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Scot Consultoria

Itambé ameaça a Perdigão e rivalizará com a Nestlé no leite


Sexta-feira, 15 de janeiro de 2010 - 08h48

A Perdigão pode perder a segunda posição no ranking do leite do Brasil, hoje liderado pela Nestlé. Isso porque, em março, a Itambé deve concluir o projeto de união das operações com a goiana Centroleite; com a Confepar, do Paraná; e com as mineiras Cemil e Minas Leite, e se tornar a vice-líder do setor. A previsão é de Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista e analista da Scot Consultoria. De acordo com a última estatística da Leite Brasil, de 2008, a Itambé ocupa o terceiro lugar na lista do setor lácteo nacional, com produção de 1,24 bilhão de litros por ano. A Perdigão ocupa a segunda posição, com de 1,67 bilhão de litros por ano. Em primeiro lugar está a Nestlé/DPA, com 1,9 bilhão de litros por ano. A Leite Brasil informou que o levantamento de 2009 deve ser finalizado em dois meses. Para Lima Filho, a integração, além de transformar a Itambé em uma das maiores empresas de laticínios da América Latina, aumenta a participação do leite brasileiro no mercado internacional. “Esse tipo de fusão aumenta o poder de barganha no mercado externo”, afirma o analista. Com a união, segundo Jacques Gontijo, presidente da Itambé, a empresa passa a operar com 40 mil produtores, captando 7 milhões de litros por dia. O faturamento estimado da Itambé é de R$ 4 bilhões por ano. Lima Filho acredita ainda que o setor percebeu que precisa se organizar e aumentar o leque de clientes também para o Oriente e Ásia. “A crise financeira do ano passado atingiu, além da Argentina, a Venezuela - nosso principal importador - e diminuiu sua participação nas compras. Isso fez com que o setor procurasse esse tipo de parceria. O que é uma tendência mundial.” Ele considera o mercado internacional um desafio para o Brasil. Em 2009, de acordo com dados da Scot, o faturamento com a exportação foi de US$138,4 milhões, ante US$509,1 milhões do ano anterior. “Desde 2003, o setor não registra saldo tão baixo”, afirma o analista. O levantamento da balança comercial brasileira de lácteos, da Scot, mostra também que, no ano passado, o Brasil importou US$246,4 milhões. Dados fornecidos pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que a participação da Venezuela nas vendas brasileiras de leite passou de 52,4% em 2008, para 19% no ano passado. “A Venezuela ainda foi o principal destino das exportações no ano passado, mas o envio para lá diminuiu em 83,5%”, afirma Aline Ferro, do Cepea. Para Ferro, além da fusão entre a Itambé e as outras quatro cooperativas abrir portas para a exportação, provoca aumento na qualidade da produção de leite. “Grandes empresas pagam por qualidade e a profissionalização do setor também ajuda.” Por outro lado, a fusão das cooperativas, segundo o analista da Scot, não é interessante para o produtor no que se refere a preço. “A falta de concorrência prejudica os preços de venda para o produtor. Mas tudo vai depender da questão cambial, com a sobrevalorização do real fica bem difícil”, diz Lima Filho. O analista da Scot calcula um câmbio ideal para o setor acima de R$1,80. “No ano passado, os preços para o produtor sofreram uma diferença de 4% a 5% comparado aos preços de 2008.” Captação Para o presidente da Itambé, a conclusão do projeto de fusão das cooperativas deve concentrar a captação de 10% do leite brasileiro. Contija estima que, em 2009, o País registre uma produção estável, se comparado ao ano passado, de aproximadamente 27,5 bilhões de litros. Atualmente, a Confepar capta 900 mil litros de leite por dia, na única fábrica que possui. A Cemil, também com uma fábrica, obtém 500 mil litros por dia. Já a Centroleite e a Minas Leite, que não têm unidades industriais, captam 900 mil e 1,5 milhão de litros por dia, respectivamente. Desde de 2007, o setor lácteo brasileiro tenta se consolidar por meio de fusões e aquisições. Antes da união com a Sadia, a Perdigão adquiriu a indústria de laticínios Cotochés e a Eleva. As cooperativas seguem agora o mesmo caminho. Hoje, a participação das cooperativas na captação do leite brasileiro caiu para menos de 40%. Na década de 1970, elas detinham 70% do mercado de captação nacional. Fonte: Jornal DCI. Por Alécia Pontes. Agronegócios. 15 de janeiro de 2010.
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