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Scot Consultoria

Mercado futuro na semana


Segunda-feira, 18 de janeiro de 2016 - 09h50

À medida que vamos caminhando ao longo de janeiro e muitos pecuaristas retomam suas atividades, a expectativa seria de que a oferta de boi gordo apresentasse alguma melhora, porém, não é o que tem sido observado. A situação de baixa oferta e dificuldade de alongar as escalas de abate persiste em São Paulo, agravada pelas chuvas intensas dos últimos dias que dificultam e, muitas vezes, impede o embarque de animais levando as indústrias a aumentar a pressão de compra onde há oferta disponível. Nesse cenário a “baliza” dos preços em São Paulo vai subindo e fica cada vez mais difícil encontrar ofertas abaixo de R$150,00/@, enquanto os negócios acima desse patamar vão ganhando mais frequência.


A BM&F tem acompanhado esse movimento e toda a curva e preços para 2016 atingiram novas máximas no início do pregão de 14/1, com fev/16 na máxima a R$153,50/@, mar/16 a R$153,29/@, mai/16 a R$154,25/@ e out/16 a R$160,00/@. Apesar desse novo impulso de altas, o interesse por fixação de preços nesses níveis ainda permanece bastante pequeno, com baixos volumes negociados, evidenciando a expectativa de muitos agentes de que podemos ter preços ainda maiores nessa safra.


O diferencial de preços safra x entressafra evidenciado pelo spread maio x outubro abriu um pouco ao longo da semana, saindo de ao redor de 3,0% na semana passada para os atuais 3,9%, porém, ainda longe de ser alguma melhora significativa para os confinadores. Na verdade o cenário piorou muito nessa semana, já que o milho acelerou sua trajetória de alta, com o indicador Esalq subindo impressionantes 10,0% em apenas uma semana e o cenário, que até então era de preços em alta, já resvala para medo de desabastecimento no estado de São Paulo. A relação de troca boi x milho atingiu a mínima dos últimos dois anos, estando atualmente em 3,5 sacas/@, uma piora de 41,0% contra a mesma época do ano passado, como pode ser observado na figura 1.


A curva de preços para 2016 no boi gordo é ascendente para todo o ano, porém, na safra de hoje até maio a alta é de 3,7%, enquanto que na entressafra de maio até outubro a alta é de 3,9%. Essa é uma precificação inédita para os padrões históricos do mercado de boi gordo, primeiro porque precifica maio como o maior preço da safra e segundo porque coloca outubro com um ágio muito pequeno frente ao grande aumento de custos sinalizado para os confinadores até o momento. O efeito prático disso é que muitos pecuaristas ao analisar essa realidade estão buscando concentrar todo o seu abate durante a safra, que é onde os custos ainda geram alguma remuneração. Ainda é cedo para cravar qualquer previsão com boa confiabilidade, mas se a estrutura de custos x preço de venda não mudar corremos o risco de voltar a ter uma entressafra típica como já há alguns anos não se via.


 



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