A relação de troca no Mato Grosso abre janela para recriadores e invernistas ajustarem seus plantéis com maior eficiência.
Foto: Bela Magrela
Em Mato Grosso, a segunda quinzena de junho foi marcada pelo aumento nas cotações dos machos anelorados, em comparação com a primeira metade do mês. No caso das fêmeas, o movimento também foi de valorização, com exceção das novilhas, cujo preço não mudou no período. Confira nas figuras 1 e 2.
Figura 1.
Cotação média (R$/cabeça) na segunda e na primeira quinzena de junho para a reposição com machos anelorados.
Fonte: Scot Consultoria
Figura 2.
Cotação média (R$/cabeça) da segunda e da primeira quinzena de junho para a reposição com fêmeas aneloradas.
Fonte: Scot Consultoria
De modo geral, os leilões em Mato Grosso apresentaram maior liquidez ao longo de junho — com destaque para a segunda e terceira semanas do mês — na comparação com maio. Além disso, em algumas regiões do estado, as condições de pastagem ainda estão boas, o que reforçou a posição da ponta vendedora e permitiu pedidos de preço mais altos na segunda metade do mês, em relação à primeira quinzena.
Além disso, a demanda por fêmeas destinadas à cria vem se intensificando de forma gradual, impulsionada pela dificuldade crescente na aquisição de bovinos terminados e pela expectativa de preços firmes no próximo ciclo. Segundo agentes-chave, há menor oferta de fêmeas em relação aos machos, e se observa um movimento de criadores antecipando as compras.
A última semana de junho, marcada pela chegada de frente fria e, pelo ritmo mais travado no mercado do boi gordo, trouxe sinais de desaceleração nas negociações da reposição no estado. No entanto, apesar do menor volume de negócios na semana em comparação à anterior, o mercado apresentou uma demanda mais aquecida do que a observada há um mês. A expectativa para o segundo semestre está otimista, com elevação consistente da cotação da arroba do boi gordo, o que tende a melhorar a atratividade da reposição.
Assim, mesmo com o declínio no ritmo observado ao final de junho, os fundamentos continuam favoráveis à reposição para o segundo semestre.
A relação de troca está favorável para o recriador e o invernista para a reposição, na comparação mês a mês.
Na comparação mensal, a cotação da arroba do boi gordo subiu 1,6%. Já no mercado de reposição, observou-se queda de 1,6% na cotação do bezerro de desmama e de 0,8% na do boi magro. O bezerro de ano apresentou acréscimo de 0,8%, enquanto o garrote manteve-se estável.
Dessa forma, o poder de compra dos recriadores e invernistas está 2,3% melhor para a aquisição do boi magro, 1,9% para o do garrote, 0,5% para o do bezerro de ano e 3,3% para o do bezerro de desmama.
Dessa forma, ao vender um boi gordo com 19 arrobas, é possível adquirir 1,36 boi magro, 1,60 garrote, 1,84 bezerro de ano e 2,20 bezerros de desmama.
A melhora na relação de troca representa uma janela de oportunidade para a recomposição de estoques com maior eficiência de capital. O cenário está favorecido pela valorização da arroba do boi gordo em detrimento dos preços da reposição. No entanto, tendência é que esse quadro seja passageiro.
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