• Sábado, 25 de junho de 2022
  • Receba nossos relatórios diários e gratuitos
Scot Consultoria

Frigorífico: Alta do custo de produção pode afetar balanço do 1º tri


Terça-feira, 10 de maio de 2011 - 16h36

A rentabilidade das operações das empresas de proteínas brasileiras deverá recuar neste primeiro trimestre, de acordo com expectativas de analistas consultados pela Agência Estado. Isso porque o aumento do custo da produção, sustentado pelos preços altos das matérias-primas (boi gordo e grãos), continuarão a pressionar as margens das companhias. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) mostram que o preço médio da arroba do boi gordo foi de R$ 104,30/arroba no primeiro trimestre. O valor é 1,8% inferior ao do quarto trimestre de 2010, mas 34,4% superior à média do primeiro trimestre do ano passado. Os grãos - principalmente, a soja e o milho, muito usados nas dietas dos animais -, também mantiveram suas cotações em níveis altos no período. Levantamento da Scot Consultoria, para cotações em São Paulo, aponta que o valor do farelo de soja no fim de março era 12% maior ao de março de 2010, assim como o valor do milho, que era 65% superior em relação ao mesmo período do ano passado. "Esse aumento do custo de produção não conseguirá ser totalmente compensado pelos repasses nos preços médios de comercialização, em função da demanda sazonalmente mais fraca nos mercados doméstico e externo", afirma o analista da Spinelli Corretora, Max Bueno. O Minerva, única empresa do setor que já divulgou seus resultados (no último dia 29), se deparou com o impacto negativo dos custos. "O comportamento do custo da mercadoria vendida (CMV) reflete a dificuldade que o setor passou no primeiro trimestre com relação a custos, principalmente em janeiro. Tivemos excesso de demanda e pouca oferta", disse o presidente do Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, em teleconferência com analistas e investidores sobre o resultado. Outro eventual ponto negativo para as empresas no período, que será acompanhado de perto pelos analistas, é a geração de fluxo de caixa. Por conta do alto custo de produção, as empresas deverão aumentar suas necessidades de capital de giro. As sinergias das aquisições recentes também serão cruciais para tentar driblar a queda de rentabilidade. JBS - Analistas consultados pela Agência Estado (Santander, Fator Corretora, Bank of America Merrill Lynch, Votorantim Corretora e Bradesco Corretora) preveem para a JBS, em média, um lucro líquido de R$134,22 milhões no primeiro trimestre do ano, alta de 35% na comparação com o mesmo período de 2010, quando a cifra foi de R$99,4 milhões. Para o Ebitda, os especialistas esperam um montante de R$773,36 milhões, diminuição de 10,3% na comparação com um Ebitda de R$862 milhões do primeiro trimestre de 2010. Para a receita líquida, os analistas projetam um valor de R$13,898 bilhões, avanço de 10,7% ante os R$12,550 bilhões do primeiro trimestre do ano passado. A JBS é a única companhia do setor que desde o primeiro trimestre de 2010 apresenta seus números no padrão contábil IFRS. Na avaliação geral, a empresa deverá apresentar aumento de receitas, mas suas margens deverão ficar pressionadas pelo aumento de custo de produção. No consenso dos analistas, a margem Ebitda do primeiro trimestre deverá ser de 5,6%, 1,3 ponto porcentual inferior ao do mesmo período do ano passado, de 6,9%. “A recuperação gradual da economia dos Estados Unidos, juntamente com a forte demanda no mercado brasileiro têm ajudado a impulsionar as vendas. Estamos estimando uma rentabilidade estável das operações de carne suína!, afirmam os analistas da Votorantim Corretora, Luiz Cesta e Marco Richieri, em relatório ao mercado. “Esperamos uma queima de caixa em virtude do aumento das necessidades de capital de giro com base nos maiores preços dos grãos e ao aumento nas exportações dos Estados Unidos”, declara o analista do Santander, Gabriel Lima. A JBS apresenta seus resultados hoje, após o fechamento do mercado. BRF - Para a BRF-Brasil Foods, os analistas de nove instituições financeiras consultadas pela Agência Estado (Santander Corretora, Fator Corretora, Credit Suisse, Spinelli Corretora, Itaú Corretora, Deutsche Bank, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Bradesco Corretora) esperam um lucro líquido de R$221,8 