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Scot Consultoria

Atrás de boi, Bertin compra um frigorífico em Rondônia


Sexta-feira, 8 de agosto de 2008 - 10h30

Em tempos de boi caro, frigoríficos brasileiros de carne bovina reforçam a estratégia de ir onde está a matéria-prima. Depois do Independência, que anunciou na quarta-feira o arrendamento com opção de compra de unidade de abate de bovinos em Colíder (MT), a Bertin S/A confirmou na quinta-feira que assinou carta de intenção para a aquisição do frigorífico da Cooperocarne (Cooperativa Rondoniense de Carne Ltda.), em Pimenta Bueno (RO). A empresa informou ao Valor que o fechamento do negócio - no valor de R$55 milhões - está condicionado à aprovação pelos cooperados da Cooperocarne e à realização de “due diligence”. A unidade tem capacidade de abate de 600 animais por dia, segundo a Bertin. Conforme apurou o Valor, a planta, construída por um grupo de pecuaristas do Estado, começou a operar há cerca de um ano. Eles teriam investido cerca de R$30 milhões na construção, segundo fontes do setor. A Bertin destaca que a localização da unidade é “estratégica”, já que Rondônia tem um rebanho de aproximadamente 11 milhões de bovinos e status de área livre de febre aftosa com vacinação. A fábrica de Pimenta Bueno é habilitada para exportar carne bovina para países da chamada lista geral, que inclui os do Oriente Médio, por exemplo. A empresa ainda não tinha unidade em Rondônia - as 12 plantas de abate existentes hoje estão localizadas em São Paulo, Goiás, Bahia, Pará, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, além de Paraguai e Uruguai. Com a nova planta, a capacidade de abate da Bertin no Brasil alcançará 13.200 cabeças por dia. Com as duas plantas no exterior, chegará a 15 mil cabeças diárias. A operação que está sendo realizada pela Bertin - assim como a do Independência - chama a atenção porque ocorre num momento em que o setor trabalha com capacidade ociosa, em decorrência da escassez de animais para abate. A oferta escasseou por causa do ajuste na pecuária de corte, e o resultado foi a elevação dos preços do gado bovino em todo o país. Mas nas regiões com maior oferta de animais os preços são menores que naquelas onde a pecuária deu lugar a outras culturas, como São Paulo. Segundo levantamento da Scot Consultoria, a arroba do boi gordo no mercado paulista estava em R$92,00, na quinta-feira. Já em Rondônia, a arroba estava cotada em R$82,00. Apesar de os frigoríficos literalmente correrem atrás do boi no Brasil, analistas observam que nem sempre estar numa região onde o animal é mais barato significa ganho de eficiência, já que há os custos com frete para levar o produto final até as regiões de consumo e aos portos para exportação. Fazer aquisições, como a Bertin e o Independência, num momento em que há capacidade ociosa de abate de bovinos no mercado também é uma forma de ganhar faturamento e assim se tornar mais atraente para os investidores numa futura abertura de capital, disse um observador do setor. Tanto Bertin quanto o Independência já disseram que se preparam para colocar ações no mercado. Em nota, a Bertin disse que “a compra do frigorífico está alinhada com a estratégia de crescimento sustentável da empresa no segmento de alimentos a partir de proteína animal”. Fonte: Valor Econômico. Agronegócios. Por Alda do Amaral Rocha. 8 de agosto de 2008.
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