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Scot Consultoria

Rússia suspende importação de carne de boi criado em MT


Quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 - 10h08

A Rússia suspendeu temporariamente as importações de carne in natura de bois criados no Mato Grosso, devido à ocorrência de estomatite vesicular no Estado, informaram nesta terça-feira a Abiec, associação que representa os exportadores, e o Ministério da Agricultura. A restrição, prevista em acordo sanitário entre o Brasil e a Rússia, não deverá prejudicar as exportações para os russos daqueles frigoríficos instalados em Mato Grosso, uma vez que as empresas poderão abater bois trazidos de outros Estados. Além disso, os principais frigoríficos do país possuem unidades espalhadas em vários Estados brasileiros e poderão redirecionar as vendas para a Rússia a partir dessas unidades liberadas, segundo fontes do setor privado."Não deve ter impacto", disse um assessor da Abiec. Em 2007, a Rússia foi o principal destino da carne bovina do Brasil. Os russos importaram 672,5 mil toneladas (equivalente carcaça), de um total de 2,53 milhões de toneladas exportadas pelas empresas brasileiras, segundo a Abiec. O Mato Grosso, por sua vez, detém um dos maiores rebanhos bovino do Brasil. Segundo o grupo JBS, maior produtor e exportador de carne bovina do mundo, o Ministério da Agricultura brasileiro, atendendo às normas internacionais, comunicou à OIE (Organização Internacional de Saúde Animal) que foi detectado um caso de estomatite vesicular em um animal criado no município de Cáceres (MT). Porém, acrescentou o JBS, a estratégia da empresa de ter suas fábricas instaladas em diversos Estados é "adequada para que sua produção e vendas não sofram interrupções, podendo caso seja necessário reordenar para outras fábricas da JBS a exportação para Rússia", de acordo com nota enviada ao mercado. Outro importante frigorífico brasileiro, o Marfrig, também informou que a "exportação para a Rússia a partir do Brasil será plenamente atendida através de suas unidades localizadas em outros Estados". O Marfrig disse ainda que a "exportação a partir de Mato Grosso prosseguirá normalmente para outros destinos". Também em nota ao mercado, o Minerva informou que "não será impactado de maneira alguma por tal decisão pelo fato de não possuir nenhuma planta em operação no Mato Grosso." A companhia, que afirma ser uma das pioneiras no mercado russo, "reiterou que tem plenas condições de atender à forte demanda por carne bovina in natura daquele país". A decisão da Rússia, restrita ao boi de Mato Grosso, vem meses depois de o país ter cancelado um embargo parcial à carne bovina de vários Estados brasileiros, decorrente de focos de febre aftosa registrados no Mato Grosso do Sul no fim de 2005. Uma missão russa virá ao Brasil na próxima semana para avaliar a produção de carne e leite, quando o assunto deverá ser tratado pelas autoridades. A visita estava marcada antes do anúncio do caso de estomatite. Recentemente, uma outra questão de fundo sanitário atingiu as exportações de carne bovina do Brasil. A União Européia, o segundo destino em volumes da carne brasileira, identificou problemas na rastreabilidade do rebanho do país e suspendeu as compras de carne in natura. PREÇOS DO BOI "Estomatite não é motivo para embargo, estão inventando mais isso para derrubar preço. O Mato Grosso já perdeu um mercado de preço, que é a União Européia, e agora está perdendo um mercado de volume, que é a Rússia...", afirmou o analista Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria. Entretanto, segundo ele, em função de uma conjuntura de baixa oferta de bois-o país atravessa atualmente um ciclo de redução de animais após um longo período de abate de matrizes, os preços da arroba do boi não devem ser impactados de maneira significativa. Desde o anúncio das restrições da UE, os preços da arroba em São Paulo caíram 2 reais, para 73 reais, contra 55 reais no mesmo período do ano passado, quando a oferta de animais não estava tão baixa como agora. "O que manda é a oferta, essas coisas (restrições internacionais) interferem nos preços, mas o que manda mesmo é oferta", disse Tito Rosa, observando que os pecuaristas provavelmente continuarão não aceitando propostas de compras dos frigoríficos a preços mais baixos. Fonte: Reuters. Por Roberto Samora. 12 de fevereiro de 2008.
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