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Scot Consultoria

Por que emprenhar novilhas aos 14 meses? parte 2


Terça-feira, 19 de fevereiro de 2019 - 05h55

por Qualitas

A Qualitas melhoramento genético, presta consultoria no intuito de aumentar a qualidade, eficiência e produtividade pecuária de seus clientes, tendo como resultado a ampliação da lucratividade de seus negócios e está sendo representada por Leonardo Souza. Leonardo Souza é Médico Veterinário pela Universidade Federal de Goiás, especialista em Pecuária de Corte pelo Rehagro, sócio-diretor da Qualitas Melhoramento Genético, com 21 anos de atuação nas áreas de gestão, produção e melhoramento genético. O Programa Qualitas de Melhoramento Genético conta com mais de 40 fazendas, nos estados de GO, TO, RO, SP, PR, MG e MT e também na Bolívia, totalizando um rebanho de mais de 250.000 cabeças.


Foto: Autor. Vaca que emprenhou aos 14 meses com bezerra ao pé, Fazenda Capivara em Piacatu-SP


Primeiramente, desejamos a todos da pecuária de corte brasileira um excelente 2019.


Conforme combinado no último texto, continuaremos a justificar a necessidade de se reduzir a idade ao primeiro parto das vacas.  Agora analisaremos os desafios encontrados após as bezerras emprenharem aos 14 meses e o impacto da precocidade sexual na lucratividade da fazenda.


Devemos considerar a necessidade de aporte nutricional de qualidade para atingir o peso ideal para a inseminação e, além disso, garantir a reconcepção após o parto e à desmama de um bezerro de qualidade, como o da foto. A foto realmente tem muito a dizer. Ela foi tirada na Fazenda Capivara em Piacatu-SP, parceira do Programa de Melhoramento Genético Nelore Qualitas desde 1994. Portanto, quando eles iniciaram a inseminação das bezerras aos 14 meses em 2015, as novilhas de 24 meses estavam mais do que “sobrando”.


Vejam que a qualidade da bezerra não é por acaso. Reparem a excelente condição corporal da vaca. E com um pouco de vontade, também é possível ver a mesma condição nas demais vacas e bezerros da foto. Isso é reflexo não apenas da excelente nutrição que a bezerra recebeu antes de emprenhar aos 14 meses, mas, principalmente, após a prenhez até ela emprenhar novamente após o parto. No caso das vacas da foto, elas atingiram 89,0% de prenhez, mesmo parindo aos 24 meses.


No primeiro texto mostramos a necessidade de atingir pelo menos 0,555 kg/dia de ganho da desmama até os 14 meses para que as bezerras atinjam 300 kg de peso vivo. Agora, alertamos que o ganho de peso continue em pelo menos 0,400 kg/dia até o parto, garantindo pelo menos 420 kg de peso no momento do parto para que após o parto esta matriz continue com excelente condição corporal para produzir leite e, principalmente, para emprenhar novamente. Portanto, o protocolo nutricional para se ter sucesso na precocidade sexual começa na desmama da bezerra e vai até a segunda estação de monta, dos 8 aos 27 meses de idade. O que realmente importa, é ter duas prenhezes até os dois anos de idade!


Essa realmente não é uma tarefa fácil. Nos rebanhos participantes do Qualitas os maiores problemas encontrados são as perdas de gestação que ocorrem após o diagnóstico de gestação das bezerras de 14 meses até o parto. Nos rebanhos que estão iniciando o trabalho de precocidade sexual foram verificadas perdas de até 20% do diagnóstico de gestação até o parto!


Mas é interessante verificar que nas fazendas que já estão praticando a precocidade sexual há mais tempo este problema vai se reduzindo. A nossa suposição é que a própria genética vai melhorando uma vez que as fêmeas que perdem a gestação da prenhez aos 14 meses são descartadas do rebanho, só permanecendo a genética das fêmeas que emprenharam aos 14 meses e conseguiram desmamar um bezerro.


Na tabela 1, apresentamos o exemplo da Agropontieri de Goiatuba-GO que iniciou a inseminação das fêmeas aos 14 meses em 2012.


Tabela 1.
Fêmeas nascidas em 2014 na Agropontieri – Goiatuba-GO.

