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Para onde vai o partido da rede?


Quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013 - 14h34

Economista, cursando doutorado na London School of Economics and Political Science.


O Prof. José Eli da Veiga jogou no debate político duas perguntas de fundamental importância para o partido que se está gestando em torno da pessoa de Marina Silva.


Como fugir da retumbante irrelevância que têm os já tradicionais partidos verdes em quase todo o mundo? O movimento marinista gostaria de atingir no Brasil a relevância que ganhou em seu país o italiano Movimento 5Stelle, que se tornou a terceira maior força política do país com base numa política essencialmente feita na internet. Ser uma versão brasileira do M5S significaria entrar no que José Eli chama de segunda onda dos movimentos pela sustentabilidade, que ao contrário dos da primeira onda, teriam relevância política.


Mas para isso, sempre segundo José Eli da Veiga, é primordial que se tenha uma base social. Daí a segunda pergunta: com que base social a tal "rede" emergiria na política brasileira?


Na minha avaliação, a forma como o movimento marinista está se desenhando lhe garante a certeza de uma relevância muito próxima de zero, bem ao estilo da primeira onda dos partidos políticos verdes.


Ao contrário do que acontece no italiano M5S, a essência da rede marinista é o que os seus criadores chamam de perspectiva "sonhática" (mas que diabos é isso, afinal? A resposta está nas nuvens...) associada a um misticismo urbanoide próprio de classes altas naturebas, e a um culto da enigmática Marina Silva. Coisas que, é claro, nunca chamaram nem chamarão a atenção dos brasileiros (basta se ver o destino que teve o integralismo). Terá, é claro, o apoio de certos redutos urbanos que se presumem cosmopolitas e que já têm a vida mais do que ganha, mas não chegará perto de ser assimilado pela parte relevante da população: aqueles que têm, a bem tangível, prioridade de melhorar de vida. Em nosso país, assim como na Itália contemporânea, os eleitores têm sede de duas coisas: ética e pragmatismo.


O movimento encabeçado por Beppe Grillo, que teve um quarto dos votos na Itália, tem base social porque partiu não de uma ideia abstrata de que o que faz falta é sonhar - mesmo sem ter qualquer noção de qual é o conteúdo da utopia que se propõe a seguir -, e sim de uma cartilha absolutamente concreta de princípios 100% mensuráveis e auditáveis de ética na política pública e de propostas de melhoria da vida do cidadão que passam por uma gestão cuidadosa do meio ambiente (concordemos ou não com o seu conteúdo, ela não tem nada de sonhática).


O que atraiu os italianos é a possibilidade de elegerem políticos cujos mandatos serão rigorosamente auditados e que propõem ações de política pública que afetam diretamente a vida do cidadão na escala local. Trata-se de programa de ética cristalina que se sustenta no mais puro pragmatismo. A irrelevância da rede marinista estará diretamente ligada ao seu dogma fundamental, o sonhatismo, que pode até entreter o eleitor, mas nunca conquistará o mundo dos acordados.


Anauê!



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