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Carta Conjuntura - Importação de carne bovina


Quinta-feira, 2 de março de 2017 - 16h00


Recentemente foi anunciado que um grande frigorífico importará carne norte-americana para ser distribuída no mercado brasileiro.


Alguma novidade? Nenhuma, pois importamos há tempos picanha da argentina, sem trauma algum.


A importação, será de carne premium, mais cara e dirigida para um público que gosta de comidas gourmet.


Mas por que importar essa carne?  Naturalmente, para que o frigorífico importador supra esse nicho de mercado e fature mais. Oportunidade de negócio.


E esse nicho não poderia ser atendido pelos produtores nacionais, os pecuaristas? Poderia é claro, e na verdade atende, mas, além do apelo do consumo do produto importado e o brasileiro gosta disso, especula-se que a produção lá fora seja mais barata, que o custo seja menor, que se paga menos imposto e que a ração seja mais barata. O frigorífico ganharia mais, apesar da cotação da arroba do boi gordo norte-americano ser maior.


Até aí nada demais, contudo, será ruim se a produção norte-americana for subsidiada, com facilidades para os fazendeiros norte-americanos. Nesse caso a competição seria desleal, estaríamos importando subsídios. Uma sacanagem.


Mas afinal, a carne norte-americana é melhor? Não, não é melhor, é na melhor das hipóteses, igual, de mesma qualidade, digamos assim. Os restaurantes brasileiros e as casas de carne são supridas de carne bovina de primeira qualidade, suculentas, saborosas, bem cortadas, bem embaladas, porcionadas e, originadas dos rebanhos nacionais.


E os rebanhos nacionais? Bem, aí levamos uma vantagem tremenda. Nossas boiadas são criadas em pasto, soltas, livres, respeitando a característica do ruminante, do pastejo, do descanso. Nos Estados Unidos, quase todo o rebanho é confinado desde a desmama e com dieta a base de grãos. Uma violência. Tem-se que transformar um bovino, um animal com quatro estômagos, num animal monogástrico. Dureza.


No Brasil, quando muito, apenas 10% dos bovinos abatidos são terminados em confinamento, de três a quatro meses, e não a vida toda. 


E quanto aos hormônios? Nos EUA eles são liberados e no Brasil proibidos. Como fica isso? Boa pergunta, se você é contrário ao uso de hormônios em bovinos, certamente não poderá consumir carne importada dos EUA, por que lá pode. E hormônio faz mal? Aí entramos numa discussão sem fim. Se no Brasil o uso de hormônios está banido, para que discutir isso? Carne brasileira não tem hormônio.


No ano passado os Estados Unidos abriram o mercado para a carne bovina in natura, em função desse ato, não deveríamos, em contrapartida, receber carne bovina norte-americana? Numa transação comercial, a contrapartida é inerente ao negócio e se esse cenário se desenhar, a da importação de carne premium, especula-se que o Brasil exportará para os EUA carne de zebu, carne magra para processamento em hambúrgueres. É verdade? Não sei, trata-se de especulação, mas o que importa é o equilíbrio da balança comercial, que por sermos pobres e fracos, não pode pender para o lado de lá.


Mas se você não está gostando desse negócio de carne bovina importada, faça o seguinte, recuse-a. Quando o garçom oferecer picanha argentina, desconverse e diga que prefere a nacional, se o cara insistir e oferecer um delicioso T-bone, norte americano, decline e peça um suculento contrafilé meio sangue angus, meio sangue nelore.


Se você for um purista, peça uma peça de carne de nelore, de angus, de Hereford, de Braford, de Senepol, etc., mas produzidas no Brasil, em todo o Brasil.

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