Preços estáveis para o couro verde, mas os curtumes esperam por um aumento de oferta, que pode dar início, novamente, a pressões baixistas.
A disponibilidade de couro no mercado interno pode aumentar em função da seca (típica de final de safra) e da queda de temperatura no Brasil Central. Nesse ambiente o produtor tende a ofertar mais animais para abate. E se aumenta a oferta de gado, aumenta a oferta de couro. Vamos ver.
Os curtumes aguardam há algum tempo por uma brecha desse tipo para derrubar os preços do couro verde. Argumentam que o dólar, que se mantém em baixa, segue castigando as margens do setor. Além do mais, sabem que durante a entressafra a tendência é que as cotações do boi gordo e, conseqüentemente, dos seus derivados, reajam.
Em síntese, se o couro tiver que cair, terá que ser agora. Mas espaço para tanto, vale ressaltar, ainda não existe. Os curtumes o estão buscando.
Com relação às margens, notadamente dos exportadores, é verdade que até o momento elas não têm sido muito prejudicadas, uma vez que tem havido repasse dos aumentos de custo de aquisição de matéria-prima para os preços dos produtos finais. Ou seja, os importadores estão pagando mais caro pelo couro brasileiro.
A demanda aquecida favorece o aumento de preços, mas é fato que o Brasil também faz valer seu market share. O País é o principal exportador mundial de couro. É formador, e não tomador de preços.
No entanto, a resistência dos importadores a novos aumentos está forte. No caso dos preços do wet blue, alguns curtumes brasileiros apontam que já não conseguem mais alcançar os picos registrados alguns meses atrás, e que o mercado estabilizou mesmo.
A queda de braço entre curtumes e frigoríficos deve se acirrar ao longo das próximas semanas.
SEBO CAI NO SUL
As cotações do sebo bovino permanecem estáveis no Brasil Central, mas recuaram R$0,10/kg no Rio Grande do Sul.
Interessante observar que um dos fatores que sustentaram o recuo no Sul é justamente o ligeiro aumento de oferta registrado no Centro-Oeste.
Acontece que a demanda, principalmente na parte baixa do País, tende a diminuir um pouco, em função do frio.
É preciso considerar também que no Brasil Central a produção de biodiesel ajuda a manter aquecida a venda de sebo, o que não acontece no Rio Grande do Sul.
A última retração para o preço do sebo no extremo Sul do Brasil havia sido registrada no final de novembro de 2006.
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