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Scot Consultoria

Empresas ameaçam deixar de exportar carne bovina à UE


Sexta-feira, 21 de dezembro de 2007 - 08h05

Setor cogita interromper venda se bloco insistir em limitar em 300 o número de fazendas fornecedoras de gado para abate. Missão de veterinários da Europa deve vir ao Brasil no final do primeiro trimestre para verificar cumprimento das exigências sanitárias. A decisão da União Européia de restringir as importações de carne bovina brasileira pode iniciar uma intensa queda-de-braço entre europeus e a cadeia produtiva brasileira. O documento oficial da UE em nenhum momento estipula o número de fornecedores de gado para abate, mas, em comunicado ao Ministério da Agricultura brasileiro, os europeus teriam sugerido uma limitação a apenas 300 propriedades, vistoriadas e certificadas pela inspeção oficial. O novo Sisbov (Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos) conta com aproximadamente 10 mil fazendas. Se as 300 propriedades forem realmente o número definitivo da União Européia, a cadeia brasileira de carne resolveu, ontem, que os europeus serão eliminados do quadro de exportação do Brasil. Essa carne irá para os mercados que o país vem conquistando recentemente. Na avaliação do setor, essa interrupção de exportações para a União Européia se faria necessária por dois motivos. O Ministério da Agricultura deverá apresentar a lista de todas as fazendas aptas à exportação, que é bem maior do que esse número. Segundo, seria difícil juridicamente definir quais seriam os escolhidos. Antenor Nogueira, presidente do Fórum Nacional da Pecuária de Corte da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), defende que o país adote mais firmeza na negociação. "Se o Brasil tem problema com a rastreabilidade do rebanho, a Europa também tem", diz, em relação a uma das principais queixas da UE. Primeiro trimestre Com esse tom, o primeiro trimestre ensaia ser um período decisivo. Para a virada de março para abril, está prevista nova vinda de missão técnica da UE ao Brasil, para uma checagem do ajuste do país às exigências sanitárias, incluindo a rastreabilidade. "Apenas nessa época a situação estará clara", diz Mario Friuli, diretor de commodities da Link Corretora. Num primeiro momento, Paulo Mustefaga, assessor técnico da CNA, reconhece como "plausível" a previsão de recuo nos embarques para os europeus em 2008. "O "puxão" de orelha da UE no Brasil não é definitivo, mas é preciso entender o consumidor, que deseja que o Brasil audite a produção pecuária de forma transparente", afirma Cesário Ramalho, presidente da Sociedade Rural Brasileira. "A União Européia vai ter de pular miúdo para se abastecer", diz Alcides Torres, diretor da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP). "O europeu não tem alternativa de suprimento", afirma Sérgio de Zen, coordenador do setor de produção animal do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da USP. Para uma importação total anual da UE estimada de 600 mil a 700 mil toneladas de carne bovina, o Brasil, apenas de janeiro a novembro deste ano, embarcou 515 mil toneladas (para o bloco), segundo informação da Abiec, a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne. Fonte: Folha de São Paulo. Dinheiro. Por Mauro Zafalon e Gitânio Fortes. 21 de dezembro de 2007.
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