate em menos tempo, diluindo as emissões associadas à manutenção dos animais.
Em cenários avaliados pela Embrapa, pastagens degradadas emitiram 32,3 kg de dióxido de carbono (CO2) equivalente por quilograma de ganho de peso vivo. Em pastagens recuperadas sem adubação nitrogenada, o resultado caiu para 17,2 kg.
Sistemas com consórcio de braquiária e estilosantes e áreas de Panicum maximum adubadas apresentaram, respectivamente, emissões de 9,8 kg e 3,2 kg de CO₂ equivalente por quilograma de ganho de peso vivo.
Esses resultados são específicos dos sistemas avaliados. As emissões variam conforme a produtividade da pastagem, o desempenho dos animais, o manejo da adubação e a metodologia utilizada.
A escolha entre recuperação, reforma, renovação ou sistema integrado deve comparar o investimento com o aumento esperado da produção e da margem por hectare. O cálculo precisa considerar o período em que a área ficará sem pastejo, o custo de manutenção e a necessidade de infraestrutura.
A recuperação também exige acompanhamento. Sem manutenção de nutrientes, controle da taxa de lotação e monitoramento da produção de forragem, a área pode voltar a se degradar. O retorno do investimento depende de diagnóstico técnico, escolha adequada da intervenção, orçamento atualizado e manejo contínuo.
Referências:
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