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Scot Consultoria

“Nada nas mãos”: transformando a forma de como se lida com a boiada


Quinta-feira, 14 de dezembro de 2017 - 14h40
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Foto: www.comprerural.com


A Scot Consultoria entrevista Adriane Zart, pecuarista e médica veterinária, sobre o manejo “Nada nas Mãos”, uma nova forma de treinamento para promover o bem estar dos animais.


A prática visa melhorar a performance do rebanho utilizando algumas técnicas de manejo e condução, como a comunicação "olho a olho", a fala e outros recursos de linguagem corporal.


Esses métodos podem substituir o manejo físico e grosseiro convencional que causam estresse para os animais e acabam prejudicando seu desempenho e sua saúde. O objetivo do manejo “Nada nas Mãos” é beneficiar, não somente o animal, mas também tornar o trabalho da equipe mais agradável, proporcionando uma relação tranquila entre manejador e o rebanho.


Quer saber mais sobre essa técnica? Leia na íntegra a entrevista com Adriane Zart.


Scot Consultoria: Adriane, o que é o manejo “Nada nas Mãos”?


Adriane Zart: O manejo “Nada nas Mãos” é um conceito que busca transformar a forma como se trabalha com gado.


A técnica é baseada no comportamento natural dos bovinos, usamos seus instintos a nosso favor para nos comunicar e conectar com o rebanho através de uma linguagem não verbal.


Essa interação entre homem e animal, com base na confiança e liderança, parece subjetivo à primeira vista, mas, na prática é bastante simples. Os bovinos compreendem essa linguagem e seguem quem sabe utilizá-la.


Assim, ao invés do gado ser tocado e forçado a fazer o que a gente quer, ele passa a ser guiado e a colaborar com os manejadores por vontade própria.


Portanto não se trata apenas do manejo no curral, mas sim de todo um conceito que deve ser implantado no dia a dia do animal no pasto ou confinamento com melhoria contínua e foco principal nas pessoas e nos animais. Sugere uma mudança de conceito no relacionamento e no gerenciamento de bovinos, buscando sempre a construção da confiança e bem-estar das pessoas e dos animais, de aperfeiçoamento contínuo, e, de busca pela performance.


Scot Consultoria: Como é realizada essa comunicação com o gado?


Adriane Zart: Como o próprio nome sugere, o manejador conduz os bovinos apenas com o seu olhar e os próprios movimentos corporais, posicionando-se corretamente no campo de visão do rebanho. Ou seja, gestos, movimentos corporais, ângulos de posicionamento, olhar e atitude (mais ou menos energia) são suficientes para transmitir confiança e respeito e mover os animais de forma eficiente e com baixo estresse. Convidamos o gado a trabalhar conosco ao invés de colocarmos apenas pressão.


Scot Consultoria: Quais os principais desafios dessa técnica?


Adriane Zart: Acredito que o principal desafio é a gerência da fazenda realmente entender que o COMO os animais são manejados dentro da fazenda importa, e não apenas O QUE é feito.


Como se trata de uma mudança de hábito, coisa que você não muda do dia para a noite, é necessário cobrança e comprometimento de toda a equipe.


Scot Consultoria: Como os profissionais podem se capacitar para realizar esse tipo de manejo?


Adriane Zart: A capacitação é feita através de treinamentos em fazenda com duração de 1,5 a 2 dias, dependendo do tamanho da equipe. O programa é divido em módulos conforme o sistema de produção e objetivos de cada fazenda.


O manejo “Nada nas Mãos” possui técnicas e objetivos específicos para um melhor desempenho tanto na fase de cria quanto nas etapas de recria e terminação dos bovinos. Os conceitos de manejo com gado no pasto ou remanga e no curral são aplicados nos procedimentos comuns e rotineiros das fazendas


Scot Consultoria: Quais as vantagens desse manejo em relação a outros tipos de manejo? Existe alguma desvantagem?


Adriane Zart: Eu acredito que o principal impacto da técnica é tornar o trabalho com gado mais agradável, tanto para os manejadores como para o gado.


Quando os bovinos se sentem confortáveis onde vivem e confiam nas pessoas, eles produzem mais e adoecem menos. Fica mais fácil detectar doenças em estágio inicial, uma vez que os bovinos aprenderam a esconder sintomas para não serem deixados para trás pelo rebanho. Esse é um mecanismo de defesa da própria evolução da espécie.


Além disso, estudos comprovam que animais com baixo nível de estresse apresentam melhor imunidade e respondem melhor a vacinas.


O impacto nos resultados reprodutivos também é expressivo, pois gado calmo e confiante, que não corre no curral, apresenta maiores chances de emprenhar em programas de IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) ou TETF (Transferência de Embriões em Tempo Fixo).


Não vejo qualquer desvantagem da técnica, pois a segurança da equipe e agilidade e eficiência do trabalho são promovidas.


Scot Consultoria: Essa técnica pode ser utilizada em todos os sistemas (cria, recria, engorda, confinamento). Tem algum sistema que essa técnica funciona melhor?


Adriane Zart: Sim, a técnica é adequada para qualquer sistema de produção. É claro que para os mais intensivos, tanto de cria quanto de terminação, os impactos são mais expressivos.


Scot Consultoria: Ainda existe um tabu por parte dos produtores, em relação a este manejo? Como convencer o produtor rural que o bem-estar animal é importante para o rebanho?


Adriane Zart: Cada vez mais o mercado consumidor e a sociedade como um todo querem saber como os animais são cuidados. Assim, eu acredito que a agropecuária que se manterá crescendo e prosperando será a que for feita com responsabilidade social, ambiental e animal, ou seja, onde homem e natureza convivem em harmonia.


Então a preocupação com a qualidade de vida da equipe e do gado é um caminho sem fim. E o melhor de tudo é que, inevitavelmente, o benefício econômico direto será obtido, pois animais que se sentem confortáveis dentro de um sistema de produção acabam sendo mais eficientes


O manejo de gado é uma arte, exige técnica, habilidade, atitude e muito amor. Investir no treinamento e motivação da equipe que trabalha com gado deve ser uma premissa para qualquer fazenda. Faz muito mais sentido melhorar o nível de compreensão e habilidades do vaqueiro do que buscar por soluções mecânicas e de alta tecnologia para problemas comportamentais.


Entrevistada:



Adriane Lermen Zart, veterinária formada pela UFMS - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, consultora da Personal PEC.


https://www.scotconsultoria.com.br/bancoImagensUP/171214-news-noticias-5.jpg

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