Preços estáveis para o couro verde, mas o mercado esfriou. Diante do aumento na oferta de matéria-prima, graças à evolução dos abates, e da valorização do real, os curtumes diminuíram o apetite de compra e, em algumas regiões, até pressionam por recuo.
Os frigoríficos, por sua vez, não cedem. Enquanto a disputa permanecer “equilibrada”, não devem ocorrer alterações.
Os valores de referência estão expostos na tabela abaixo. Mas alguns negócios diferenciados, para cima ou para baixo, têm sido registrados.
No Brasil Central, frigoríficos pequenos têm conseguido entre R$1,55 e R$1,80/kg pelo couro verde. As piores cotações são registradas em Minas Gerais. Os preços para frigoríficos de primeira linha oscilam entre R$2,20/kg e R$2,40/kg.
No Rio Grande do Sul, no mercado “comum”, o máximo (e referência) é mesmo R$2,10/kg. Alguma coisa corre em R$2,00/kg.
A QUESTÃO DO CÂMBIO E DO PREÇO DO COURO EXPORTADO
Que a valorização do real é uma “dor de cabeça” enorme para os setores exportadores, isso é fato. Mas o aumento dos preços internacionais tem, para alguns, minimizado as mazelas cambiais. É o caso do couro.
Acompanhe na figura 1 a evolução dos preços do couro verde no mercado interno, com base no mercado de SP, e dos preços médios do couro exportado pelo Brasil. Abril de 2001 é a base (Índice 100), sendo que foram tomados como referência, para ambos, os valores em dólares.

Os preços de exportação têm acompanhado o comportamento dos preços da matéria-prima (couro verde). Isso graças à elevada representatividade (
market-share) do Brasil. Os curtumes, ao menos até agora, têm conseguido repassar para os compradores os aumentos dos custos de produção.
Veja que em 2005 a margem dos curtumes aumentou, já que houve recuo dos preços do couro verde e manutenção dos preços internacionais. Logo depois o couro verde, graças à nova “onda” de valorização do Real, reagiu mais forte que o couro exportado, mas em boa parte apenas devolveu a queda do período anterior. O mercado internacional se manteve firme e as exportações em alta.
Como a economia internacional mantém um bom ritmo de expansão, o que deve manter a demanda por couro aquecida, e a pecuária de alguns países fornecedores de couro atravessa dificuldades, o que deve impedir aumentos significativos de oferta, os preços internacionais tendem a se manter em alta, contribuindo para o crescimento das exportações brasileiras mesmo com o real forte.
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