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Scot Consultoria

Recomendações básicas para o uso do milheto em pastejo ou como cobertura morta


Sexta-feira, 23 de dezembro de 2016 - 10h30

Engenheiro Agrônomo e Mestre em Nutrição Animal pela ESALQ/USP. Sócio-consultor da Boviplan Consultoria Agropecuária.


Foto: www.ruralpecuaria.com.br


O milheto [Pennisetum glaucum (L.) R. Br.] é uma das plantas mais utilizadas tanto na cobertura morta para o plantio direto como para o pastejo na região de cerrado brasileiro. Por conta da sua habilidade de reduzir a reprodução de nematóides da soja, o seu uso em sistema de integração entre lavoura e pecuária (ILP) se tornou ainda mais importante.


Entre as suas principais características podemos citar a elevada tolerância à seca, rápido crescimento, elevada capacidade de extração e reciclagem de nutrientes, alto potencial como planta descompactadora de solo e boa produção de matéria seca (MS), da ordem de 5 a 15 t por hectare. O milheto apresenta também um papel interessante na reciclagem de potássio (K), destacando-se pela rápida disponibilidade deste nutriente ao solo.

Também conhecido como penicilaria, capim charuto e capim italiano, o milheto é uma forrageira anual de clima tropical, possui hábito ereto, porte alto, com desenvolvimento uniforme, apresenta bom perfilhamento e produção de sementes entre 500 a 1.500 kg por hectare. Apresenta, também, excelente valor nutritivo (até 24% de proteína bruta, quando em pastejo), boa aceitabilidade e digestibilidade (60% a 78%) em pastejo, sendo considerada uma forrageira atóxica aos animais em qualquer estádio vegetativo e que pode ser cultivada em safra ou safrinha.


Semeadura

O milheto é geralmente semeado no terço final das chuvas, após a colheita da soja ou milho, aproveitando a umidade residual. Também pode ser semeado antes da lavoura de safra, quando começam as primeiras chuvas; neste caso, o cultivo é direcionado somente para cobertura do solo e representa um reforço importante ao Sistema de Plantio Direto, visando atender à sua demanda por palhada e preencher o período em que o solo ficaria em pousio.

A semeadura do milheto poderá ser efetuada a lanço ou em linha. Para plantio em linha utilizam-se em torno de 18 a 20 kg de sementes/ha, com espaçamento de 20 a 30 cm entre linhas. A profundidade de semeadura pode variar de dois a quatro centímetros, mas é importante que no plantio o solo esteja livre de torrões, para que a emergência das plântulas ocorra de uma forma vigorosa.

Para o plantio a lanço é utilizada uma média de 10 a 20 kg de sementes/ha, variando de acordo com a qualidade das mesmas. Apesar da operação a lanço ser de grande rendimento, é necessária uma segunda operação mecanizada, que objetiva uma melhor incorporação das sementes ao solo. Esta operação pode ser realizada com grade niveladora ou correntão.


No caso da grade é fundamental que ela esteja muito bem regulada para não enterrar demais os grãos. O uso do correntão possui rendimento ainda maior do que o da grade niveladora; porém, como sua eficiência em incorporar as sementes é menor, é preciso usar ao menos 50% a mais de sementes.

Existe outro tipo de semeadura a lanço, chamada de sobressemeadura. Esta operação é muito utilizada durante o cultivo da soja e, geralmente, realizada através do uso de aviões. Neste caso é preciso utilizar 2,5 vezes mais sementes, pois não há incorporação. A sobressemeadura normalmente acontece em torno de 30 dias antes da colheita da soja e é muito importante que a lavoura esteja livre de plantas invasoras, pois, caso contrário, a instalação do milheto será irregular.

Independentemente do tipo de semeadura, é importante que o produtor utilize sementes de qualidade, ou seja, compradas de empresas idôneas. Hoje existem diferentes opções, sendo que todas podem ser plantadas para pastejo, produção de grãos ou cobertura morta. No entanto, algumas são mais indicadas, por sua aptidão, a determinados usos e isto deve ser levado em consideração. 

Pastejo

A utilização para o pastejo pode ter início a partir de 30 a 40 dias após a emergência (ou após 40 a 50 dias do plantio, dependendo das condições climáticas). O primeiro pastejo deve ocorrer antes do início do emborrachamento, visando estimular o perfilhamento.


A recomendação é que os animais iniciem o pastejo quando o milheto atingir uma altura entre 50 e 70 cm, devendo sair quando houver rebaixamento para 20 a 30 cm. O período de descanso deve ser de 18 a 24 dias após o pastejo. No caso de manejo rotacionado este período deverá ser, em média, de 21 dias.

O tempo de utilização do milheto em pastejo dependerá de fatores diversos, como a época de semeadura, manejo, estado nutricional da planta e condições climáticas. O período de pastejo pode variar de 30 a 150 dias. Para se atingir períodos maiores de pastejo torna-se necessária a aplicação de 20 a 30 kg de nitrogênio por hectare, ou seja, 45 a 70kg de ureia ou 60 a 95 kg de nitrato de amônio. É importante ressaltar que é preciso umidade no solo para que o efeito do fertilizante seja observado; portanto, o ideal é que o adubo nitrogenado seja aplicado logo antes da ocorrência de uma chuva.

Cobertura morta

A retirada dos animais, quando for o caso, deve ser feita em tempo suficiente para que haja a rebrota do milheto, permitindo que uma boa quantidade de massa seja produzida, para então ser dessecada.

A dessecação do milheto é realizada com herbicidas específicos, com as plantas em pé. O manejo pode ser iniciado quando a cultura estiver com 5 a 10 % de emissão do pendão floral ainda incluso (aproximadamente 50 a 60 dias após a emergência).


A dessecação, quando a planta está no ponto, é feita com herbicidas à base de glifosato ou paraquat. Devido às especificidades de cada situação é importante que um engenheiro agrônomo, habituado ao manejo de cobertura morta, seja consultado antes de se definir o produto e a dosagem para a dessecação. Em geral, a aplicação do herbicida deve ser realizada pelo menos oito dias antes do plantio da cultura principal.


Com a participação de Diego Augusto Campos da Cruz, graduando em zootecnia da FZEA/USP.


Referências:

PREREIRA FILHO, I.A. Manejo da cultura do milheto. Sete Lagoas: Embrapa-CNPMS, 2003. 17 p. (Embrapa-CNPMS. Circular Técnica, 29).

GERALDO, J.; OLIVEIRA, L.D.; PEREIRA, M.B.; PIMENTEL, C. Estádios de desenvolvimento, produção de massa seca e teores de N de folhas na floração, em cultivares de milheto pérola (Pennisetum glaucum (L) R.
Brown). Agronomia, v.36, n.1/2, p. 7-10, 2002. 


PERIN, Adriano et al. Acúmulo e liberação de P, K, Ca e Mg em crotalária e milheto solteiros e consorciados. Revista Ceres, Viçosa, v. 57, n. 2, p.274-281, abr. 2010.


GUIMARÃES, Christianne V. et al. Desempenho de cultivares e híbridos de milheto em solo submetido a compactação. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v. 17, n. 11, p.1188-1194, ago. 2013. 



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