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Scot Consultoria

Argentina aumenta importação de carne uruguaia


Quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010 - 09h54

Diante da escassez de carne bovina para abastecer a demanda interna, a Argentina está aumentando a importação do produto, especialmente do Uruguai. Segundo números do Serviço Nacional de Sanidade Animal e Qualidade Agroalimentar (Senasa), a importação de carne fresca aumentou de 28 toneladas, em novembro, para 90 toneladas, em dezembro. Estimativas de consultores indicam que em janeiro a compra de carne uruguaia teria sido de 110 toneladas, enquanto nas duas primeiras semanas de fevereiro chegaria à metade desse volume. O Senasa afirma que, durante 2009, foram importadas 793 toneladas de carnes frescas ao custo de US$1,47 milhão. Para um país que possui um consumo per capita anual de 73 quilos, o volume importado é irrisório, mas evidencia a crise da pecuária na Argentina. Com base nas estimativas de janeiro, o consultor pecuarista Ignácio Iriarte projeta um aumento das importações argentinas de carne uruguaia durante 2010, chegando a 2.400 toneladas. O volume representa menos de 1% do consumo argentino. As províncias de Entre Ríos, Corrientes e Misiones compram 90% do “asado” (costela) uruguaio, conforme Iriarte. Das 580 mil toneladas de carne bovina que o Uruguai produz, 80% são para exportação. Contudo, com uma alta de preços que varia de 35% a 70%, desde o início do ano, a carne está sofrendo um boicote natural por parte dos argentinos. As associações de consumidores estão convocando a população a deixar de consumir carne bovina. O vice-presidente da Associação de Proprietários de Açougues, Alberto Williams, disse hoje que o consumo caiu 15% nos últimos 15 dias. Mas o vice-presidente da Câmara da Indústria e Comércio de Carnes da Argentina, Miguel Schiaretti, disse que o consumo de carne bovina no país terá uma queda de 25% neste ano. Williams explicou à AE que o governo está negociando um novo acordo de preços com os frigoríficos para baixar o preço da carne. O anúncio seria feito nesta sexta-feira pelo secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, que restringiu as exportações de carne desde 20 de dezembro. Durante a reunião semanal da sexta-feira passada que o secretário manteve com os representantes da indústria, Moreno avisou que as exportações continuarão restritas por mais três meses, até que a oferta doméstica seja normalizada. O novo acordo incluiria uma nova divisão de categorias dos cortes de carne, segundo a qualidade de cada um, e valores fixos. Segundo a imprensa local, os cortes serão divididos em segmentos de “consumo massivo”, “selecionado” e “Premium”. Conforme explicou ao jornal “La Nación” a representante da Câmara Empresarial de Desenvolvimento Argentino e Países do Sudeste Asiático, Yolanda Durán, “a carne de consumo massivo está destinada a satisfazer as necessidades dos consumidores de menor poder aquisitivo, enquanto a selecionada está orientada à classe média, e a Premium é para a classe A”. Schiaretti acredita que o acordo não vai funcionar “porque não há carne para manter o nível de consumo interno”. Em 2009, a indústria argentina abateu 17 milhões de cabeças, e as estimativas são de que em 2010 o abate será de 13 milhões a 14 milhões. Com esses números, Schiaretti diz que o consumo per capita vai cair dos 73 quilos para 60, neste ano, um volume ainda alto se for comparado com o consumo de 45 quilos nos EUA e de 38 quilos no Brasil. Tanto os industriais quanto os produtores afirmam que o plano de Moreno chega tarde porque a produção leva três anos para se recuperar. O recuo da produção de carne bovina ocorrerá nos principais países produtores, conforme projeções da Scot Consultoria, com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Em 2010, a Austrália e Argentina devem sofrer uma redução de sua produção da ordem de 1,2% e 12,5%, respectivamente. Nos EUA, a produção deve cair 1,6% e na Rússia, 1,2%. A exceção fica por conta do Brasil e Uruguai, onde a produção terá aumento de 4% e 6,9%, respectivamente. As exportações destes países também devem aumentar, segundo o USDA, 20,3% e 16,1%, respectivamente. Os embarques dos americanos devem ter alta de 6,6%. Fonte: Agência Estado. 18 de fevereiro de 2010.
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