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Scot Consultoria

Custo afeta o lucro dos frigoríficos nacionais


Segunda-feira, 19 de maio de 2008 - 08h37

O balanço dos frigoríficos brasileiros mostrou a realidade de dois mercados: o interno, com custos altos e restrições às exportações para a União Européia e o argentino, com veto às vendas externas. Das três empresas do setor que divulgaram balanço na última semana, duas tiveram prejuízo. "Um resultado negativo era esperado", avalia o diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz. Segundo ele, no geral, as margens tendem a ser mais baixas diante dos custos elevados - o preço do boi gordo está na casa dos R$80 a arroba. Opinião semelhante tem Fabiano Tito Rosa, analista da Scot Consultoria, ressaltando que as empresas estão com uma pressão de custo e ociosidade elevada - média de 50%. O Minerva tem a maior ocupação: 77%. Fábio Silveira, sócio da RC Consultores, lembra que apesar de a cotação do boi gordo estar mais elevada, o repasse para o mercado interno - principal destino da produção - não foi proporcional. Os analistas destacam que há diferenças também, nas estratégias das empresas: o Minerva não se internacionalizou, enquanto o JBS e o Marfrig têm plantas no exterior e, neste caso, um dos países vive problemas: a Argentina. Desde 2007, para conter a inflação, o governo argentino faz suspensões periódicas das exportações, inclusive de carne. Aliado a isso, neste ano, os produtores têm realizado paralisações e bloqueado rodovias. Hoje, as duas situações ocorrem. Diante deste quadro, o grupo JBS ameaça paralisar, a partir de hoje, a unidade de industrializados e, com isso, demitir 1,5 mil funcionários. Já o Marfrig, segundo a assessoria de imprensa, não cogita demissões. A empresa informa que, por conta dos problemas naquele país, o cronograma de exportações está atrasado e houve redução de 25% a 30% na vendas. Rosa lembra que, diferentemente do JBS, o Marfrig pode compensar um resultado ruim de um país com outro - o JBS adquiriu uma empresa deficitária e teria mais dificuldades e manter os "dois problemas". Ferraz acrescenta que o Marfrig pode ser afetado e que as empresas terão de se adequar à realidade daquele país, cortando custos. "Esta história a gente já viu aqui. Eles vão correr atrás do boi no pasto, pois isso acaba provocando uma retração da oferta", diz Silveira. As ações do JBS e do Marfrig encerraram o pregão de sexta-feira em alta: avaliadas em R$7,89 (+ 4,5%) e R$19,68 (+ 2,76), respectivamente, enquanto as do Minerva fecharam em queda de 6,99%, a R$ 10,51. Fonte: Gazeta Mercantil. Agronegócio. Por Neila Baldi. 19 de maio de 2008.
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