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Scot Consultoria

Frigoríficos miram fidelização para garantir abate


Quinta-feira, 19 de junho de 2008 - 17h10

A enorme capacidade ociosa e a reduzida oferta de bois no mercado estão levando os frigoríficos a apostar mais fortemente na estratégia de fidelização junto aos produtores para garantir quantidade de matéria-prima com qualidade suficiente. Tanto o Independência S.A. quanto o Grupo Marfrig apresentaram programas de fidelização aos pecuaristas presentes na Feicorte 2008, que acontece até sábado na capital paulista. "É um caminho a seguir, esse de intensificar cada vez mais a proximidade com o fornecedor", afirmou ontem Miguel Russo, vice-presidente do frigorífico Independência, presente à Feicorte. A feira termina no sábado. "O maior problema da indústria hoje nem é o preço da arroba mas a ociosidade. O grande desafio é o suprimento de matéria-prima em quantidade e com qualidade.” • Os frigoríficos detêm capacidade de abate de cerca de 70 milhões de cabeças/ano, segundo Juan Lebrón, da Assocon (entidade que reúne confinadores) e a oferta no Brasil é de 45 milhões de cabeças/ano. Quanto ao preço, a arroba chegou a US$59,00 nesta semana, segundo a Scot Consultoria. O Independência lançou no mês passado o programa Pecuária 360º. Se trata, segundo o executivo da companhia, de um projeto que visa a integração da cadeia produtiva. "A falta de informação é uma das grandes queixas da cadeia", diz Russo. Em linhas gerais, os fornecedores do Independência terão retorno sobre o perfil de gado necessário para atender às exigências do tipo de carne que o mercado quer - e que a indústria precisa fornecer. Os pecuaristas que participarem do Pecuária 360º receberão prêmio de 1% sobre o valor da arroba. Na hora da venda do gado os técnicos do SAP do frigorífico (Serviço de Atendimento ao Pecuarista), com o romaneio do boi em mãos, fornecerão orientações sobre como melhorar certas características durante a produção, se houver essa necessidade. Com o programa, ocorre uma espécie de encomenda das características da matéria-prima desde o ventre da fêmea. Para isso, o 360º conta com parceiros como a Alta Genetics e a Companhia Nacional de Nutrição Animal (Connan). O maior prêmio pago é de 3% sobre o valor da arroba no caso dos machos. Para as fêmeas, pode chegar até a 6%. O Independência comunicou ontem a compra do Frigorífico Guarani S.A., no Paraguai, por US$14 milhões, a primeira aquisição da companhia fora do Brasil. A unidade de abate e desossa de bovinos se localiza em Assunção, com capacidade para abate de 500 cabeças por dia. Confinamento O Grupo Marfrig também está ampliando atuação em programas de fidelização. Nesta semana, durante a feira, está sendo lançado o Programa Marfrig Confinamento. Após firmar contrato, o pecuarista envia os bois magros para o confinamento do frigorífico. "A responsabilidade de engorda é do Marfrig. O objetivo dos programas é principalmente o melhoramento da qualidade da carne", diz Roberto Barcellos, gerente de Projetos Especiais do Marfrig. Os interessados, após firmar contrato com o frigorífico, terão a responsabilidade de enviar o gado até as fazendas da companhia, localizadas no Mato Grosso ou interior de São Paulo. O fornecedor pode optar por receber no dia do abate (preço baseado no índice Esalq) ou via contrato a termo firmado até 30 dias antes do abate. O Marfrig também está apostando em mais dois programas, o Marfrig Fomento e ampliou o Carne Angus Certificada Marfrig. Ambos são direcionados para produtores da raça Angus. No primeiro, o frigorífico financia operações de inseminação artificial e garante a compra da produção. O pecuarista poderá vender o animal em três estágios: como bezerro desmamado, novilhos (até 15 meses) ou já adultos no âmbito do Programa Carne Angus. Se a opção for comercializar o bezerro e os novilhos, o fornecedor receberá preço de mercado. Se a escolha for a venda do boi gordo, a venda se encaixará nos critérios do Programa Carne Angus. As bonificações chegam a 5% sobre a arroba no caso dos machos e a até 10% para as fêmeas. O Carne Angus foi ampliado e agora são aceitos animais inteiros (antes só castrados) e foi reduzido o peso mínimo aceito das fêmeas, para a partir dos 195 quilos. Fonte: Diário do Comércio & Indústria. Agronegócios. Por Érica Pólo. 19 de junho de 2008.
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