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Carta Boi - O primeiro ano de retenção de matrizes ou o último de descarte?


Quarta-feira, 2 de janeiro de 2019 - 14h00


Após o descarte de matrizes em anos recentes, é possível que 2019 seja o primeiro ano de retenção de fêmeas.


A precificação do boi gordo e reposição é oriunda de uma mistura de variáveis que englobam o clima, a eficiência produtiva média, fatores que afetarão a oferta, e a demanda, com todas as suas variáveis. 


Com relação à eficiência produtiva, o uso de tecnologia e investimento, incluindo retenção de matrizes (com efeito em médio prazo), é um dos fatores que a influenciam. 


O grau do uso de tecnologia, por sua vez, é afetado pela percepção de retorno, perspectiva econômica e caixa disponível, entre outros fatores.


Em outras palavras, a retenção de vacas e novilhas é influenciada pela propensão ao investimento, que, assim como em outros setores da economia, é algo amplo. É afetada pelos acontecimentos, pela situação e perspectivas econômicas.


Isto ocorre mesmo que de maneira subjetiva, quase inconsciente, em sistemas menos tecnificados que não sabem os resultados. 


Um mercado otimista, com preços em alta, gera mais resultado e retenção de fêmeas, reduzindo a oferta de carne e consequentemente, firmando as cotações. É uma retroalimentação positiva: mercado do boi e reposição firmes, dando ânimo para a produção è retenção è menos oferta de carne è mais valorizações. Veja a figura 1.


Figura 1.
Esquema do ciclo de preços pecuários e momento atual em destaque.

Fonte: Scot Consultoria


O último ano não foi de altas quando consideramos as médias ano a ano em valores reais, mas o segundo semestre foi de preços firmes e com valorizações importantes. Com isto, o ano terminou apresentando um quadro otimista do ponto de vista de preços. A oferta de reposição já se mostra mais enxuta.


Este cenário, somado à abertura do mercado russo, bons volumes de carne exportados para a China e expectativa de uma melhoria do consumo doméstico colaboram com esta visão mais positiva.


Expectativa


Não há regra, mas em princípio para 2019 poderíamos esperar um ano ainda com descarte de fêmeas, sob uma visão histórica, de conhecidos intervalos dos períodos de descarte e retenção.


No entanto, temos possíveis “gatilhos” para investimento vindos do cenário geral, como as altas no segundo semestre, a redução do risco político, expectativas econômicas um pouco melhores e projeções positivas para exportação. Deste modo, é possível que o investimento na cria comece e este seja o primeiro ano de retenção.


A figura 2 mostra a variação de preços entre a média do primeiro semestre, frente ao último do ano anterior.


Figura 2.
Variações dos preços do boi gordo nos primeiros trimestres, frente à média dos últimos três meses do ano anterior.

Observação: B (baixa) = anos de aumento do descarte / A (alta) = anos de retenção de fêmeas
Fonte: IBGE / Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br


Na média dos anos considerados de baixa (aumento no descarte de fêmeas), houve preços no primeiro semestre 0,6% menores que os do ano anterior. Em anos de cenário de alta (retenção de fêmeas), houve aumento de 1,7% na mesma comparação.


Cabe destacar que o critério foi a retenção de fêmeas, por isso, por exemplo, 2009 foi classificado como um ano “de alta”.


Anos com menor oferta de fêmeas, que tipicamente são abatidas no começo do ano, são de safra menos ofertada, o que colabora com estas valorizações.


Sempre destacando que um cenário mais positivo não livra a pecuária de todos os riscos diretos e indiretos.


Ou seja, este cenário mais positivo, garanta preços mínimos, ou mesmo a margem, se atrativa, mas não confie na sorte.  




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