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Scot Consultoria

Lista de 150 fazendas é parte de estratégia do governo


Quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008 - 09h56

Enquanto analistas de mercado acreditam que a redução da lista de fazendas aptas a exportar para a União Européia pode ser uma estratégia do governo, representantes do setor produtivo ficam em "compasso de espera". Ações na Justiça ou pedidos de contenciosos na Organização Mundial do Comércio (OMC) só devem ocorrer depois do relatório dos europeus, a ser finalizado a partir do dia 14 de março. Os europeus haviam pedido uma lista de 300 fazendas e o Brasil, apresentado 2.681 propriedades. Na sexta-feira, dia 22, o governo encaminhou nova documentação, com apenas 150. Ontem, dois técnicos europeus estiveram reunidos em Brasília com técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para a seleção das fazendas a serem vistoriadas. A partir de amanhã, eles seguem para os seis Estados habilitados - Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo. Na próxima semana, chegam mais sete técnicos. A previsão é que até 14 de março eles vistoriem cerca de 30 propriedades. "A lista foi atualizada mediante critérios técnicos", explicou o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz. Segundo ele, os europeus é que vão escolher onde ir. Paulo Molinari, da Safras & Mercado, acredita que reduzir a lista para 150 propriedades foi uma estratégia do governo. "No momento em que o Brasil restringe, o problema vai ser do importador", avalia Molinari. O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, diz desconhecer "esse tipo de estratégia". A instituição, que contratou um escritório de advocacia para estudar o caso, agora aguarda o fim da vistoria dos europeus para tomar uma atitude. "Vamos ver como está e como fica para ver que rumo tomar", afirma. O deputado Ronaldo Caiado havia dito, na semana passada, que o setor acionaria a Justiça se houvesse a imposição de uma lista. Ontem, em entrevista em Brasília, o ministro Reinhold Stephanes disse que algumas pessoas irresponsáveis estão colocando em debate o número das fazendas. Futuro incerto Para o diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz, agora é preciso esperar os europeus vistoriarem para se fazer uma avaliação do embargo. "Já aceitamos a imposição deles, o que não era correto", acredita. Para Alcides Torres, diretor da Scot Consultoria , a diminuição da lista é prova de que há falhas no sistema. "É o que eles (governo) têm a apresentar, mais nada", diz. Ele acredita que o governo diminuiu porque só serão vistoriadas 30. "Apresentaram um universo menor para os europeus escolherem. Provavelmente os europeus vão investir neste padrão", avalia. Rússia Na última segunda, após se encontrar com o chefe do Serviço Federal Veterinário e Fitossanitário da Rússia, Sergey Dankvert, Stephanes afirmou também que a "Rússia, sozinha, já está importando quase o mesmo valor da União Européia". Individualmente, o país é o maior importador de carne bovina no Brasil. Hoje, técnicos do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária da Rússia terminam a inspeção feita em 40 estabelecimentos que passarão a fazer parte dos locais habilitados para a exportação de carne. O ministro acredita que existe um interesse crescente por parte da Rússia em comprar a carne brasileira, destacando que a quantidade vendida de todos os tipos de carne, em 2007, ultrapassou 950 mil toneladas. Fonte: Gazeta Mercantil. Por Neila Baldi. 26 de fevereiro de 2008.
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