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Scot Consultoria

Os volumosos e o leite


Segunda-feira, 19 de março de 2007 - 12h39

É cedo para afirmar, mas provavelmente dietas baseadas em cana-de-açúcar poderão levar vantagem neste ano. A expectativa é de que o custo da ração será maior, por conta do aumento esperado nas cotações dos alimentos concentrados, cujos mercados estão em recuperação. No caso dos volumosos, também se espera aumento de custos de produção por conta do aumento dos preços dos fertilizantes. Apesar do volumoso para silagem já ter sido plantado, deve-se planejar o plantio do final do ano, volumoso que será consumido em 2008. O preço do leite, assim como o do boi gordo, tende a melhorar. O impacto nos custos é proporcional à participação de cada componente. Os fertilizantes, por exemplo, representam de 8% a 10% dos custos operacionais da produção de leite em empresas tecnificadas. Os alimentos concentrados representam 30% dos custos operacionais. Independente da pressão de custos, o clima tem influenciado na produção de leite. Janeiro e fevereiro foram marcados por excesso de chuvas em importantes bacias leiteiras. O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq-USP) registrou queda de 2,88% no volume de leite captado em janeiro em sete Estados, quando comparado a dezembro de 2006. As chuvas estão reduzindo a produção das vacas por desconforto, por questões de operacionalidade da ordenha e dificultado o transporte. Além do impacto na produção a chuva pode ter prejudicado o processo de produção de silagem. Dependendo da região, e do cronograma de plantio utilizado, o processo de ensilagem vai de meados de janeiro até março. Para garantir a qualidade da silagem, no entanto, o produtor deve seguir diversas recomendações. Considerando que a planta seja adequada, que o manejo tenha sido bem conduzido e o ponto de ensilagem determinado corretamente, a qualidade do alimento ainda dependerá do processo de ensilagem. A ensilagem envolve o corte e transporte da forragem e o enchimento do silo, que pode ser aéreo, de trincheira ou de fosso. Esse processo requer rigor. O ideal é que o material picado seja ensilado, e fechado, em sete dias, dependendo da forragem. Mesmo que possa se prolongar, o processo exige um cumprimento de prazo. Outro fator importante para determinar a qualidade é a compactação da forragem picada. Em todos os anos o produtor ensila na época de chuvas, portanto conhece as dificuldades do processo e os riscos de perda de qualidade do material final. Este ano, em especial, a quantidade de chuvas pode ter trazido ainda mais dificuldades operacionais aos produtores. O excesso atrapalha o corte, o transporte, o enchimento do silo, a compactação e, consequentemente, atrasa o seu fechamento. A própria ação da água sobre a forragem é um fator negativo para o processo de fermentação. Sendo assim, pode-se esperar que a forragem armazenada neste ano tenha um custo superior. O custo da qualidade. A falta de qualidade aumentará o custo da dieta ou reduzirá produtividade. O fato é que neste ano está mais difícil ensilar. Com relação a custos de dieta o raciocínio com relação aos alimentos volumosos é bem simples. Alimentos mais ricos, como silagem de milho ou de sorgo, tendem a proporcionar economia de concentrados na formulação final da dieta. Alimentos mais pobres como cana-de-açúcar ou silagem de capim exigem maior uso de concentrados na formulação da dieta, ou proporcionarão menores resultados. As vantagens dos dois últimos é a produtividade por área. Se há perdas na produção individual, há ganhos na produção por área, desde que o sistema seja bem manejado. Observe, na figura 1, os custos de produção de volumosos para a suplementação durante a seca, conforme acompanhamento de custos realizado pela Scot Consultoria. No caso da silagem de capim, pode-se enriquecer o material a ser ensilado adicionando polpa cítrica ou outro concentrado. Com esse procedimento, há aumento nos custos da silagem, mas ocorre melhoria da qualidade final do alimento com conseqüente redução de custos na dieta final. Existe uma compensação, que deve ser considerada. Se o produtor registrar aumento nos custos das silagens, ou registrar perda de qualidade, neste ano, a opção por cana-de-açúcar tende a proporcionar resultados econômicos melhores. Evidentemente que cada caso deve ser analisado individualmente.
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