• Terça-feira, 16 de junho de 2026
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Mercado físico recua, mas a tela desenha melhora

Garantir esse ágio agora é monetizar a eficiência do mercado futuro antes que a convergência natural dos preços feche essa janela de oportunidade.


Foto: Freepik

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Amigos, a dinâmica do mercado do boi gordo nesta primeira etapa de janeiro nos ofereceu um estudo de caso clássico sobre assimetria de risco e leitura de fluxo.

Quem observou a estrutura da curva futura no início do mês, em 2/1, viu um cenário em que o mercado até oferecia algum prêmio – com o físico a R$318,29 e a referência futura próxima a R$324,10 –, mas que se arrastou em uma lateralidade monótona até o dia 15, testando a liquidez e a paciência do produtor diante de um consumo interno ainda incerto.

No entanto, a virada para a segunda quinzena trouxe uma ruptura violenta de tendência, transformando aquele mercado morno em uma oportunidade técnica e robusta.

O que vimos nos últimos dias foi uma divergência de fundamentos que raramente acontece com tanta clareza: enquanto o indicador físico cedeu para R$317,02, pressionado pela ressaca sazonal do varejo, a curva futura inteira ignorou esse ajuste negativo e ganhou inclinação, precificando os contratos acima de R$327,50. Essa reprecificação fez o ágio, que rodava na casa dos R$5,00 a R$6,00 no início do mês, praticamente dobrar de tamanho na mesa de negociação, como podemos visualizar na evolução na tabela 1.

Tabela 1.
Cotação do contrato futuro do boi gordo.

Contratos Futuros B3
Data Indicador B3 Janeiro Fevereiro Março Abril Maio
02/01/2026 R$ 318,29 R$ 317,55 R$ 318,55 R$ 324,10 R$ 322,55 R$ 324,10
15/01/2026 R$ 317,25 R$ 317,40 R$ 318,10 R$ 318,35 R$ 318,50 R$ 317,65
16/01/2026 R$ 317,30 R$ 317,70 R$ 317,65 R$ 318,30 R$ 318,85 R$ 319,00
19/01/2026 R$ 316,81 R$ 320,00 R$ 322,95 R$ 323,00 R$ 324,40 R$ 323,90
20/01/2026 R$ 319,14 R$ 321,35 R$ 325,35 R$ 325,90 R$ 326,75 R$ 327,00
21/01/2026 R$ 317,02 R$ 321,70 R$ 327,50 R$ 327,75 R$ 328,30 R$ 328,55

Fonte: B3 / Elaboração: Raphael Galo.

Para o gestor/produtor atento, esse movimento de alta na B3 – que puxou não só o curto prazo, mas alongou os prêmios por toda a curva do primeiro semestre – não é especulação, mas sim a antecipação da capacidade de pagamento da indústria.

O mercado financeiro "leu" que, embora a arroba tenha cedido no curral, os preços da carne no atacado (especialmente o dianteiro e a carcaça casada) e nas gôndolas mostraram uma resiliência surpreendente, sustentando as margens operacionais dos frigoríficos.

Quando somamos essa "gordura" interna ao ritmo fortíssimo das exportações, que seguem com médias diárias elevadas, enxugando a oferta de bovinos prontos, a conclusão é matemática: a indústria está fazendo caixa e terá necessidade de compra.

A tela futura, sendo mais ágil que o balcão físico, já precificou que esse spread da indústria eventualmente poderá ser repassado para garantir as escalas de fevereiro e março. O mercado saiu de um cenário de espera para um cenário de convicção, oferecendo hoje um ágio de mais de R$10,00, sustentado por esses dois pilares: margem de varejo e volume de exportação.

A estratégia racional para o produtor agora não é ficar exposto aguardando o físico reagir, mas sim travar essa margem que a tela já paga antecipadamente. Garantir esse ágio agora é monetizar a eficiência do mercado futuro antes que a convergência natural dos preços feche essa janela de oportunidade.

Pode ser que o mercado continue subindo? Claro, o mercado é soberano..., mas não espere esse movimento de braços cruzados sem ao menos proteger uma margem satisfatória (se hoje o mercado está te oferecendo isso).

Forte abraço e até a próxima!

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