O mais provável é que resultado desse mês tenha sido causado muito mais pela baixa disponibilidade de animais para abate, e consequente menor oferta de carne na exportação, do que por uma menor demand
Já vínhamos abordando neste espaço que as exportações vêm ganhando cada vez mais importância no escoamento de nossa produção e na precificação da arroba paga ao produtor. A alta do dólar, associada à maior demanda da China e ao menor potencial comprador do mercado interno foram o cenário por trás desse ganho de relevância das exportações no mercado brasileiro.
Esse cenário deve perdurar e até se intensificar ao longo de 2021 e, por isso, a diminuição no volume exportado em janeiro na comparação com janeiro de 2020 chamou a atenção de muitos participantes do mercado. Confira na figura 1 a evolução dos volumes exportados e do faturamento dos últimos anos.
O menor volume exportado em janeiro chamou a atenção porque quebrou uma sequência de vários meses em que a exportação vinha quebrando recordes de volumes exportados mês após mês. Esse pior desempenho também coincidiu com o pico de valorização da nossa arroba em dólares nos últimos seis anos, conforme mostramos no artigo da semana passada e, por isso, muitos se perguntam se essa pode ter sido a causa.
O resultado de um único mês não pode ser entendido como tendência para o restante do ano e não é correto tirar conclusões com base em tão poucos dados assim. O mais provável é que resultado desse mês tenha sido causado muito mais pela baixa disponibilidade de animais para abate, e consequente menor oferta de carne na exportação, do que por uma menor demanda externa. O fato de a carne no mercado interno ter seguido em alta mesmo com a exportação diminuindo corrobora com essa análise. Analisar os dados consolidados de exportação no primeiro trimestre poderá dar informações mais corretas sobre a tendência para o restante do ano.

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