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Scot Consultoria

Milho - Quem esperar para comprar em cima da hora, terá que absorver todo o impacto do mercado


Quarta-feira, 24 de agosto de 2016 - 14h00

por Alcides Torres

Engenheiro agrônomo, formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ, da Universidade de São Paulo, é diretor-fundador da Scot Consultoria. É analista e consultor de mercado, com atuação nas áreas de pecuária de corte, leite, grãos e insumos agropecuários. É palestrante, facilitador e moderador de eventos conectados ao agronegócio. Membro de Conselho Consultivo de empresas do setor e coordenador das ações gerais da Scot Consultoria.


Desde o começo do ano, não só o pecuarista que produz bovinos de corte ou de leite, mas toda a cadeia de aves e suínos enfrenta dificuldade para comprar milho.


A exportação aquecida no segundo semestre do ano passado e na primeira metade de 2016 enxugaram o mercado. As quedas nas produções na primeira e segunda safras (2015/2016), em função principalmente das condições climáticas adversas, também deixou o mercado menos ofertado.


Diante disso, a Companhia Nacional de Abastecimento estimou os estoques finais em 4,47 milhões de toneladas em 2015/2016, frente as 10,51 milhões estocadas no ciclo anterior. O volume atual é o menor desde 2011/2012.


Recentemente, porém, a partir de junho, ficou mais fácil encontrar o produto, com o avanço da colheita da segunda safra, mas ainda assim, os patamares de preços ficaram acima do vigente em 2015, devido a menor disponibilidade na temporada.


Segundo a Scot Consultoria, na região de Campinas-SP, em julho, a saca de 60 quilos ficou cotada, em média, em R$41,75, 59,6% acima da média de julho de 2015.



Compra antecipada


A situação da oferta de milho só deverá melhorar a partir de 2016/2017, se o clima colaborar.


Ou seja, pensando no primeiro semestre de 2017, é bom o pecuarista garantir o produto, já que a expectativa é de oferta restrita nos primeiros meses do ano, a exemplo de 2016.


A safra de verão ou primeira safra de milho vem perdendo espaço para a soja nos últimos anos e em 2016/2017 não deverá ser diferente. Isto implica em uma maior disponibilidade do produto no segundo semestre.



Em Mato Grosso, com as altas de preços do grão ao longo do ano, o produtor de milho antecipou as vendas da produção, para entrega na colheita.


Com 50,7% da área de segunda safra colhida até o final da primeira quinzena de julho, o estado já havia comercializado, antecipadamente, 70,0% da produção prevista para 2015/2016.


Em grande parte, este milho vai parar nas mãos das multinacionais (tradings), que definem, diante dos preços e situação do mercado, se comercializarão no mercado interno ou exportarão.


No segundo semestre de 2015 e primeiro trimestre deste ano, a preferência foi a venda para o exterior, em função dos preços atraentes. Para exemplificar, o preço médio do milho exportado neste período foi de US$173,45 por tonelada ou R$641,76 por tonelada, considerando o valor médio do dólar no período, de R$3,70.


Para comparação, no mercado interno, na região de Campinas-SP, o preço médio do milho neste mesmo período foi de R$34,67 por saca de 60 quilos ou R$577,85 por tonelada.


Se considerarmos os preços em julho deste ano, o cenário ainda está favorável as exportações, mesmo com a desvalorização do dólar em relação ao real.


O preço médio da tonelada embarcada ficou em US$251,90 ou R$818,00, considerando o câmbio atual, de R$3,25 por dólar.


Em Campinas-SP, os negócios ocorreram em R$43,00 por saca ou R$ 716,67 por tonelada em julho.


Considerações finais


A concorrência por milho deverá ser acirrada nos próximos meses e este quadro deverá perdurar pelo menos até a temporada que vem (2016/2017).


Para o pecuarista, a sugestão é antecipar as compras, garantindo assim o produto no momento do uso. Mas para isso, é preciso planejamento e análise do mercado, para traçar as melhores estratégias e melhores oportunidades de compras.


Na cadeia do milho especificamente, o país deverá encarar choques de ofertas nos próximos anos, seja em função do excesso ou estoques elevados, como foi em 2013 e 2014, quando fechamos o ano com mais de dez milhões de toneladas e foram necessários leilões para ajudar no escoamento da produção; ou a falta do produto, como foi no final de 2015 e em 2016, quando inclusive, algumas empresas (aves e suínos) tiveram que importar milho.


A dinâmica do mercado do milho está mudando e exigirá gestão e planejamento dos elos envolvidos. Quem esperar para comprar em cima da hora, terá que absorver todo o impacto do mercado. Melhor se prevenir.


Fonte: Revista DBO. Ano 35. Número 430. Agosto de 2016


Colaborou: Rafael Ribeiro - Zootecnista e Analista de mercado da Scot Consultoria.


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