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Scot Consultoria

Safra e concentração derrubam boi


Segunda-feira, 30 de novembro de 2009 - 09h58

Chuvas que anteciparam a safra de gado bovino nas regiões de produção e a concentração cada vez maior dos frigoríficos no país pressionam as cotações do boi gordo. Na sexta-feira, em São Paulo (praça de referência para outras regiões), a arroba do animal saía por R$75,00 (a prazo, para descontar o Funrural), depois de ter iniciado o mês de novembro a R$77,00 e o ano a R$87,00 , segundo a Scot Consultoria. Fabiano Tito Rosa, da Scot, afirma que a chuva dos últimos meses antecipou em cerca de 40 dias a safra, o que elevou a oferta. “Praticamente não tivemos entressafra, a oferta foi regular”, comenta o analista. Com as chuvas antecipadas, o pasto foi beneficiado e os animais ficaram “prontos” mais cedo. José Vicente Ferraz, do Instituto AgraFNP, avalia que o efeito da entrada antecipada de animais de pasto não é suficiente para pressionar tanto o preço da arroba. Nem a oferta de gado de confinamento, que neste é menor. Para ele, acima de tudo, o que derruba as cotações é a forte concentração dos frigoríficos. Além de empresas terem deixado de operar por dificuldades financeiras, como Independência, Quatro Marcos, Margen e Arantes Alimentos, em setembro a JBS incorporou a Bertin e o Marfrig arrendou unidades do Margen e do Mercosul. “A concentração já está mostrando suas garras”, afirma Ferraz. Ele diz que os frigoríficos enfrentam demanda mais fraca para exportação e pressionam para pagar menos pela arroba. Luciano Vacari, superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), também avalia que a concentração das compras de animais nas mãos de poucas empresas é a principal razão para o retração dos preços da arroba do boi. De acordo com ele, em Mato Grosso, atualmente 32% da capacidade instalada de abate estão paralisadas por conta dos problemas enfrentados pelos frigoríficos. No Estado, a capacidade diária é de 26 mil cabeças. Em Mato Grosso, a arroba variava entre R$68,00 e R$70,00 na sexta-feira. Na avaliação da área de análise de commodities da XP Investimentos, a disponibilidade de bois tende a aumentar nos próximos meses. O cenário internacional também não é favorável aos pecuaristas, já que a queda na exportação resultou em maior oferta de carne no mercado interno. “Esse excedente foi absorvido, mas dificulta reajustes nos preços”, diz relatório da XP. Fonte: Valor Econômico. Agronegócios. Por Alda do Amaral Rocha. 30 de novembro de 2009.
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