milhões para o primeiro trimestre, com uma receita líquida de R$5,872 bilhões. O Ebitda projetado para o período é de R$683,73 milhões, com margem Ebitda de 11,9%. A base de comparação com o primeiro trimestre de 2010 não é válida, pois apesar de a empresa ter incluído os procedimentos, orientações e interpretações emitidos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), a adoção completa do IFRS deu-se somente no quarto trimestre de 2010. Em comparação com esse resultado, de outubro a dezembro do ano passado, o lucro líquido projetado pelos analistas seria 38,4% menor, o Ebitda 28,7% inferior e a receita líquida, 8,3% menor. A margem Ebitda também sofreria recuo na mesma base de comparação, de 3,1 pontos porcentuais. “Depois de um trimestre muito forte, impulsionado pela forte demanda no mercado interno por alimentos processados e o baixo custo de insumos beneficiando as exportações de carne in natura, a BRF deverá ficar exposta a um ambiente mais desafiador no primeiro trimestre”, dizem os analistas do Credit Suisse, Marcel Moraes e Antonio Gonzalez, em relatório. Segundo eles, a empresa será prejudicada pela alta dos preços dos insumos, já que, como sinalizado pela própria companhia, os estoques de grãos do período são com cotações recentes e mais caras, o que não deve permitir a repetição de uma margem nos níveis do quarto trimestre. Entretanto, em termos de receita, a BRF se beneficiará da base de comparação mais fraca (anual) em termos de exportação, além do repasse de preços em seus itens comercializados tanto no mercado externo quanto no interno. A BRF divulgará seus resultados do primeiro trimestre na próxima sexta-feira (13), após o fechamento do mercado. Marfrig - Para a Marfrig, os analistas de cinco bancos e corretoras consultados pela Agência Estado (Santander, Credit Suisse, Spinelli Corretora, Itaú Corretora e Bradesco Corretora) aguardam, em média, um lucro líquido de R$39,7 milhões no primeiro trimestre, com uma receita líquida de R$ 5,386 bilhões. O Ebitda, segundo projeções dos analistas, deverá ser de R$429,8 milhões, com uma margem Ebitda de 7,9%. Assim como a BRF, a base de comparação com o primeiro trimestre de 2010 não é aplicável para a Marfrig por padronização contábil. Além disso, os resultados da Keystone foram incorporados ao da companhia somente no quarto trimestre de 2010. Para efeito de comparação com o balanço do trimestre imediatamente anterior, o lucro líquido de janeiro a março esperado pelos analistas será 36,4% menor, o Ebitda 25% inferior, mas a receita líquida, 1,3% superior. A margem Ebitda projetada deverá ficar 2,9 pontos porcentuais menor do que a do quarto trimestre, de 10,8%. Na análise geral dos especialistas, os custos das matérias-primas (gado e grãos) deverão pesar negativamente sobre os resultados da companhia. O analista do Santander, Gabriel Lima, por exemplo, aguarda uma "queima de caixa" relevante no período. “O fluxo de caixa deve ser afetado pelas necessidades do capital de giro em um nível mais alto em comparação a seus pares, pois a Marfrig tem feito um grande esforço para expandir sua utilização de capacidade, agora em conjunto com o aumento atual nos custos de gado e de grãos”, explica o analista, em relatório. Sobre a receita, o analista da Spinelli Corretora, Max Bueno, acredita que o repasse dos custos nos preços finais dos produtos, bem como a melhora de mix e seleção de canais de distribuição, pode impulsionar crescimento de volumes e receitas do período. “A consolidação das operações da Keystone durante todo o primeiro trimestre (no quarto trimestre de 2010 foram incorporados apenas dois meses da operação) também deverá responder pelo aumento da receita”, declara Bueno. Com relação às sinergias com as operações da Seara e Keystone, os analistas do Credit Suisse, Marcel Moraes e Antonio Gonzalez, afirmam que a captura desses ganhos está mais lenta do que o esperado. "Por isso, acreditamos que este seja um impedimento de uma apresentação de resultados mais fortes no primeiro trimestre", afirmam os analistas. A Marfrig divulgará seu balanço na próxima segunda-feira (16), depois do fechamento do mercado. Fonte: Agência Estado. Por Suzana Inhesta. 10 de maio de 2010.
<< Notícia Anterior Próxima Notícia >>
Buscar

Newsletter diária

Receba nossos relatórios diários e gratuitos


Loja

Facebook