• Quarta-feira, 14 de outubro de 2026
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Scot Consultoria

Circuito Cria mapeia diferentes caminhos para intensificar a cria

Expedição da Scot Consultoria percorreu Tocantins, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul e acompanhou diferentes estratégias de manejo, nutrição, genética e reprodução adotadas pelos produtores para aumentar a eficiência da cria.


O Circuito Cria, pesquisa-expedicionária da Scot Consultoria dedicada à pecuária de cria, concluiu a segunda rota da edição No Rastro do Bezerro. Depois de percorrer Mato Grosso e Pará (Rota 1), a equipe visitou o sul do Tocantins, o norte de Minas Gerais, a região de Rio Verde (GO) e o entorno de Camapuã (MS).

Ao longo das visitas, a equipe acompanhou diferentes estratégias para intensificar a cria, envolvendo manejo de pastagens, suplementação nutricional, genética, precocidade reprodutiva e integração entre agricultura e pecuária. As práticas observadas mostram como os produtores buscam melhorar seus resultados, considerando as condições de cada região e as necessidades de suas propriedades.

Foto: Bela Magrela

Intensificação exige planejamento e adaptação

A transição entre seca e águas coincidiu com a Rota 2 e evidenciou um ponto comum às propriedades visitadas nos quatro estados: a importância do planejamento nutricional e reprodutivo para enfrentar esse período. 

Para atravessar esse período, os produtores adotam estratégias como o diferimento de pastagens, a suplementação estratégica e a utilização de volumosos, buscando preservar a condição corporal das matrizes e permitir a recuperação das pastagens com o retorno das chuvas, sem comprometer a preparação do rebanho para a estação de monta.

Nas fazendas com calendário reprodutivo bem ajustado, esse planejamento começa antes da estação de monta, para que as matrizes cheguem em boa condição corporal e as concepções se concentrem no início do período. Essa estratégia favorece a produção do chamado “bezerro do cedo”, que nasce no início da estação de parição, geralmente ainda no período seco, onde o ambiente proporciona um menor desafio sanitário, com potencial para alcançar maior peso à desmama.

Precocidade avança e a novilha regular perde espaço

A precocidade reprodutiva já é uma prática disseminada nas propriedades visitadas pelo Circuito Cria. Nos sistemas mais intensificados, a entrada antecipada das fêmeas na reprodução tem reduzido o espaço das chamadas novilhas regulares, que passam pela primeira estação de monta por volta dos 24 meses. Enquanto algumas fazendas já eliminaram essa categoria do rebanho, outras ainda trabalham com novilhas precoces e regulares.

Buscando antecipar a primeira estação de monta, os produtores investem em seleção genética e manejo nutricional adequado. Entre as estratégias observadas está o confinamento das fêmeas após a desmama, utilizado para favorecer o desenvolvimento das novilhas e prepará-las para a reprodução mais cedo.

A desmama acompanha esse movimento, para contribuir com a recuperação dessas fêmeas que ainda estão crescendo e ao mesmo tempo criando um bezerro. A média de idade ao desmame observada pelo Circuito Cria está em sete meses e em algumas fazendas, esse manejo é realizado ainda mais cedo, aos cinco ou seis meses, com estratégias como creep feeding ou com o bezerro seguindo diretamente para a recria confinada.

Foto: Bela Magrela

Agricultura e confinamento a serviço da cria

Nos 4 estados por onde a expedição passou, a agricultura apareceu como ferramenta da cria, de duas formas. Em parte das fazendas, há integração lavoura-pecuária (ILP), comumente utilizada na fase de recria, também apareceu sendo utilizada para matrizes, na maior parte, novilhas precoces ou primíparas. Em outras, a lavoura serve para reformar pastagens: a cada ano, uma parcela da área, em alguns casos cerca de 10%, recebe a cultura e depois volta à pecuária recuperada, em sistema de rodízio.

O confinamento também foi além da terminação e apareceu na recria após a desmama, na preparação de novilhas para a reprodução, na recria de tourinhos e na terminação de vacas de descarte. Na recria das fêmeas, ajuda a antecipar a reprodução e sustenta o descarte de vacas mais velhas, formando um rebanho mais precoce e mais jovem, ainda liberando pasto para matrizes em produção.

Estratégias de intensificação variam entre os estados

No sul do Tocantins, a intensificação da cria esbarra nos desafios impostos pelo clima. Os períodos prolongados de seca exigem estratégias ajustadas às condições da região. O manejo das pastagens e a escolha de forrageiras mais resistentes, como o capim-andropogon, estão entre as alternativas adotadas para enfrentar a menor índice pluviométrico. O cuidado se estende à reprodução: conforme a intensidade da seca, o início da estação de monta das matrizes pode ser adiado de 15 a 30 dias. A decisão considera a época em que essas fêmeas vão parir e as condições em que entram na estação reprodutiva, que são desafiadoras para o escore corporal.

