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Scot Consultoria

Momento é de cautela no mercado de carnes


Quarta-feira, 5 de novembro de 2008 - 11h33

O produtor de carne bovina deve ter cautela antes de vender por preço baixo o boi no mercado nacional ou internacional. Segundo Gabriela Tonini, consultora de mercado da Scot Consultoria, eles não devem se deixar levar pelas especulações do mercado, oscilações do dólar e pela onda de importadores que querem derrubar o preço da carne brasileira. De janeiro a setembro deste ano, o volume de exportações de carne bovina caiu 12%, em relação ao mesmo período do ano passado, mas o faturamento aumentou 22% porque o preço do produto está em alta no mercado internacional. “O momento não é para compra ou venda. O melhor é esperar o setor se normalizar antes de qualquer negócio”, afirmou. Os primeiros efeitos da crise no setor da pecuária é o impasse entre Rússia e Brasil. O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo e manda o produto para 150 países. A Rússia é o principal comprador da carne bovina brasileira e deixou de adquirir do Brasil de 60 mil a 90 mil toneladas do produto, que estariam paradas nas fábricas e nos navios. Os russos costumam pagar 30% na compra e o restante quando a mercadoria chega ao país. Este dinheiro não está entrando no bolso dos produtores e os 30% pagos não são suficientes para manter a estocagem do produto. “Os russos alegam que estão com pouco crédito e querem que o Brasil baixe o preço da carne, e nós optamos por deixar a carne nos contêineres”, afirmou Gabriela. O diretor-executivo da Abiec (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Carne Bovina), Luiz Carlos de Oliveira, também afirmou que o cenário é de cautela para os produtores de carne bovina. “Temos que adaptar a situação do cenário presente. Precisamos trabalhar com o governo a regularização de créditos e não arriscar a introduzir nada na Rússia até a renegociação de contratos”, afirmou. Alternativas O diretor-executivo da Abiec (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Carne Bovina), Luiz Carlos de Oliveira , afirmou que a melhor atitude agora é continuar introduzindo o produto no Oriente Médio e Venezuela, tentar recuperar o mercado chileno e ampliar negócios com a Europa. Para a economista Rosalinda Chedian Pimentel, uma das alternativas para os exportadores de carne é o Brasil facilitar o crédito para o importador. “O produtor pode financiar a própria exportação e o governo brasileiro pode disponibilizar créditos para isto. O importador pagaria a carne e os juros”, afirmou. Mesmo com as incertezas da economia, a consultora Gabriela Tonini afirmou que o mercado bovino é considerado um bom investimento. “Apesar de proporcionar menor retorno em comparação a algumas atividades agrícolas e mesmo atividades de outro setor, seu risco é pequeno e a liquidez é grande”, afirmou. O mercado não sofre com mudanças climáticas que podem provocar quebras de safra como a soja. “Mesmo não vendendo o boi gordo para o abate, o pecuarista tem a opção de vender os animais a qualquer momento, caso alguma coisa aconteça”, disse. Preço não caiu no açougue As exportações da carne bovina caíram e conseqüentemente a oferta do produto no mercado interno aumentou, num período de entresafra, quando a oferta geralmente é menor. Por isto, mesmo com mais carne no mercado o consumidor ainda não sentiu o preço cair. “O consumidor final ainda não sentiu os efeitos de nada disso. A crise pode chegar até a carne e ao mesmo tempo não chegar. Por enquanto, o preço está estável. Também não vai faltar carne no mercado mesmo com a crise”, afirmou Gabriela. O mercado brasileiro consome 75% da produção nacional de carne bovina e cada brasileiro come em média 40 quilos de carne por ano. Fonte: A Cidade. Economia. 1 de novembro de 2008.
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