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Carta Boi - Diferencial de base: a importância do indicador no mercado do boi gordo


Quarta-feira, 10 de abril de 2019 - 09h30


O diferencial de base é a defasagem da cotação da arroba do boi gordo de uma praça pecuária em relação ao mercado de São Paulo.


Diversos fatores colaboram para que haja esta diferença entre os preços no mercado do boi gordo em São Paulo e as demais regiões (tais como a situação de oferta e demanda, que é particular de cada região).


Na prática, este indicador não aponta nenhum movimento futuro do mercado (se a cotação irá subir ou descer).


O que tende a ocorrer é a volta de tempos em tempos do diferencial para valores próximos da média, isso se não houver uma mudança estrutural importante na cadeia das regiões. Esta tendência ocorre porque, quando o diferencial se alonga, fica mais interessante buscar gado na praça em questão, o que aumenta a demanda e valoriza o gado. Isso tem mais sentido nas regiões próximas, como os estados vizinhos a São Paulo.


Devido ao movimento da carne produzida e ao fato de as indústrias possuírem plantas em diferentes estados, pode haver redirecionamento da produção para áreas mais atrativas (bois mais baratos, com diferencial alongado), mas isso sempre feito considerando custos e impostos de trazer esta carne para os centros ou portos, no caso de exportações.


De maneira mais prática, o diferencial pode ser utilizado pelo pecuarista quando o produtor negociar na bolsa (B3) ou direto com o frigorífico através do contrato a termo.


Para o pecuarista, localizado em Goiás por exemplo, que deseja garantir preço mínimo de sua boiada que será vendida em outubro, o produtor deve levar em conta a cotação do contrato do mês em questão no mercado futuro.


E como a precificação dos contratos no mercado futuro são as referências da praça de São Paulo, o produtor tem que considerar o diferencial de base (no caso, o diferencial de base a ser analisado deverá ser a média de outubro).


Simulação


Para esta simulação adotamos o contrato de outubro como referência, pois é um mês com uma movimentação maior de negociações no mercado futuro frente aos outros meses. A praça utilizada para o exemplo foi a região de Goiânia-GO, e o diferencial de base adotado foi uma média dos últimos cinco anos (2014-2018).


Dados a serem considerados:


Out/19 = R$158,45/@; B3. Fechamento do mercado futuro do dia 5/4.


Diferencial de base em outubro = - 6,5% (tabela 1). Média mensal do diferencial de base, considerando o período entre 2014 a 2018.


Levando em consideração a cotação da arroba do fechamento do mercado do boi gordo do dia 5/4, em Goiânia-GO (R$144,00, à vista, livre de Funrural), a projeção para o preço da arroba em outubro na região é de que ocorra uma alta de 2,9% (R$148,15/@).


Projeção (out/19 para Goiânia-GO) = R$158,45 x 0,94 = R$148,15/@.


Tendo a projeção do preço de venda da arroba, o produtor tem que avaliar se o valor é suficiente para fechar a conta, ou seja, ficar acima ou ao menos empatado com o custo de produção.


A tabela 1 revela a média de janeiro a dezembro do diferencial de base de trinta regiões pesquisadas pela Scot Consultoria. A média considera um período de 2014 a 2018, com exceção do Acre, cujo período é dos últimos dois anos.


Tabela 1.
Média do diferencial de base de janeiro a dezembro, considerando o período de 2014 a 2018.

Fonte: Scot Consultoria - www.scotconsultoria.com.br


OBS: Para o estado do Acre a média considerada foi dos últimos dois anos.


Na figura 1 está exposta a média do diferencial de base de outubro de todos os estados pesquisados pela Scot Consultoria, considerando os anos de 2014 a 2018.


Figura 1.
Média do diferencial de base de outubro, considerando o período de 2014 a 2018.

Fonte: Scot Consultoria / www.scotconsultoria.com.br
Obs: Para o estado do Acre a média considerada foi dos últimos dois anos.


Conhecendo a média do diferencial de base, o pecuarista pode então traçar a sua estratégia considerando trabalhar com as ferramentas de mercado, realizando algum tipo de proteção de preço (venda de contratos futuros, put, termo, por exemplo) e saindo do risco das oscilações do mercado.


A trava na B3 não elimina a possibilidade de o mercado cair mais na praça do produtor, que estaria garantido frente a variações em São Paulo. Ou seja, o que o mercado ceder “a mais”, não estará garantido. Por outro lado, se na sua região o mercado cair menos que em São Paulo, há um ganho maior.


Com isso, o pecuarista deve avaliar se quer permanecer com o risco de base, travando direto na B3, ou travar as cotações diretamente com os frigoríficos, no mercado a termo. Uma das vantagens do termo é justamente fixar um valor, ou seja, sem risco de base.


Outro ponto que o produtor deve considerar é o momento do ciclo pecuário. Em 2013, quando o ciclo era de alta, de março a outubro o preço da arroba teve alta de 11,2%, considerando a praça de São Paulo.


Já em 2017, quando além da maior oferta de vacas indo para o gancho (ciclo de baixa), tivemos também efeitos negativos sobre os preços vindo de eventos não relacionados a oferta e demanda (operação Carne Fraca, por exemplo), a cotação caiu 3,2%, considerando o mesmo período.


Na média de 2014 a 2018, entre março a outubro, na praça de São Paulo o preço da arroba subiu 1,4%, valorização sútil, considerando a disparidade entre oferta e demanda entre esses períodos, mas vale ressaltar que em anos de preços em alta a cotação apresentou uma valorização significativamente maior do que a média (como em 2013, por exemplo).


Poderíamos então imaginar que com o mercado futuro apontando uma alta em torno de 2,9%, este possa ser um bom patamar, porém, assim como vimos em 2013, com a oferta limitada de boiadas e com a economia (apesar de ainda ter muito o que melhorar) se recuperando, há de se considerar a possibilidade de uma valorização acima tanto da média (1,4%) quanto da atual projeção (2,9%).



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