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Scot Consultoria

Carta Insumos - Milho, farelo de soja e o boi na entressafra


Quarta-feira, 27 de junho de 2018 - 10h15
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A oferta de boiadas confinadas deverá ser pequena neste começo da entressafra. Quem conseguiu viabilidade econômica para “fechar boi” neste semestre, se desdobrou. As cotações do milho e do farelo de soja subiram. O contrato do boi gordo na B3 de agosto caiu pouco, mas caiu.


Uma dieta de confinamento, por exemplo, em que a quantidade de milho somada a de farelo de soja seja responsável por 60% da composição total, custava R$7,46/dia, em média, para um confinamento em São Paulo a preços de mercado em 2 de fevereiro de 2018. Com um custo operacional de R$0,94, a diária ficava em R$8,40 naquela data.


O pecuarista que fez a conta utilizando este custo a fim de ter noção do resultado se eventualmente confinasse para abater no primeiro no giro, se deparou com um retorno negativo projetado de 0,63%. Veja a tabela 1.


Tabela 1.
Projeção do resultado do confinamento, em fevereiro de 2018, em São Paulo, com abate em agosto de 2018.
¹ Preço em fevereiro de 2018.
² Preço da arroba do boi gordo, para o contrato de agosto, na B3 em 1/2/2018.
Fonte: Scot Consultoria


De lá para cá, suplementar no cocho ficou mais “caro”.


A safrinha encolheu e a cotação do milho subiu de R$32,00 para R$43,50/saca. O dólar explodiu, a Argentina teve problemas com a safra e a China passou a procurar ainda mais a soja brasileira depois de problemas comerciais com os Estados Unidos. O farelo de soja que era vendido por R$1,14 mil por tonelada no mercado interno chegou ao R$1,44 mil.


Os custos aumentaram de tal forma que a cotação da arroba no mercado físico ou projetado pela B3, não acompanhou essa expansão.


Voltando à dieta, fixando o preço dos demais ingredientes, além dos custos operacionais, em fevereiro deste ano, e aplicando os ajustes diários do farelo de soja e do milho até junho, a fim de isolar e mensurar os impactos financeiros destes produtos na operação, o custo para manter um boi confinado subiu 13,7% ao longo deste período.


Veja a representação gráfica deste efeito na figura 1.


Figura 1.
Variação dos preços do milho, farelo de soja, custo do confinamento (dieta + operacional), boi gordo na B3 para o contrato de agosto (primeiro giro de confinamento) e boi magro.
Fonte: Scot Consultoria


Ainda que o boi magro tenha ficado mais barato no primeiro semestre (figura 1), e mesmo este representando ao redor de 70% do custo total do confinamento, não foi possível a viabilidade desta operação para o primeiro giro. É claro que a dieta específica utilizada para esta análise, cujo intuito é entender o impacto dos insumos no confinamento, é uma dentre incontáveis opções de formulações e ingredientes alternativos.


Mas, sendo o milho o responsável por essa dificuldade em “fechar boi” este ano, e também o balizador de preços dos demais alimentos energéticos, qualquer dieta de alto grão trará dificuldades para o resultado.


O sorgo, por exemplo, subiu 35% em São Paulo e 23% em Goiás desde o começo do ano. A polpa cítrica acumulou valorização de 46%.


Quando combinamos, em um cálculo de retorno do investimento, essa alta no mercado dos insumos com a cotação da arroba no mercado futuro, vê-se o que o confinador “viu quando fazia o exercício” para decidir se confinaria ou não.


Na figura 2 está a estimativa diária, realizada desde fevereiro, de retorno da operação de confinamento de primeiro giro, considerando os preços do milho e do farelo de soja, do boi magro e o do boi gordo na B3 no contrato de agosto. Estes parâmetros são os de referência nas datas expressas no eixo x do gráfico.


É claro que um produtor não colocará um boi magro no cocho em fevereiro para abater em agosto, o que ele faz na prática é usar as referências de preços que tem em determinado dia para projetar o resultado, para ter uma ideia da viabilidade. Foi o que simulamos. Veja a figura 2.


Figura 2.
Estimativa de retorno do confinamento considerando os preços do milho e do farelo de soja, do boi magro e o do boi gordo na B3 no contrato de agosto, nas datas expressas no eixo x.
Fonte: Scot Consultoria


Por fim, diante da figura 2, da alta dos insumos que se somou à falta de fôlego do mercado do boi gordo na bolsa, que andou praticamente de lado ao longo dos seis primeiros meses do ano, não há perspectiva de muita oferta de animais de cocho na entrada da entressafra.


Em resumo, o farelo de soja e o milho mais “caros” dificultaram o confinamento e devem ajudar a puxar o preço da arroba no início do segundo semestre.


https://www.scotconsultoria.com.br/bancoImagensUP/180627_Imagem_Carta_Insumos_nm.jpg



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