Preços estáveis para o couro verde no início de 2007. O mercado está morno.
Ao longo do mês é esperada uma retomada gradual do volume de negócios. Os curtumes apostam num aumento de oferta (afinal, é safra do boi gordo), que poderia levar à retração dos preços da matéria-prima. Vamos ver.
EXPORTAÇÕES EM 2006
Em dezembro o Brasil exportou, de acordo com informações preliminares do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), 38,70 mil toneladas de couro, com faturamento de US$184,40 milhões.
Foi o melhor desempenho do ano, para realmente fechar 2006 com “chave de ouro”. Em relação ao mesmo período de 2005, quando os embarques chegaram 32,26 mil toneladas, com receita de US$131,95 milhões, houve aumento de 20% em volume e de 41,3% em valor.
As exportações fecharam 2006 com aproximadamente 419,34 mil toneladas e receita de quase US$1,88 bilhão. Em relação a 2005 houve aumento de 24,5% em volume e 34,1% em valor. Veja o fechamento dos últimos anos na tabela 1.
Não foram quebrados recordes apenas em termos de volume e faturamento, mas também em termos de crescimento.
Acompanhe na tabela 2 as variações anuais das exportações.
O desempenho espetacular de 2006, apesar do dólar baixo, é explicado, primeiro, pelo aumento da oferta de couro, a reboque do aumento do abate, sobretudo, de bovinos. Como o mercado interno não absorve, nem com “mandinga” e “reza brava”, a produção, a saída é exportar, haja o que houver.
Depois, é preciso considerar que não há excesso de oferta em nível mundial. Por outro lado, a demanda está em alta, principalmente por conta do forte crescimento econômico de países emergentes. Graças a esse cenário, os exportadores brasileiros conseguiram reajustar os preços. O couro brasileiro, no mercado internacional, foi negociado, em média, a US$4,48/kg em 2006, contra US$4,17/kg em 2005, um aumento de 7,4%.
De toda forma, no Brasil Central, os curtumes tiveram que arcar com um aumento médio, em dólares, de 22,2% para o couro verde, na comparação de 2006 com 2005. A relação compra/venda, portanto, piorou para a indústria.
No Rio Grande do Sul o aumento foi de “apenas” 6,5%. Mas é preciso considerar que o preço médio do couro verde, no extremo Sul do País, ficou 13,2% acima do que foi registrado em São Paulo e Goiás, ao longo de 2006.
Em 2007, com expectativa de câmbio ainda na faixa de R$2,15 ou R$2,20 por US$1,00, crescimento mais comedido da economia mundial (ainda que se mantenha em bons patamares) e oferta de couro verde mais ajustada em relação a 2006 (reflexo do início da inversão do ciclo pecuário), os curtumes correm o risco de experimentar um novo achatamento das margens.