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Scot Consultoria

Estamos em um processo de deflação?


Quarta-feira, 7 de agosto de 2013 - 16h30

Problemas sociais - soluções liberais
Liberdade política e econômica. Democracia. Estado de direito. Estado mínimo. Máxima descentralização do poder.


De acordo com o índice de inflação da FGV, que é medido semanalmente, nesta última semana tivemos uma deflação, que seria o inverso da inflação. Será que estamos mesmo em um processo de deflação? Para respondermos a essa pergunta, vamos falar rapidamente sobre o que é inflação para, por fim, respondermos a pergunta.


Os próprios economistas divergem muito sobre o conceito de inflação. Uma reportagem muito interessante do site do Globo sobre o que é inflação trouxe a curiosa entrevista com cinco renomados economistas, e os cinco deram diferentes respostas para o conceito referido. Na mesma reportagem, foram feitas entrevistas com populares sobre o conceito, e todos disseram, de maneira mais ou menos uniforme, que inflação é quando "tudo aumenta de preço o tempo todo".


Uma das principais funções da ciência é revelar a verdade, e no caso de uma ciência social como a economia, ela não pode se dissociar do que a população entende por inflação. Nesse sentido, a melhor resposta dos técnicos da reportagem, foi a de Alexandre Schwartsman, que identificou a inflação como o aumento geral e persistente dos preços, com essas duas características, a generalidade e a persistência, sendo essenciais para caracterizar a inflação. Caso haja aumento de preços apenas em setores da economia, não há inflação. Caso o aumento seja apenas por um pequeno período de tempo, também não há inflação.


Partindo desse conceito, podemos passar a pensar no que produz inflação. Para haver um aumento GERAL de preços, a única possibilidade possível disso acontecer seria se houvesse uma variável presente na formação de todos os preços em um determinado mercado. E esse elemento existe: a moeda.


Uma moeda é desvalorizada pelo governo quando o mesmo aumenta a sua quantidade. Assim como toda mercadoria, uma moeda respeita a lei de escassez, que diz que quanto maior a quantidade de um produto, menor tende a ser seu valor. Se o governo põe muita moeda na economia, o valor unitário dessa moeda diminui. Então para comprar produtos e serviços o cidadão passa a precisar de cada vez mais dinheiro. Esse é o processo inflacionário e o responsável direto é o governo.


Até poderia existir um evento externo à formação de preços responsável pelo aumento de todos os preços, mas para um evento atingir toda a economia, somente sendo um evento cataclísmico de proporções bíblicas, o que é muito difícil de acontecer.


A deflação ocorreria em sentido oposto: uma queda geral dos preços só poderia ocorrer se o governo passasse a valorizar a moeda, reduzindo a base monetária do país.


Agora podemos responder a pergunta: estamos em um processo de deflação no Brasil? A resposta é não.


De acordo com os dados no site do Banco Central, a base monetária não deixou de se expandir em momento nenhum nos últimos 12 meses, e estamos em uma geral e constante desvalorização da moeda, portanto, em inflação.


Uma eventual queda nos preços, como a atestada pela FGV, acaba por ser meramente setorial, e nunca geral, em virtude de fatores como aumento das importações ou da produção de bens e serviços, por mais que sejam muitos os setores em que houve a queda de preços. E essa queda será sempre circunstancial, nunca perene.


Portanto, tenham cuidado na hora de ler uma notícia. Leiam os dados e tente ler entre as entrelinhas. Qualquer dúvida, pergunte aos especialistas do Instituto Liberal. Estamos sempre à sua disposição.


 


Por Bernardo Santoro



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