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Scot Consultoria

Juros, produção e poupança: tudo a ver


Sexta-feira, 4 de abril de 2014 - 17h52

Problemas sociais - soluções liberais
Liberdade política e econômica. Democracia. Estado de direito. Estado mínimo. Máxima descentralização do poder.


Ontem tivemos mais um aumento da taxa de juros Selic, dessa vez para 11,0%. Jornais de todo o país destacam que essa taxa de juros é superior à taxa vigente no momento em que a Presidente Dilma assumiu o governo.


A política de corte artificial de juros da Presidente Dilma ao longo dos primeiros anos de seu mandato se mostra agora um fracasso completo. Essa política pública se deu em dois momentos. Primeiramente ela pressionou o Copom (Comitê de Política Monetária) a baixar os juros da Taxa Selic, que é uma taxa que regula os juros da venda de títulos interbancários. Esse processo, com participação do Banco Central, faz com que a quantidade de dinheiro disponível para a sociedade aumente, diminuindo assim os juros de empréstimos para todos. Em um segundo momento ela usou os dois bancos públicos (BB e Caixa) para diminuir unilateralmente os juros para os consumidores, fazendo com que todo o mercado seguisse os bancos públicos, sob pena de perda de clientes para o governo.


O problema é que manipulação da quantidade de dinheiro na economia não afeta a produtividade real e a poupança real da economia. Por mais que se produza dinheiro de papel ou dinheiro eletrônico, não há crescimento de riqueza real sem que haja aumento da produção de bens e serviços, além da poupança.


Portanto, o que a Presidente Dilma fez, ao longo desse período de diminuição da taxa de juros, foi aumentar o consumo através da injeção de dinheiro no mercado sem que tivéssemos poupança interna ou produção para sustentar. Isso gerou o aumento do endividamento público, que pagou a farra do crédito. Porém, o mercado já percebeu que essa é uma farra de consumo, e não de produção, e que as perspectivas brasileiras nesse caminho são péssimas. O recente rebaixamento da nota do título brasileiro para o menor nível de investimento atesta isso, e faz com que os juros a serem pagos pelo governo sobre esses títulos seja ainda maior. Em outras palavras: está mais caro para o governo continuar a custear a farra. Por isso o governo se vê agora obrigado a tomar o caminho inverso e aumentar os juros, reduzindo o consumo.


Em um livre-mercado, com nossa baixa poupança interna, os juros hoje seriam muito mais altos, para incentivar as pessoas a pouparem. Só que falta de consumo importa em menor qualidade de vida no momento, e isso gera descontentamento popular, algo inaceitável em ano de eleições. Não é da essência do PT admitir que o nível de consumo brasileiro está acima do permitido. Enquanto o governo mantém uma postura populista e economicamente irracional, o país segue para uma armadilha de dívida. Só que quando cairmos na armadilha, não será mais o PT a estar no governo. Afinal, como diria Keynes, no longo prazo todos estaremos mortos. Só que o Brasil continuará a existir após essa geração se for, e alguém pagará essa conta.



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