• Domingo, 10 de dezembro de 2017
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Carta Boi: A influência das eleições no mercado do boi gordo


Segunda-feira, 4 de dezembro de 2017 - 15h20
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Política e economia andam lado a lado. Quando as coisas não estão bem no campo político, a economia se retrai e o contrário também é verdadeiro. 


Em 2018 teremos eleições presidenciais e o resultado das urnas decidirá o rumo da economia. 


Em anos de eleições há uma injeção de capital na economia, o que de certa forma estimula o consumo da população. 


Mas para entender o verdadeiro impacto das eleições no mercado do boi gordo, é preciso compreender a volatilidade de preços da arroba no decorrer destes períodos. 


O comportamento de preços da arroba durante o ano


Historicamente, em média, a cotação da arroba do boi gordo é maior no segundo semestre em relação ao primeiro. Os menores preços, sazonalmente ocorrem em maio e as máximas ocorrem em novembro. 


Alguns fatores levam a esse cenário e o primeiro deles, é o consumo de carne vermelha pela população.


Sabemos que no início de ano a população carrega as dívidas acumuladas no fim do ano anterior e, menos capitalizado, o consumidor diminui o consumo de carne vermelha.


Outro ponto que também deve ser considerado é que durante a quaresma¹ uma parte da população deixa de consumir carne vermelha, e isso impacta na demanda. O Brasil é o país com maior concentração de católicos do mundo². 


Além da retração da demanda, outro fator que influencia a cotação é o acumulo de oferta no primeiro semestre.


Após o final do período das águas, geralmente entre abril e maio, elevado volume de boiadas é destinada ao abate. É a desova de fim de safra. 


Junto a essa desova, em anos em que o mercado de reposição não está atraente, maior quantidade de fêmeas vai para o abate, principalmente nos primeiros meses do ano, pois nesse período há também o descarte das matrizes que não emprenharam na estação de monta. 


Com isso, a oferta para os frigoríficos é maior, o que naturalmente pressiona para baixo a cotação da arroba. 


No segundo semestre, o menor volume de boiadas para abate durante o período seco, somado à recuperação no consumo da população, principalmente no último trimestre, tendem a dar fôlego para a cotação da arroba.


É claro que este cenário ao longo do ano não é uma regra, de modo que em alguns anos observamos preços maiores no primeiro semestre frente ao segundo. A relação demanda e oferta pode ser atípica, o que quebra esta lógica. 


Mas será que as eleições influenciam este conjunto de fatos? 


Acompanhe a análise. 


Eleições x preços da arroba  


O ano eleitoral é sempre um divisor de águas, a partir dele é possível projetar qual será o futuro econômico provável das cidades, estados e do país em quatro anos. 


Também sabemos que nestes anos, há maiores investimentos na economia, o que deixa a população mais capitalizada para consumir e consequentemente aquecer o mercado interno. 


Esse efeito é sentido diretamente no mercado do boi gordo. Veja na figura 1 a oscilação da arroba nos segundos semestres frente aos primeiros semestres, em anos de eleições.


Figura 1.
Variação de preços da arroba do boi gordo no segundo semestre frente ao primeiro semestre, em São Paulo, em anos eleitorais.

Fonte: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br .


Na média, em anos de eleições, municipais e presidenciais desde 1996, a cotação da arroba do boi gordo, no segundo semestre subiu 8,5%. Este número está acima da média de todos os anos desde o início do plano real, cuja média é de 7,5%. 


Apesar dos anos eleitorais representarem, em média, melhor desempenho que os anos sem eleições, retrações também aconteceram, casos de 2012 e 2016. Isso porque a queda natural do consumo, devido às crises econômicas não alavancou os preços da arroba. 


Após dois anos de recessão devemos fechar este ano com o PIB positivo e as projeções para 2018 apontam para um PIB com crescimento de 2,5%³.


Além disso a inflação, que chegou a 11% em 2015, deve ficar abaixo da meta de 4,5% do Banco Central³. 


Outro fator que mantém as expectativas boas para 2018 são as projeções de taxa Selic ancoradas em 7%³. 


A somatória destes fatores indica uma recuperação econômica no país.


A taxa de desemprego está caindo e deve continuar caindo no ano que vem. Consequentemente o consumo das famílias deverá se recuperar. 


Com esse cenário a favor, sabendo que a carne vermelha possui elevada elasticidade renda, o consumo tende a melhorar em 2018, o que poderá proporcionar preços firmes para a arroba do boi gordo. 


Entretanto, a escolha do próximo presidente poderá afetar diretamente todos estes indicadores, e diante disso não há como prever com clareza a situação futura. 


Conclusão 


Historicamente em anos eleitorais, em média, a cotação da arroba do boi gordo sobe no segundo semestre frente aos anos sem eleições. 


Porém apesar do peso das eleições, a variação da cotação da arroba no segundo semestre depende mais da conjuntura econômica, do que propriamente pelas eleições, isso ficou evidente em 2012 e 2016.


Para o próximo ano eleitoral, as projeções indicam um cenário econômico confiante para o Brasil. 


Entretanto a escolha do presidente definirá se o país continua em recuperação ou regride para uma nova recessão. 


O cenário político está incerto.


A sorte está lançada.


¹ Quaresma é a designação do período de quarenta dias que antecedem a principal celebração do cristianismo: a Páscoa. A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos, anterior ao Domingo de Páscoa.


² Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 


³ Boletim Focus.


https://www.scotconsultoria.com.br/bancoImagensUP/171204-carta-boi-1.jpg

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