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Carta Conjuntura - A importância da Ivermectina na saúde humana


Terça-feira, 10 de novembro de 2015 - 09h39



No dia 5 de outubro o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia foi concedido aos cientistas William C. Campbell, irlandês, e Satoshi Omura, japonês, por criarem novas terapias para combater doenças causadas por vermes nematódeos e para YouYou Tu, chinesa, por desenvolver uma nova terapia contra malária.


Os dois primeiros vencedores dividirão metade dos 8 milhões de coroas suecas do prêmio (US$ 963 mil), enquanto Tu ficará com a outra metade.


Esses cientistas ganharam o prêmio Nobel com a criação de tratamento para humanos, com o uso da ivermectina, tão conhecida dos pecuaristas, para doenças parasitárias como a elefantíase (Wuchereria bancrofti, Brugia malayi ou Brugia timori) e a cegueira dos rios - oncocercose (Onchocerca volvulus).


O pesquisador Satoshi Omura, na década de 70, realizou pesquisas com bactérias presentes no solo e, através da criação de culturas de bactérias do gênero Streptomyces, conseguiu identificar que várias dessas culturas produziam substâncias tóxicas para outros organismos.


A partir da pesquisa de Omura, o pesquisador William Campbell começou a avaliar a eficácia dessas culturas. Uma das espécies descobertas, a S. avermitilis, produz a avermectina que combate, de forma eficiente, diversos parasitas de animais.


Posteriormente, o composto foi quimicamente alterado para a criação da ivermectina, que é uma substância mais eficiente no tratamento.


A droga, descoberta na década de 70, foi o primeiro endectocida e mostrou ser um excelente anti-helmíntico.  No início da década de 80 iniciaram os primeiros testes clínicos em humanos usando ivermectina para tratar a oncocercose. O fármaco mostrou-se seguro e eficaz.


Em 1987 a ivermectina foi doada pela fabricante Merck & CO. Inc. (sob a marca "Mectizan") e em 1988 a distribuição livre da droga terapêutica foi incorporada nas atividades do Programa de Controle da Oncocercose (OCP, sigla em inglês).


O tratamento em massa com a ivermectina (através do uso de equipes móveis) foi um complemento para o controle de vetores, uma medida de controle eficaz, em termos de custos.


Em 1994 o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Banco Mundial, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR) começaram a desenvolver um mecanismo inovador de Tratamento com Ivermectina Dirigido pela Comunidade (CDTI, sigla em inglês).


A estratégia baseia-se na participação ativa da comunidade, na distribuição e no controle da ivermectina.


Em 1995 o Programa Africano de Controle da Oncocercose (APOC) foi lançado com o objetivo de controlar a doença nos 19 países restantes, onde a doença era endêmica, na África, utilizando o método CDTI.


O objetivo era entregar ivermectina para mais de 90 milhões de pessoas, uma vez por ano, protegendo 120 milhões de pessoas em risco de infecção e prevenção de mais de 40 mil casos de cegueira por ano.


Estima-se que cerca de 40 milhões de pessoas tenham sido protegidas, 600 mil casos de cegueira tenham sido impedidos, 18 milhões de crianças nascido livres da ameaça da doença e 25 milhões de hectares de terra tornados seguros para a produção agrícola.


Apesar de os pesquisadores terem sido agraciados com o premio Nobel em 2015, a descoberta do tratamento é antiga e, desde a década de 80 já ajudou milhões de pessoas, especialmente nas Américas e na África, onde a situação é mais grave.


Histórico da ivermectina no Brasil


Segundo a Embrapa, a ivermectina chegou ao Brasil para uso em animais no início da década de 80 e trouxe consigo um grande avanço tecnológico na pecuária, causando uma revolução no mercado veterinário.


Nas Américas foi criado, em 1991, um Programa para Eliminação da Oncocercose nas Américas (OEPA). A doença que, no Brasil, se restringe as áreas indígenas habitadas por povo yanomamis, abrange as fronteiras amazônicas do Brasil e Venezuela (fonte: Ministério da Saúde).


O tratamento indicado pela OEPA já obteve sucesso em onze dos treze focos regionais, localizados nos países da Colômbia, Equador, Guatemala, México, Venezuela e o Brasil. Os outros dois focos, onde ainda não se obteve sucesso, estão localizados na Venezuela e no Brasil.


Proibição do uso de avermectina em bovinos


O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) proibiu, em maio de 2014, o uso de avermectina de longa ação em bovinos, através da Instrução Normativa no.13.


A avermectina de longa ação é a que possui a concentração igual a 3% ou superior, e fica presente no animal por mais de 100 dias. A avermectina de curta ação atua no organismo animal durante 42 dias, e essa não foi proibida.


A decisão de proibir foi tomada como forma de assegurar mercados internacionais, que possuem fortes restrições quanto aos resíduos da droga na carne. Um exemplo disso é o embargo que foi feito pelos EUA à carne brasileira em 2010 e que durou sete meses, por causa de resíduos de ivermectina acima do permitido.


O Brasil trabalha com o limite estabelecido pelo Codex Alimentarius, que é de 100 partes por bilhão (ppb). Os EUA, na época do embargo, permitiam um limite de 10 ppb, porém o limite foi ampliado recentemente, para 665 ppb. A União Europeia (UE) admite 30 ppb de resíduo na carne (Comissão de Regulamento de Execução da UE).


O MAPA, contudo, decidiu de forma unilateral a proibição do uso da substância de longa ação, gerando grande polêmica no mercado entre os pecuaristas, frigoríficos e laboratórios que produzem a droga.


Em março deste ano, a Instrução Normativa no.13, que proibia o uso de avermectina de longa ação, foi revogada, a pedido dos produtores.


No entanto, é preciso que esses antiparasitários sejam utilizados de forma correta, respeitando a dose, local de aplicação e principalmente seu tempo de carência, para que a carne brasileira continue competitiva no mercado mundial.

Colaboraram:
*Felippe Damasceno, zootecnista, consultor da Scot Consultoria.
*Hyberville Neto, médico veterinário, msc e consultor da Scot Consultoria.

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