Outro destaque do estado foi a adoção de princípios da pecuária regenerativa com um sistema de pastejo ultradenso que busca reproduzir o comportamento natural das manadas. Na prática, o pastejo ultradenso se traduz em: a pastagem é dividida com cerca elétrica em faixas reduzidas, e o gado permanece em cada uma até consumir a forragem ofertada, quando então é transferido para a faixa seguinte.

Foto: Bela Magrela

No norte de Minas Gerais a irrigação teve destaque, com a tecnologia presente tanto nas lavouras quanto nas pastagens. Na pecuária, essa estratégia permite manter a oferta de forragem durante os períodos de seca, contribuindo para o manejo nutricional do rebanho. Assim como a utilização da integração entre agricultura e pecuária também esteve presente, com sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e integração pecuária-floresta.

Foto: Bela Magrela

Na região de Rio Verde, em Goiás, a expedição encontrou sistemas de cria que aproveitam a forte presença da agricultura para intensificar a produção pecuária, em algumas fazendas, há integração lavoura-pecuária (ILP), com áreas que se revezam entre lavoura e pasto, principalmente nas fases de recria e terminação. Em outras, a agricultura entra como ferramenta para reformar pastagens, sem configurar um sistema permanente de ILP.

Como a reforma tem custo elevado, essas propriedades destinam a cada ano uma parcela da área à lavoura. O preparo do solo e os benefícios deixados pela cultura recuperam o pasto, que depois volta à pecuária. Assim, a fazenda é renovada de forma gradual, em sistema de rodízio, diluindo o custo da reforma ao longo do tempo.

Foto: Bela Magrela

No Mato Grosso do Sul, a expedição percorreu o entorno de Camapuã, região conhecida como a “capital do bezerro de qualidade”. A região se destaca pela produção de animais pesados à desmama, resultado de um trabalho de seleção genética e manejo nutricional que também impulsiona a comercialização de bezerros em leilões.

Entre as práticas observadas está o uso do creep feeding, suplementação oferecida aos bezerros ainda ao pé da vaca. Na genética, o cruzamento dirigido permite selecionar touros conforme as características das matrizes, enquanto o cruzamento industrial e a produção de animais F1 também fazem parte das estratégias adotadas.

A busca por eficiência também aparece no manejo de matrizes precoces Angus. Em um dos sistemas visitados, vaca e bezerro seguem juntos para a terminação intensiva a pasto (TIP), permitindo antecipar a desmama e destinar a matriz jovem ao abate com bonificação, sem renunciar à produção de um bezerro pesado.

Mercado favorável ao criador

O ânimo encontrado no campo acompanha o momento do mercado. Praticamente todos os criadores relataram satisfação com a valorização da reposição no último ano, superior à alta registrada pela arroba do boi gordo.

Os indicadores da Scot Consultoria confirmam o movimento: o ágio do bezerro de desmama sobre a arroba do boi gordo vem subindo desde meados de 2025. Do ponto de vista mercadológico, a cria tem se tornado mais atrativa do que destinar a matriz à terminação.

Essa atratividade já estimula a retenção de fêmeas, com menos matrizes enviadas ao abate. A leitura da equipe técnica é de que o cenário positivo deve se manter por pelo menos mais dois anos, um período favorável para o pecuarista de cria.

o que mostra que intensificar a cria não significa adotar uma solução única, mas encontrar alternativas compatíveis com o ambiente e com o sistema de cada fazenda.

Foto: Bela Magrela

Intensificação sem receita única

A principal conclusão desta rota é que não existe um modelo único de intensificação da cria. Confinamento, TIP, irrigação, suplementação, reforma de pastagens e integração com a agricultura são estratégias adotadas conforme as condições e a estrutura de cada sistema produtivo. Embora os caminhos sejam diferentes, o objetivo é comum: aumentar a eficiência produtiva e reprodutiva do rebanho, com melhor aproveitamento dos recursos disponíveis. Com o mercado favorável, o cenário abre espaço para investimentos que contribuam para a produtividade e a sustentabilidade da atividade no longo prazo.

As visitas mostram que intensificar a cria exige planejamento e escolhas compatíveis com a realidade de cada propriedade.

Para acompanhar cada etapa da pesquisa, acesse os canais oficiais:

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Estão conosco nessa jornada pela pecuária de cria brasileira:

Casale

Coimma

Trouw Nutrition

Montadora:

Ford

Realização:

Scot Consultoria

Agência responsável:

Bela Magrela

Assessoria de imprensa: Bela Magrela Assessoria e Publicidade

(17) 3342-1195 | Rua Coronel Conrado Caldeira, 578 – Centro – Bebedouro/SP

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