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Scot Consultoria

“Que fazenda eu quero para o futuro” - Do ponto de vista da Dona Vaca


Terça-feira, 25 de setembro de 2018 - 11h15

por William Marchió

Médico veterinário pela UNESP – campus de Jaboticabal, especialização em produção animal pela UFLA e atual Diretor Executivo na Rede de Fomento à Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF - Embrapa).



A fazenda que eu quero para o meu futuro é aquela que o meu dono me conheça, saiba exatamente quem sou, que ele tenha tudo da minha vida em seu smartphone, saiba quantos filhos eu já tive, saiba como dei de mamar a eles e como eu desmamei-os hígidos e gordinhos.  Um dono que saiba a importância de me manter bem nutrida, o ano todo, que eu tenha tenras pastagens aos meus pés.


Também quero um fazendeiro que se preocupe com meu bem-estar, gosto de apreciar frondosas árvores, desfrutar o frescor de suas sombras, ouvir os passarinhos a cantarolar, adoro comer pasto verdinho, mesmo na seca e escolher se quero tomar um solzinho ou não. Adoro também ver besouros, minhoquinhas e bichinhos por todo o lado, eles comem os bichinhos que me fazem mal.


Não quero nunca mais estas cercas de arame farpado, acabam com a minha pele, prefiro as elétricas que só dão um choquinho, aquelas paraguaias são um desastre, sempre tem uma amiga minha que se enrosca toda.


Quero beber água limpa em um bebedouro, não aguento mais ter que entrar nestas lagoas fétidas e correr risco de atolar, sem contar que a dona sucuri está sempre espreitando meu rebento.


Adoro inseminadores carinhosos, daqueles que até fazem uma massagenzinha no final. E agora tem uns touros no pedaço que estou gamada, só tenho filhos lindos e fortes, muito fortes.


Uma coisa que adoraria ter também é uma balança, daquelas eletrônicas que eu possa sozinha me pesar, controlar este meu corpinho, sempre ganhando um pesinho para ter reserva para dar de mama.


Adoro também ter brincos, daqueles que apitam quando passo no brete e na balança, uns que tem toda minha história, e que o doutor, quando vê no computador meus predicados, sempre comenta meus dotes. Que eu sou mãe cuidadosa, que desmamo meu filhinho entre os melhores e que todo ano estou grávida novamente.


Adoro ser bajulada, ouvi dizer até que já tem fazenda “reality show” onde sempre tem alguém me assistindo na teve e sabe exatamente onde estou, outro dia até ouvi um barulho estranho, parecido com mamangava gigante, quando olhei era aquele tal de Drone me filmando, será que vou estar no Big Brother?


Também quero consultar periodicamente com aquele doutor bonitão, ele sempre me passa uma receitinha para me manter sempre limpinha, tanto dos vermes quanto das moscas, dos bernes e daqueles terríveis carrapatos que até deixam meu bebe muito triste. Tem também aquele monte de vacina doída, mas eu sei que é importante para que nem eu e nem meu bebe que está vindo, venham a morrer.


Em minha fazenda do futuro eu também quero ver vaqueiros bem espertos, daqueles que logo que eu parir, já estão cuidando de minha cria, deixando o umbiguinho do meu bebe bem sequinho para não pegar larvinha de mosca. Daqueles vaqueiros que não ficam descontando a sua raiva em mim, tem sempre uns que quando brigam com a patroa vem logo despicando em mim.


Quero meus pastos sempre novinhos, daqueles que agora é moda, planta soja, planta milho, planta sorgo, girassol e outras coisas e junto, lá está o meu pastinho novo, estes sempre são mais gostosos, eu do tanto leite quando pasto por lá. Agora até tem fazendeiro fazendo uma saladinha nestes pastinhos, colocando umas folhinhas proteicas que são uma delícia, mas engordam.


Em minha fazenda do futuro, também quero aqueles currais da moda, anti-estresse, aqueles que não tem pontas de parafusos para me espetar, também tem passarelas bem certinhas onde eu não escorrego e sei bem onde tenho que ir, o de hoje é tão bagunçado, sempre acabo me machucando. E o brete então, barulhento, me dá uns solavancos que saio toda rocha, eu quero daqueles que não fazem barulho e que só dão uma espremidinha em mim, cheios de botões e controles, parecem até uma nave espacial.


Quero também ter sempre um petisco para lambiscar, mas não naquele tronco de aroeira velho que minha vovó já falava dele, ela até contava de uma cascavel que sempre se aninhava lá.


Quero um fazendeiro dos bons, aquele que consegue reconhecer em mim meus sentimentos, aquele que sempre fará de tudo para que eu esteja feliz e contente, que me proteja, que conserve para sempre este meu lindo lar, onde vive e viveu todos meus entes queridos, que este lugar seja por ele considerado sagrado e que faça o bem não só para mim, mas também para todos que trabalham e vivem ali, vou mais além, que este lugar seja muito importante para a humanidade. E que no final de minha vida, ou quando eu não conseguir mais criar bem meus bebes, me dê um fim digno, onde eu possa então nutrir o homem, com um sentimento de gratidão por isso.


 





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