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Scot Consultoria

Consumo interno do leite deve subir 7% até dezembro


Quinta-feira, 2 de setembro de 2010 - 17h03

O consumo interno de leite deve crescer, no segundo semestre deste ano, cerca de 7% em relação ao primeiro semestre. De acordo com Rodrigo Padovani, analista de agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), os brasileiros consumiram menos durante os primeiros seis meses do ano, e o País não conseguiu recuperar mercados para a exportação, depois da crise do ano passado. A Faemg estima, ainda, que o preço pago ao produtor seja baixo neste mês, mas que deve melhorar em outubro. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informou que, mesmo com o clima seco em grande parte do Brasil em julho, a produção de leite aumentou e os preços recebidos por produtores em agosto voltaram a cair. De maio para cá, a queda acumulada é de 13,35%. Padovani afirmou que em 2010 o Brasil apresenta um alto estoque de leite. "A produção subiu, o consumo interno caiu e quase não há exportação. É difícil prever se esse consumo [de 7%] irá aliviar o excedente de leite", disse. O analista ainda lembra que, em 2009, "com a crise mundial, os outros países não compraram leite do Brasil. Houve um excedente do produto e, passada a recessão, o País não conseguiu embarcar no período de pós-crise". De acordo com o estudo do Cepea, de julho, o Índice de Captação de Leite do Cepea (Icap-Leite) registrou subiu de 5,44% frente a junho. No acumulado do ano, houve aumento de 5,2% na captação de leite, ante igual período em 2009. O índice de julho também representou aumento de 10,2% em relação a julho de 2009. Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil, contou que, de fato, houve aumento na produção do leite, entre janeiro e julho. Porém, o executivo alerta que se não houver uma reorganização na cadeia do leite, a produção de 2010 poderá cair. "Sem a organização na cadeia, veremos um reprise de 2009", falou. Rubez comentou que, quando os supermercados perdem vendas, o preço pago ao produtor tende ser negociado para baixo. "Ou seja, os supermercados mantêm a margem de venda, mas tentam pressionar para comprar mais barato dos produtores. A alternativa é pedir ajuda ao governo, pedir reorganização na cadeia do leite", disse. Gustavo Beduschi, integrante da Câmara Temática de Leite da Organização das Cooperativas Brasileiras e Confederação Brasileira das Cooperativas de Laticínios (OCB/OCBL), disse que no curto prazo, no pagamento de 15 de setembro, pode ser que haja mais queda no pagamento. "É difícil precisar", diz. E completou: "Em longo prazo, questões como o clima, em um período de 60 a 90 dias, podem fazer com que a queda na produção seja maior. Para isso, temos que esperar a magnitude da La Niña". Pesquisadores do Cepea acreditam que o clima continuará sendo o principal fator de definição do mercado nos próximos meses. A estiagem em regiões produtoras tende a limitar a oferta de leite. Se o fenômeno La Niña se confirmar, o período seco pode durar até o fim de outubro no sudeste e centro-oeste, o que pode atrasar a safra nessas regiões. "O centro-oeste, o sudeste e o sul já apresentam capim amarelo, por falta de chuva. O clima, que reflete no capim, é quem vai determinar o mercado nos próximos meses", afirma Rafael Ribeiro de Lima Filho, analista da Scot Consultoria. Preço ao produtor De acordo com levantamento da Scot Consultoria, em Minas Gerais, o leite ao produtor caiu, em média, 6% desde o pagamento de maio. Ainda consta no balanço, o valor médio pago em agosto, pelo leite entregue em julho, de R$ 0,726 o litro, foi 7% menor em relação ao mesmo período do ano passado. Neste mês, segundo o Cepea, o preço médio nacional pago ao agricultor (referente à produção entregue em julho) recuou 4,5% (3,2 centavos por litro) frente a julho e ficou em R$ 0,6918 o litro. A média vale para os estados de Rio Grande do Sul (RS); Paraná (PR); Santa Catarina (SC); São Paulo (SP); Minas Gerais (MG); Goiás (GO) e Bahia (BA). No último mês, a queda foi de 6,2%. Se comparada a média atual à de agosto do ano passado (em termos nominais), a perda é de 10,7%. Fonte: DCI. Por Diego Costa, 2 de setembro de 2010.
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