por:Leandro Bovo
Quarta-feira, 27 de dezembro de 2006 - 18h04
Existem várias formas de se “estudar” os mercados futuros até se chegar à decisão de venda. Tendo sempre como base um custo de produção bem definido e a rentabilidade que se deseja obter no investimento em engorda, podemos usar diversas análises para definir o momento de venda, como já foi abordado nessa coluna. Obviamente nem todos têm acesso a análises mais profundas e, muitas vezes, manter um raciocínio lógico e simples pode trazer bons resultados.
O melhor momento para se vender qualquer produto é quando os preços estão em alta ou em baixa? Usando apenas o raciocínio intuitivo, a resposta óbvia é “quando os preços estão em alta...”. Então a próxima pergunta passa a ser: no caso do mercado do boi, quando os preços estão em alta? Também não é necessário um enorme conhecimento para saber que esse período é a entressafra. Logo, intuitivamente, deduzimos que um bom momento para se vender contratos futuros é no auge da entressafra.
Seguindo nosso raciocínio, vamos supor que um pecuarista tenha definido como regra que sempre venderia contratos da entressafra seguinte na entressafra atual, ou seja, em outubro de 2003 ele venderia o contrato outubro 2004; em outubro de 2004 ele venderia o contrato outubro 2005 e assim por diante. Para minimizar qualquer possível distorção, consideraremos em nosso exemplo um preço de venda igual à média dos preços do contrato no mês de outubro. Sendo assim, os preços de venda foram: Contrato out 03 (vendido em out 02) =R$ 61,23/@; out 04 (vendido em out03) = R$ 70,64; out 05 = R$ 71,38; out 06 = R$ 62,25.
Os resultados de cada venda podem ser analisados nos gráficos abaixo, que retratam o comportamento do respectivo contrato de outubro (linha azul) frente aos preços do mercado físico (linha em vermelho). Como pode ser observado, em todos os casos, o preço de liquidação (Índice Esalq à vista) foi inferior ao preço da venda.
Usamos como exemplo a venda do contrato outubro (que representa a entressafra) na entressafra anterior, porém esse mesmo raciocínio também é válido para a venda de contratos da safra na entressafra anterior. É claro que essa estratégia não é uma regra, e a decisão de venda não deve ser baseada unicamente nesse princípio.
A decisão de venda na entressafra é sempre mais difícil, pois os preços estão subindo, os ânimos estão altistas e sempre pipocam comentários de que os preços subirão ainda mais. Muitos esperam para vender no preço máximo, mas poucos conseguem.
Nos últimos anos, quem usou essa estratégia simples de venda a futuro na entressafra teve resultados satisfatórios.