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Scot Consultoria

Brasil perde aumento de cotas em carnes e etanol na OMC


Quarta-feira, 30 de julho de 2008 - 14h47

O fracasso das negociações da Rodada de Doha, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra (Suíça), novamente prejudicou avanços para os exportadores do agronegócio brasileiro. Entre os segmentos que foram alvo de propostas consideradas interessantes no que diz respeito à ampliação de comércio, mesmo que tímidas em um primeiro momento segundo representantes dos setores envolvidos, estão os segmentos de carnes (bovina, suína e de frango) e o etanol. No caso das carnes, a União Européia havia proposto ampliar os volumes anuais exportados pelo Brasil com tarifas reduzidas: 200 mil toneladas para carne suína, 300 mil toneladas para frangos e outras 300 mil toneladas para a carne bovina, segundo Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs (representante dos exportadores de suínos), que esteve em Genebra. Camargo Neto também foi secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e idealizador dos contenciosos na OMC contra os EUA (subsídios ao algodão) e contra a União Européia (subsídios ao açúcar). “As tarifas ainda estavam em negociação, queríamos zero, mas isso não chegou a ser definido”, disse o presidente da Abipecs. “É um atraso o fracasso das negociações, mas não é o fim do mundo. Essa rodada já fracassou outras vezes”, avaliou, ainda. Especificamente para o setor de suínos, a cota atual de exportação com tarifa reduzida é de 40 mil toneladas. Apesar da ampliação oferecida pela UE, o setor não ficou satisfeito. Segundo o presidente da Abipecs, o volume oferecido na proposta equivale a apenas 1% do consumo do bloco. “Falava-se inicialmente que proporiam ampliação da cota equivalente a 4% do mercado consumidor europeu. O volume de 200 mil toneladas é baixo”, considera Camargo Neto. No caso da carne bovina, segundo opina o consultor Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria, o que foi proposto é interessante. “O volume de 300 mil toneladas é significativo considerando que se trata de apenas um mercado e que paga bem. Equivale a 15% do que o Brasil pretende exportar em carne bovina neste ano”, diz. Segundo a Scot, a estimativa é de que o setor exporte 2 milhões de toneladas no total. Tito Rosa lembra que a Europa é um mercado difícil para negociar e que as tarifas de importação no caso da carne bovina são altas. O importador paga 12,8% mais 3.041 euros por tonelada. Por isso, o Brasil comercializa apenas as carnes nobres, cujo valor é mais alto. “Qualquer avanço nesse mercado é algo que não se pode dispensar, pela dificuldade de negociações, tarifas altas e pelo protecionismo. É claro que é a visão setorial, sem considerar o que a Europa pediu em troca por ceder essa cota para carnes”, finaliza Tito Rosa. As discussões sobre os subsídios dados pelos Estados Unidos aos produtores de algodão é outro capítulo que ficou sem solução. Segundo Camargo Neto, os norte-americanos tratariam da questão somente durante a Rodada Doha e havia expectativa brasileira de que esse tema avançasse. Etanol O etanol também havia sido incluso nas propostas feitas pelos negociadores europeus - o que pegou o governo, representantes do setor e analistas de mercado brasileiros de surpresa. A UE havia oferecido baixar tarifas aplicadas sobre 1,75 bilhão de litros exportados a cada ano. Analistas disseram ao DCI, na semana passada, que até então o bloco europeu nunca havia sinalizado que discutiria as tarifas do etanol. O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, disse, em nota ontem, que a entidade entende que perdeu-se a possibilidade de integrar um pouco mais o etanol no sistema mundial de comércio. “A Unica lamenta a chance perdida de integrar, ao menos parcialmente, o etanol no sistema mundial de comércio”, afirmou Jank, em nota. Segundo a Unica, antes do início das negociações em Genebra, o setor sucroalcooleiro brasileiro já visualizava um acesso muito limitado para o açúcar. Esperava-se progresso envolvendo o etanol. Mesmo considerando-se as sensibilidades que existem tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, o que se desejava era o surgimento de mecanismos que ampliassem o acesso do produto. Com o fracasso das negociações na OMC, a entidade vai perseguir outras alternativas de combate aos subsídios. Jank observou, ainda, que a Rodada de Doha já dura sete anos e dificilmente será concluída antes de completar oito. Para ele, é impossível retomá-la antes das eleições presidenciais norte-americanas. Fonte: DCI. Agronegócios. Por Érica Polo. 30 de julho de 2008.
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