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Usar somente o peso de desmama para avaliar se um bovino é bom ou ruim não é uma boa estratégia!


Quinta-feira, 16 de novembro de 2017 - 14h00

por Leonardo Souza

Médico Veterinário pela Universidade Federal de Goiás, especialista em Pecuária de Corte pelo Rehagro, sócio-diretor da Qualitas Melhoramento Genético, com 21 anos de atuação nas áreas de gestão, produção e melhoramento genético. O Programa Qualitas de Melhoramento Genético conta com mais de 40 fazendas, nos estados de GO, TO, RO, SP, PR, MG e MT e também na Bolívia, totalizando um rebanho de mais de 250.000 cabeças.


Foto: Scot Consultoria


Fico realmente intrigado em me deparar com produtores que, apesar de apresentarem um sistema de gestão exemplar, sendo referência no manejo e intensificação do processo produtivo, ou seja, exemplos de fazendas bem-sucedidas, negligenciam a importância do melhoramento genético no seu negócio.


A escolha do material genético, principalmente touros e sêmen, ainda é feita de maneira displicente, sem o devido cuidado. Nestes casos, o que ocorre é um enorme desperdício dos recursos produtivos. E por que digo isso?


Porque fazendas bem gerenciadas e com manejo alimentar adequado, quero dizer, aquela fazenda que não deixa seus animais “perderem” peso, independente do período seco, têm condições de possuir um rebanho altamente produtivo, emprenhando bezerras Nelore aos 14 meses e abatendo os machos até os dois anos de idade com 20@ ou mais.


É por isso que para estes produtores, este fato realmente me intriga! E “matutando” em cima do fato, talvez o que falte sejam referências sobre a importância da genética.


Será que existem diferenças entre os animais?


Será que estas diferenças têm impacto no resultado da fazenda?


Qual a maneira correta de identificar a melhor genética?


Tentaremos responder estas perguntas com exemplos reais, que sirvam de referência para diminuir a negligência em relação à genética.


Na tabela 1 apresentamos as diferenças entre cinco bovinos com as seguintes características e que apresentam todos os pré-requisitos para poderem ser comparados e, respondendo à terceira pergunta: Qual a maneira correta de identificar a melhor genética?


- São de uma mesma fazenda – Agropontieri, de Goiatuba-GO, que participa do Programa Qualitas de Melhoramento Genético desde 2000;


- São os primeiros filhos de fêmeas Nelore que emprenharam aos 13 meses de idade;


- Nasceram todos no mesmo dia: 9/9/16;


- Foram criados nos mesmos pastos, do nascimento à desmama e da desmama até os 12 meses;


- Não receberam creep-feeding;


- Foram desmamados no mesmo dia: 18/4/17;


- Após a desmama ficaram em pasto de capim Marandú (braquiarão) de integração lavoura-pecuária, recebendo o produto “Petisco” da empresa Campo (proteinado de consumo de 0,1% do peso vivo);


- Foram pesados no mesmo dia: 28/9/17.


Tabela 1:
Pesos em quilos de machos da Agropontieri.


Com relação à primeira pergunta: Será que existem diferenças entre os animais?


Vejam que desde o nascimento os animais são diferentes, e quando levamos em consideração as correlações que existem entre os pesos dos animais de acordo com a faixa etária temos os seguintes padrões:


- Animais que nascem mais pesados “geralmente” são mais pesados à desmama, como é o caso do animal 17416. Mas o ideal é que o bezerro nasça leve e desmame pesado, como é o caso do animal 17816 ou mesmo o animal 17516.


- Animais que desmamam pesados “geralmente” ganham menos peso após a desmama, como é o caso do animal 17816. E o contrário também “geralmente” ocorre, aqueles que desmamam mais leves ganham mais peso após a desmama, como o animal 17616.


Mas o que mais chama a atenção são as diferenças entre os desempenhos dos animais 17516 e o 17316:


- 1 kg no nascimento - 3,33% a mais


- 9 kg à desmama - 4,12% a mais


- 81 kg aos 12 meses - 26,24% a mais


- 0,430 kg/dia de ganho ou 45,79% a mais


Como relação à segunda pergunta: Desde o nascimento os animais são diferentes, à medida que eles crescem as diferenças aumentam e a magnitude é tamanha que impacta diretamente no resultado financeiro da engorda dos dois animais.


Isso provoca uma boa reflexão: usar somente o peso de desmama para avaliar se um animal é bom ou ruim não é uma boa estratégia! Mas, infelizmente, o peso de desmama é a referência utilizada pelos produtores na escolha do sêmen que utilizarão em seus rebanhos. É comum o comprador, e principalmente o vendedor promover um touro pela qualidade dos seus filhos à desmama. Será que as perguntas corretas não seriam:


Seus filhos são bons ganhadores de peso após a desmama?


Seus filhos não nascem muito pesados, não teremos problemas de partos em novilhas? Ele produz fêmeas precoces sexualmente?


Esse touro produzirá os melhores bois gordos, os mais pesados, mais eficientes e mais lucrativos?


É, a genética ideal é mais complexa, e dificilmente teremos o touro perfeito para todas as características importantes, entretanto, é possível orientar a escolha para touros que, pelo menos tenham informações para estas características.


Neste texto apresentamos as diferenças em relação ao peso e ganho de peso dos animais. Nos próximos apresentaremos mais diferenças em outras características importantes, respondendo às perguntas importantes na hora de escolher a genética para o seu rebanho. E quem sabe, poderemos sensibilizar os produtores sobre a importância da genética para o seu negócio. Inté!



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