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Scot Consultoria

A importância do planejamento nutricional na transição águas-secas para ruminantes

Entrevista com o gerente de contas beef na Zinpro Corporate, Marcus Bueno

Terça-feira, 11 de junho de 2024 - 06h00
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Zootecnista pela Universidade Federal de Goiás (UFG), especialista em produção e nutrição de ruminantes pela FEALQ/ESALQ. Atualmente é gerente de contas beef na Zinpro Corporate.


Scot Consultoria: Você enfatiza em alguns momentos a questão de planejamento nutricional/forrageiro. Como você enxerga a importância do planejamento nutricional na transição águas-secas para os ruminantes, e quais seriam os principais desafios enfrentados nesse período?

Marcus Bueno: O planejamento nutricional na transição de águas para seca exige muita atenção, pois temos animais vindos de um embalo nutricional com forragem de qualidade e em boa quantidade, usando, na maior parte das vezes, o suplemento como um potencializador de ganhos. Com a estiagem, a mudança de luz durante o dia e o ciclo próprio do capim, começa-se a mudar a qualidade das pastagens e diminui-se a quantidade disponível, então, começamos a usar a suplementação com ajuste para ganhos zootécnicos e não mais apenas como potencializadora. Os principais pontos a serem ajustados são: taxa de lotação e suplemento, principalmente da parte proteica.

Scot Consultoria: Considerando a diminuição na disponibilidade de forragem de qualidade durante o período de seca, quais estratégias de suplementação recomendada para manter o desempenho dos bovinos - seja ganho de peso ou manutenção?

Marcus Bueno: Para que possamos manter o ganho de peso no período de seca, precisamos ajustar os teores de energia, proteína, minerais e aditivos fornecidos, lembrando que o ajuste de taxa de lotação deve ser respeitado de maneira criteriosa e que suplemento sem o consumo mínimo de matéria seca diário não traz o resultado esperado. Se o pasto está escasso, precisamos de uma fonte alternativa de volumoso mais o suplemento ou rações que consigam suprir o consumo total de matéria seca.

Scot Consultoria: Considerando fatores como mudanças climáticas, avanços tecnológicos e alterações nas preferências dos consumidores, como você enxerga o futuro da nutrição pecuária e quais são as perspectivas para sua evolução?

Marcus Bueno: A evolução da pecuária é constante e a todo momento estamos buscando soluções para adversidades e também para as oportunidades, tanto no quesito de tecnologia quanto nas práticas zootécnicas diárias. Na minha maneira de enxergar, o fator que mais atrapalha a evolução da pecuária é o baixo conhecimento técnico do pecuarista, esse fator muitas vezes desvaloriza o trabalho dos profissionais que buscam acelerar esse desenvolvimento. 
Por ser uma atividade considerada cultural no Brasil, muitos dos pecuaristas não possuem a pecuária como atividade principal, sendo assim, não dão a atenção necessária para desenvolverem uma atividade rentável e sustentável. O futuro da nutrição está atrelado à melhor utilização de áreas, com menos área e mais produção. Com isso, os ajustes dos suplementos se tornam indispensáveis para o sucesso da atividade. Ressalto aqui dois pontos importantes: a utilização de resíduos de indústrias de soja, milho, algodão, etc. e a aplicação correta de minerais e aditivos.

Scot Consultoria: Como você enxerga o uso de silagem de capim e qual seria um passo a passo para quem ainda não trabalha com esse tipo de produção? Quais fatores utilizar para definir entre a produção de um tipo de silagem ou outro (ex., milho, sorgo, capim)?

Marcus Bueno: O uso de silagem de capim é muito comum no Centro–Oeste e no Norte do país, trabalho com esse tipo de silagem há mais de 10 anos e considero uma alternativa muito versátil. O fato de não precisar plantar o capim todo ano para produzir a silagem é algo que fica muito atrativo economicamente, e sua flexibilidade em produzir silagem, feno ou pré-secado é outro fator que interfere bastante no cultivo do capim para conservação da forragem. 
Claro que temos alguns pontos negativos, não temos um valor nutritivo alto, ao contrário da silagem de grãos como milho e sorgo; não temos uma boa produtividade de matéria seca e nem a mesma qualidade de FDN, mas tudo pode ser ajustado com o concentrado. Os principais fatores para definir o tipo de silagem a ser produzida são: disponibilidade de maquinários, disponibilidade de área (silagem de capim pode ser feita em áreas já destinadas à pastagem), janelas de plantios e pluviometria. As silagens de milho e sorgo, por exemplo, na maioria das vezes são produzidas no período de safrinha, portanto, ficam dependentes do desenrolar da safra. Caso você tenha área destinada 100% para produção de silagem, eu vejo vantagem em plantar um material mais produtivo e de melhor qualidade, como o milho.

Destaque:  "O futuro da nutrição está atrelado à melhor utilização de áreas, com menos área e mais produção.” / "O planejamento nutricional na transição de águas para seca exige muita atenção."


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