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Scot Consultoria

Outubro de(s)colou!


Quarta-feira, 19 de junho de 2019 - 15h34

por Leandro Bovo

Médico veterinário, pós-graduado pela ESPM, MBA em finanças pelo Insper-SP e sócio diretor da Radar Investimentos


Foto: Scot Consultoria


A liberação das exportações à China trouxe de volta a normalidade ao mercado pecuário e o cenário de preços já é praticamente o mesmo vigente antes do auto embargo. O que mudou, por incrível que pareça, foi a dificuldade de compra das indústrias, que atualmente está maior do que antes, contrariando um pouco a realidade de final de safra que se esperava para o momento.


O cenário é de preços firmes e escalas bastante curtas no Brasil todo e quem precisou comprar teve que pagar preços mais altos. Essa realidade do mercado físico foi o gatilho para nova onda de valorização no mercado futuro, onde toda a curva de preços renovou suas máximas do ano até agora. O destaque desse movimento foi novamente o contrato de out/19 que, no pregão de 18/6 fez sua máxima do ano em R$165,75/@. O contrato de outubro é tido como a referência de preços para a entressafra e é onde existe o maior número de contratos em aberto e maior números de contratos negociados. Essa maior liquidez atrai os especuladores, que, com maior facilidade para entrar e sair, tendem a concentrar nele suas apostas. Esse fato acaba gerando distorções, como a que observamos nesta semana, com o contrato de outubro operando com diferenciais de R$6,00/@ e R$3,00/@ para os vencimentos de agosto e setembro, respectivamente. Acompanhe esses diferenciais na figura 1.


Figura 1.
Diferenciais entre os contratos futuros de boi gordo. 



Fonte: Radar Investimentos / Broadcast


Muitos no mercado acreditam que o balanço oferta x demanda mais altista do ano não ocorrerá em outubro, como os preços futuros sugerem, mas sim em agosto ou setembro e para quem pensar dessa forma e quiser apostar na redução desse diferencial de preços, a operação recomendada é o spread, comprando os vencimentos mais curtos (agosto e setembro, no caso) e vendendo o contrato mais longo (outubro, no caso). Essa operação será ganhadora se o diferencial de preços entre esses meses diminuir, e esse cenário poderá ocorrer tanto no mercado em alta como no mercado em baixa, o que faz do "spread" uma operação bem menos arriscada do que uma operação simples, de compra ou venda apenas.


Historicamente não há justificativas para um carrego tão grande concentrado no outubro, até porque, esse carrego pode ajudar a direcionar mais animais para serem abatidos nesse mês, o que ajudaria na diminuição do diferencial de preços. Essa operação também pode ser usada para quem tem que fixar suas vendas a termo, por exemplo, em agosto ou setembro, mas quer "aproveitar" pelo menos uma parte do carrego concentrado no vencimento de outubro, onde, caso essa aposta seja correta e não haja fundamentos no físico para isso, diminuiria o spread e a posição na bolsa apresentaria ganhos ao ser liquidada.


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