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Cadê a safrinha?


Sexta-feira, 9 de agosto de 2019 - 09h10

por Leandro Bovo

Médico veterinário, pós-graduado pela ESPM, MBA em finanças pelo Insper-SP e sócio diretor da Radar Investimentos


Foto: pixabay.com


Já não é mais novidade para ninguém o tamanho da safrinha de milho que o Brasil acabou de colher. Os números podem variar de acordo com a fonte, mas para uma análise mais macro, é seguro considerar que a soma de safra de verão mais a de inverno foi algo ao redor de 100 milhões de toneladas, o que praticamente iguala o recorde de produção anterior acontecido em 2017. Acompanhe na figura 1 a evolução da produção total de milho do Brasil nos últimos anos.


Figura 1.
Produção anual de milho no Brasil, em mil toneladas.

Fonte: Conab / Elaboração: Radar Investimentos


Mais interessante do que a produção do ano, foi a resposta do mercado nos meses de junho e julho, período que teoricamente representaria o pico de entrada de milho com a evolução da colheita da safrinha e, por mais incrível que isso possa parecer, as cotações subiram em plena colheita! Acompanhe na figura 1 a evolução dos preços ao longo de 2019.


Figura 2.
Preços do milho, em R$/saca, em Campinas.

Fonte: Cepea / Elaboração: Radar Investimentos               


Repare que a mínima do ano até agora ocorreu durante maio, antes, portanto, do começo da colheita, contrariando as previsões mais catastróficas de dificuldades de armazenagem ou escoamento da superprodução. A evolução dos preços evidencia de forma muito clara as mudanças estruturais que o mercado de milho vem passando ao longo dos anos, onde as duas mais importantes são a crescente internacionalização dessa commodity e a evolução das condições de armazenagem e escoamento da produção.


Com o crescimento das exportações e o Brasil ganhando relevância como importante fornecedor de milho no mercado internacional, a precificação do cereal passou a depender cada vez menos das condições locais de oferta e demanda e, a exemplo da soja, passou a ter as condições globais como um vetor determinante na precificação. Dessa forma, choques de oferta no milho americano, por exemplo, se refletem quase que imediatamente aqui, mesmo com ampla oferta disponível, como atualmente. A melhora nas condições de escoamento para exportação e a armazenagem na fazenda, proporcionada pelos silos bolsa, quebrou a necessidade de entrega “a qualquer preço” na colheita, permitindo ao produtor mais capitalizado ter apenas o preço como principal item na decisão em vender ou não a produção.


A lição que fica é que o mercado de milho mudou e cada vez mais essa cultura vai deixar de ser o “primo pobre” da soja para ganhar relevância no planejamento produtivo dos agricultores brasileiros. A internacionalização dos preços traz maior volatilidade e os usuários de milho terão que se adaptar a essa nova realidade, onde não haverá mais “molezinha” de preços extremamente baratos como ocorreu algumas vezes no passado.


Artigo originalmente publicado no informativo Boi & Companhia, edição 1351.





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