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Scot Consultoria

Em crise, Parmalat vende a Poços de Caldas


Terça-feira, 2 de setembro de 2008 - 10h08

Menos de cinco meses depois de comprar a Poços de Caldas da Danone, o fundo de investimentos Laep, controlador da Parmalat, anunciou a venda da empresa para a Laticínio Morrinhos. Controlada pelo GP Investimentos, a goiana Morrinhos pagou R$50,00 milhões pela marca e pela fábrica de requeijão, mesmo valor que havia sido pago pelo Laep em abril. A transação inclui o direito de uso da marca “Paulista” no Brasil, Bolívia e Paraguai, para comercialização e produção de requeijão, pelo prazo de 15 anos. O requeijão Paulista também havia sido comprado da Danone em abril. Com sede nas Bermudas, o fundo Laep abriu capital na Bovespa em outubro do ano passado, mas os papéis (BDRs) nunca decolaram. Só este ano, os BDRs acumulam uma desvalorização de 87,68%. Há cerca de 15 dias, ao anunciar mais um prejuízo trimestral - de R$73,3 milhões no segundo trimestre - o controlador do Laep, Marcus Elias, declarou que iria adotar uma série de medidas para estancar as perdas. Além da venda de ativos, estão previstos demissões e fechamento de fábricas. A empresa espera obter, com a reestruturação, uma economia de R$15,8 milhões já no segundo semestre. O Laep também desagradou investidores ao não cumprir com o prospecto de sua oferta inicial (IPO) na Bovespa. Pelo prospecto, o fundo deveria destinar R$286,00 milhões, pouco mais da metade dos R$477,00 milhões levantados no IPO, para a Integralat, subsidiária responsável pela produção de leite. No entanto, apenas R$80,00 milhões foi para a Integralat, e o restante para aquisições. Nesse cenário, alguns investidores, como o fundo Gavião, estão deixando o negócio. Sexta maior empresa de laticínios do País, a Morrinhos foi adquirida pelo GP em abril, por R$308,00 milhões. A empresa, que comercializa a marca Leitbom, possui sete unidades industriais - cinco em Goiás, uma no Pará e outra em Tocantins. Essa é a primeira aquisição feita pela Morrinhos sob a gestão do GP. Muita Oferta Depois de anos operando na lanterna do agronegócio, o mercado de leite começou a atrair a atenção dos investidores no ano passado. O preço pago ao produtor chegou a R$0,71 o litro em 2007 - contra uma média anual de R$0,56 no ano anterior - e as perspectivas para o Brasil se transformar em um exportador de leite eram boas. “Foi uma fase que chamou muito a atenção de investidores”, diz a consultora Cristiane Turco, da Scot Consultoria. “Mas agora estamos entrando em uma fase de queda nos preços”. A explicação está no excesso de oferta. “Foi um ano de muitos investimentos e a indústria está bastante estocada”, afirma. “A produção aumentou, mas o consumo não reagiu”. Além disso, diz a consultora, as exportações não decolaram. “O Brasil exporta menos de 5% da produção. E os preços no mercado internacional recuaram”. Internamente, o preço pago ao produtor nos oito primeiros meses do ano (R$0,737) está acima do fechamento do ano passado. Mas nos últimos dois meses o preço começou a cair. Houve recuo de 5,4% em agosto e de 2% em julho. Fonte: O Estado de São Paulo. Economia. Por Mariana Barbosa. 2 de setembro de 2008.
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