Fonte: próprio autor 


As perdas do diagnóstico de gestação até o parto foram de 6,0% em relação ao total de bezerras prenhes, sendo 4% entre mortes embrionárias e abortos pré-parto e 2,0% de perdas por dificuldade de parto (distocias) e, neste caso, inclusive com a morte das novilhas. 


Apesar dos acasalamentos serem feitos somente com touros com DEP para baixo peso ao nascimento, ainda assim corre-se o risco de perder tanto a vaca como o bezerro no momento do parto. Portanto, recomendamos sempre utilizar touros provados para DEP negativa para peso ao nascimento em bezerras de 14 meses. Só assim é possível evitar esse problema. 


Foram perdidos mais três bezerros após o nascimento, totalizando 9% de perdas do diagnóstico de gestação até a desmama. A média das fazendas participantes do Benchmarking Inttegra 2017/2018 do nosso amigo Antônio Chaker El-Memari Neto para o indicador de perdas da prenhez até ao desmame foi de 12,1% e a média das melhores 30,0% para esse indicador foi de 7,5%. 


Agora apresentaremos o aumento de desembolso por bezerra com um exemplo de protocolo nutricional suficiente para garantir a produção de duas prenhezes até os dois anos de idade. Assim poderemos demonstrar o aumento da lucratividade que esta estratégia permite.


Este protocolo é dividido em fases:


1. 9 a 13 meses de idade – R$2,50/dia de gasto com suplementação (silagem + ração com consumo de 0,5% do peso vivo ou pasto + ração com consumo de 1,0% do peso vivo);


2. 14 a 16 meses de idade – R$1,20/dia de gasto com suplementação (ração com consumo de 0,5% do peso vivo);


3. 17 a 27 meses de idade – R$0,80/dia de gasto com suplementação (proteinado com consumo de 0,3% do peso vivo).


Com isso o desembolso total no período é R$756,90 para cada fêmea que emprenhar aos 14 meses. Para as que não emprenharem a suplementação termina aos 20 meses de idade com um custo de R$594,82 por fêmea, quando elas são vendidas com 14 arrobas.


Considerando estes valores e comparando o resultado por hectare dos dois sistemas de produção: um com prenhez aos 24 meses e o outro com prenhez aos 14 meses, temos as seguintes diferenças (tabela 2):


Tabela 2.

Fonte: Autor


O aumento da lucratividade é explicado segundo o levantamento realizado pela Geagro, empresa do nosso amigo Josinaldo Zanotti, franqueado Inttegra apresentado no evento “O sucesso deixa rastros” em dezembro de 2018 em Cuiabá-MT. A propósito não deixem de adquirir o livro “Como Ganhar Dinheiro na Pecuária – Os segredos da gestão descomplicada”, que o Antônio Chaker acabou de lançar (www.inttegra.com).


O estudo identificou os seguintes pontos de mudanças técnicas e financeiras dos dois sistemas:


Tabela 3.

Fonte: Autor


Josinaldo também apresentou que a característica mais importante para o aumento da lucratividade da cria é o ganho de peso:


Tabela 4.

Fonte: Geagro


Para cada 0,100 kg/dia a mais de ganho médio diário, o lucro aumenta em R$277,00/ha! É por isso que o sistema de prenhez aos 14 meses é tão impactante. Ele faz com que, ao contrário das vacas adultas que aumentam o ganho de peso global da fazenda somente através dos bezerros, as bezerras que emprenham aos 14 meses além de contribuírem para o aumento com mais bezerros sendo produzidos, também estão ganhando peso. Portanto, não há outra estratégia que aumente tanto o ganho de peso em um rebanho de cria quanto a prenhez das fêmeas aos 14 meses!


Vimos que os desafios são grandes, mas não são impossíveis pois já tem pecuarista competente fazendo.


Para ser bem-sucedido:


1. Invista na genética do rebanho;


2. Reduza a estação de monta;


3. Cuide bem das bezerras após a desmama;


4. Atenção para os touros utilizados na inseminação/cobertura das bezerras;


5. Não descuide delas após a prenhez aos 14 meses, elas precisam ser bem cuidadas até emprenhar a segunda vez.


O resultado será um rebanho de cria altamente produtivo e lucrativo. E você ficará extremamente orgulhoso das suas vacas.


Grande abraço e inté!


Texto em coautoria de Josinaldo Zanotti e Geagro.


 


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