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Scot Consultoria

Dólar em alta garantido a margem positiva para o produtor de soja


Sexta-feira, 16 de janeiro de 2015 - 14h15

Zootecnista, formado pela Universidade Estadual Paulista – UNESP, Câmpus de Ilha Solteira-SP, mestre em Administração de Organizações Agroindustriais pela UNESP, Câmpus de Jaboticabal-SP. É analista e consultor de mercado da Scot Consultoria. Coordena as divisões de pecuária de leite, grãos e avaliação e perícia. Editor-chefe do Relatório do Mercado de Leite, publicação da Scot Consultoria. Atuação nas áreas de análises, estabelecimento de cenários, estratégias de mercado, realização de projeções de preços, oferta, demanda, análises setoriais e pesquisa de opinião e imagem. Ministra aulas, palestras, cursos e treinamentos nas áreas de mercado de leite, boi, grãos e assuntos relacionados à agropecuária em geral.


Artigo originalmente publicado na Revista Agroanalysis.


Em dólares, os preços da soja caíram no mercado internacional com a safra recorde nos Estados Unidos e expectativa de aumento da produção na América do Sul em 2014/2015.


A produção norte-americana aumentou 18,2% na temporada atual. Foram 16,6 milhões de toneladas a mais que o colhido em 2013/2014, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).


No Brasil, segundo os números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), são esperadas 9,8 milhões de toneladas de soja a mais na safra atual, em início de colheita. Na Argentina, a produção deverá aumentar em um milhão de toneladas (USDA).


Pressionadas pela maior oferta e retomada dos estoques mundiais, em Paranaguá, no Paraná, as cotações saíram de um patamar de US$31,00 por saca de 60 quilos em abril de 2014 para os atuais US$23,10 (14/1). Veja a figura 1. 



A queda dos preços em dólares foi de 25,6% desde abril do ano passado. Neste período, os preços em reais caíram menos da metade, 12,2%.


A moeda norte-americana valorizada em relação ao real deu sustentação às cotações no mercado brasileiro, em especial a partir de outubro do ano passado. O dólar subiu 18,3% no período analisado, ultrapassando os R$2,70 por dólar.


Comercialização


Os preços em patamares mais baixos ao longo de 2014 diminuíram o ritmo dos negócios em 2014/2015.


Em Mato Grosso, até o final de novembro do ano passado, 25,1% da soja produzida no estado havia sido comercializada para a entrega futura.


Para uma comparação, no mesmo período da safra passada (2013/2014), ou seja, em novembro de 2013, 44,4% da soja havia sido negociada.


Na figura 2, a evolução da comercialização da soja em Mato Grosso em 2013/204 e 2014/2015. Em janeiro de 2014, 55,2% da soja 2013/2014 havia sido comercializada, frente aos 45,6% negociados da safra atual.



Com os preços subindo em real, a partir de outubro de 2014, a liquidez do mercado aumentou, mas ainda assim o volume negociado foi abaixo da média da última temporada.


Rentabilidade em 2014/2015


Com preços mais baixos e custos de produção maiores, o lucro médio do produtor deverá ser menor em 2014/2015, em relação à safra passada.


Em Mato Grosso, maior produtor nacional, o preço médio de venda caiu 8,6% na safra atual, em relação à 2013/2014, considerando os preços no mercado físico.


O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) estima um aumento de 12,9% nos custos totais de produção de soja na média do estado na temporada atual, num total de R$2.589,30 por hectare.


Contrapondo a queda no preço do grão e os custos de produção maiores, a expectativa é de aumento da produtividade média das lavouras, em função do clima mais favorável nessa temporada.


Apesar do atraso no início das chuvas e, consequentemente, atraso na semeadura, as precipitações foram maiores e mais bem distribuídas ao longo dos últimos meses garantindo bom desenvolvimento.


O IMEA estima uma média de 52,4 sacas de 60 quilos por hectare em 2014/2015, frente as 51,9 sacas colhidas anteriormente no estado.


A média nacional está estimada em 50,5 sacas por hectare na safra atual, frente as 47,6 sacas, em média, em 2013/2014, de acordo com a Conab.


Na tabela 1, uma expectativa de resultado econômico da produção de soja em Mato Grosso em 2014/2015 e uma comparação com a safra passada. 



O lucro médio passou de R$1.262,19 por hectare no ciclo anterior para os atuais R$690,94, uma queda de 45,3%.


Considerando o preço da terra, a rentabilidade média está estimada em 5,2% em 2014/2015, frente aos 9,6% na temporada passada.


Em um cenário menos favorável, onde a produtividade seja igual a da safra anterior, de 51,9 sacas por hectare, a rentabilidade cairia para 4,9%, em média.


A seguir foram feitas simulações, considerando a variação do dólar em relação ao real.


No dia 14 de janeiro, o mercado futuro na BM&FBovespa apontava para uma saca custando US$22,35 em maio de 2015. Ou seja, queda em relação aos atuais US$23,23 por saca (14/1).


Em reais, estamos falando de uma saca de R$58,82 em maio deste ano, levando em conta um câmbio de R$2,63 por dólar.


Para 2015, o Banco Central prevê o dólar variando entre R$2,60 e R$2,80, numa média de R$2,72 (Boletim Focus, 9/1/2015).


Em resumo, a expectativa é de queda nos preços da soja com o avanço da colheita na América do Sul, em especial no Brasil.


Além do clima e revisões para baixo nas produções na América do Sul, o dólar seja talvez o único fator que poderia dar sustentação as cotações no mercado brasileiro.


Levando em conta o dólar na casa de R$2,60 e a venda do grão em maio de 2015, o lucro e a rentabilidade média diminuiriam para R$426,21 por hectare e 3,2%, respectivamente.


Mantendo os outros itens estáveis e variando a cotação do dólar para R$2,80, o lucro está estimado em R$658,60 por hectare e uma rentabilidade de 4,9% para a venda em maio. Veja a tabela 2. 



Considerações finais


Em curto e médio prazos, o dólar valorizado em relação à moeda brasileira é a principal aposta de sustentação das cotações em reais, considerando a oferta elevada e a recuperação dos estoques nas últimas temporadas.


Os estoques mundiais estão estimados em 90,78 milhões de toneladas em 2014/2015. Na temporada passada, os estoques mundiais finais foram de 66,16 milhões de toneladas e de 57,15 milhões de toneladas em 2012/2013, segundo o USDA.


A maior parte da safra brasileira ainda não foi negociada, ou seja, com o avanço da colheita, poderá aumentar a pressão de baixa sobre os preços.


A concorrência com os Estados Unidos será maior neste semestre pensando nas exportações, devido a maior disponibilidade norte-americana na temporada.


Do lado da demanda mundial por soja é esperado um menor ritmo de crescimento. O consumo mundial deve seguir aumentando, puxado pela China, mas a taxas menores e o incremento será menor que a oferta.


Para quem precisa comprar soja e seus derivados, o momento é de ficar de olhos nos preços e oportunidades.


Para o vendedor, quem tiver condições de segurar parte da produção para venda mais adiante, no segundo semestre, pode ser uma alternativa.


A queda na rentabilidade da soja pode mexer com a intenção de plantio da cultura nos Estados Unidos em 2015/2015, com início em abril/maio deste ano, fator que pode trazer firmeza aos preços.


Mas neste caso, seria preciso uma reação nos preços do milho, cujo cenário nos Estados Unidos é de grande disponibilidade e possibilidade de menor demanda pelo setor de etanol, com a queda nos preços do petróleo.



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