por:Leandro Bovo
Quinta-feira, 9 de novembro de 2006 - 20h14
Existem duas maneiras de se liquidar uma posição assumida na BM&F: uma é realizando a operação inversa, ou seja, se está vendido, é só recomprar o mesmo número de contratos para o mesmo vencimento. A outra maneira é esperar até o último dia útil do mês do contrato, quando todas as posições serão liquidadas pelo índice Esalq/BM&F.
O índice Esalq/BM&F é um índice levantado e divulgado todos os dias pela Esalq e reflete a média dos preços, praticados naquele dia, no Estado de São Paulo. Para efeito de liquidação dos contratos, é considerado a média aritmética das 5 últimas cotações do índice Esalq à vista no referido mês. Por exemplo: todos os contratos de outubro que ainda estavam abertos em 31/10/2006, foram liquidados pela média dos índices dos dias 25, 26, 27, 30 e 31 de outubro. A liquidação é feita pela média, pois considerando-se 5 dias, o risco de uma possível tentativa de manipulação do mercado físico é bem menor do que se fosse considerado um único dia.
DIFERENÇA DE BASE
Dessa forma, percebemos que a referência dos preços futuros de boi na BM&F são os preços de São Paulo, à vista. Essa informação pode gerar algumas dúvidas em quem tem propriedades em outros Estados.
A diferença entre os preços de São Paulo e os preços de outras praças é chamada de diferença de base, e deve ser sempre considerada pelos produtores de outros Estados que queiram utilizar o mercado futuro.
Essa diferença de preços entre Estados não é constante, porém a praça balizadora de preços no Brasil é, sem dúvida, São Paulo. Assim, conhecendo-se os históricos de preços de onde o pecuarista vende o gado e os preços de São Paulo, é possível saber com “certa acurácia” a diferença que deve ser considerada na operação. Normalmente essa diferença aumenta na safra e diminui na entressafra, portanto o ideal é conhecer a média de cada período em separado.
A consideração desse diferencial de base é importante para se evitar problemas no futuro. Quando o diferencial aumenta, significa que o boi de fora do Estado está se desvalorizando em relação à São Paulo. Quando o diferencial diminui, significa que o boi de fora se valorizou. Dessa forma o ideal é ser conservador, isto é, considerar nas contas operacionais uma diferença maior do que ela realmente é na média, o que ajuda a evitar surpresas desagradáveis, pois se mesmo com uma diferença maior o preço de venda é interessante, se a diferença diminuir, o resultado operacional será ainda melhor.
Teoricamente, uma forma de “zerar” totalmente o risco da base seria ter um acordo com algum frigorífico da região que pague o índice Esalq/BM&F menos o diferencial acertado com antecedência. Desse modo, com o diferencial de base conhecido e garantido, o pecuarista fica mais à vontade para vender na BM&F.