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Produção industrial inicia 2017 com leve recuo de 0,1% no mês e expectativa de permanecer em baixo patamar de atividade


Quarta-feira, 8 de março de 2017 - 15h40

Parallaxis Consultoria - informações sob indicadores econômicos em geral.


Foto: fatecitapetininga.edu.br


O indicador de produção industrial, elaborado pelo IBGE (PIM-PF) voltou ao território positivo na comparação interanual após 34 meses de resultado negativo. Em janeiro/17 o resultado foi de +1,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Já na comparação mensal, o indicador recuou 0,1%, ajustado sazonalmente, após o avanço de 2,4% no mês anterior.  Em 12 meses, a produção industrial acumulou retração de 5,4%, ante queda de 6,6% em dezembro/16.


O recuo na comparação mensal foi marginalmente inferior ao esperado, visto que nossos modelos apontavam para um recuo levemente superior (-0,2% m/m e +1,4% a/a), porém na tendência correta. Este resultado reforça nossa expectativa para a atividade econômica, de oscilação dos resultados da produção industrial na margem entre positivos e negativos, compatível com nosso cenário de permanência em baixo patamar de atividade por um tempo prolongado. Reiteramos que a recuperação se dará de maneira morosa e bastante gradual, especialmente devido a elevada ociosidade da capacidade produtiva na indústria, além da baixa demanda interna.


Figura1.
Produção industrial em variações mensais e anuais.


Fonte: IBGE- Elaboração: Parallaxis Consultoria


O cenário prospectivo está em linha com nossa expectativa para a produção industrial em 2017, de avanço de 1,0%, após recuar em média 3,8% nos últimos 5 anos.


Dentre os 26 ramos da pesquisa, em relação a janeiro/16, houve avanço em 16 ramos. Já em relação a dezembro/16, 12 ramos pesquisados (de 24) apresentaram retração da atividade na passagem para janeiro, com ajuste sazonal, confirmando o comportamento errático da atividade que esperamos para este ano.


Na comparação com janeiro/16, os ramos que apresentaram os melhores resultados, e mais impactaram, foram as produções de: indústrias extrativas (12,5%), veículos automotores, reboques e carrocerias (5,2%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (18,0%), de celulose, papel e produtos de papel (6,9%), de produtos alimentícios (1,6%), de metalurgia (4,2%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (13,3%), de produtos têxteis (10,8%), de outros produtos químicos (2,2%) e de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (5,0%). No sentido oposto, entre os ramos que recuaram destacaram-se: produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-11,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-8,6%), de máquinas e equipamentos (-4,9%), de produtos de metal (-6,2%) e de outros equipamentos de transporte (-9,4%).


Na comparação mensal, os maiores recuos na margem, que impactaram o resultado global do indicador, foram os setores de: veículos automotores, reboques e carrocerias (-10,7%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-12,5%), de máquinas e equipamentos (-4,9%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-7,0%) e de produtos de borracha e de material plástico (-3,8%). No sentido oposto, avançando na margem, o destaque de impacto positivo foi produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (4,0%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (21,6%).


Na abertura por grandes categorias econômicas, o destaque foi a retração intensa na margem dos Bens de Capital e Duráveis.


Tabela1.
Detalhes da abertura por Categorias Econômicas


Fonte: IBGE- Elaboração: Parallaxis Consultoria


No acumulado em 12 meses encerrados em janeiro deste ano, a produção industrial recuou -5,7%, com um perfil bastante disseminado entre os ramos industriais (24 dos 26), porém, com exceção da produção de Produtos de Fumo e farmoquímicos e farmacêuticos, todas taxas acumuladas neste modo de comparação se tornaram menos negativa na comparação com dez/16. Pela ótica das grandes categorias econômicas, chama atenção as retrações de bens de consumo duráveis (-12,3%) e bens de capital (-7,9%).


Para esse ano de 2017 não devemos esperar nenhuma grande recuperação da indústria brasileira. Após 5 anos de retração, o crescimento de 1% projetado para produção industrial por nós esse ano deve-se basicamente a um misto de recomposição de estoques, influência do agronegócio em alguns ramos e ao efeito estatístico da base de comparação.


Em nossa nota sobre o PIB de ontem, destacamos que os bolsões de dinamismo criados em alguns setores da economia em virtude da desvalorização cambial já se enfraqueceram, especialmente na indústria. Até meados de 2017 a tendência de queda na renda dos trabalhadores permanecerá, simultaneamente, com o crédito ainda restritivo. Estes fatores tendem a deprimir a demanda, que somada a um ambiente com elevada ociosidade da capacidade instalada e um processo de desalavancagem do setor privado torna bastante difícil a retomada de maneira mais pujante este ano.


Figura 1. 
Produção Industrial - Var. % Acum. 12 m


 
Fonte: IBGE- Elaboração: Parallaxis Consultoria 



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