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Scot Consultoria

Bovideocultura no meio do mundo


Segunda-feira, 2 de janeiro de 2012 - 17h08

por Rogério Lopes Banin

Engenheiro agrônomo formado pela Esalq – USP e consultor agropecuário.


Os criadores investem pouco no melhoramento genético do rebanho. Não adotam técnicas de inseminação artificial devido às rústicas estruturas nas fazendas. Tourinhos PO Nelores ou mesmo Murrah, Jafarabadi, Mediterrâneo são raramente vistos. Murrah é a raça de búfalos com maior incidência. Para conseguir novilhas ou garrotes de qualidade o comprador tem que recorrer a Ilha de Marajó no caso de bubalinos, e ao Pará no caso de Nelore, ficando a mercê dos altos custos do fretamento. Um animal nelore com 12 @, de boa procedência genética, vindo de Altamira, PA custa R$1.250,00 dos quais 20% são referente aos transportes, encargos e comissões. A compra tanto de reposição, quando de gado gordo é feita por kg. Hoje um bezerro de 260kg custa R$6,20/kg, um nelore acima de 400kg de PV R$6,50/kg e um búfalo adulto R$6,00/kg, estes valores se aplicam pra machos e fêmeas. A tabela 1 mostra preços para reposição de quatro categorias distintas. Os bubalinos de 350kg são do próprio estado tendo assim custos de fretes reduzidos. Tabela 1. Comparativo de custos para reposição; bovinos nelores vindos do Pará e búfalos nativos. Fonte: Rogério Banin De posse dos animais o investidor terá que atentar aos altos custos de produção como insumos, por exemplo. Devido à ausência de fábricas de mineral no estado, a suplementação torna-se onerosa a ponto de, em alguns casos, não compensar. Uma tonelada de farelo de soja vinda do Mato Grosso chega a R$850,00 em Macapá, ou seja, tratar gado com suplementos proteicos a conta também não fecha. Manejos de mineralização com sal mineral (60 gramas P) os custos ultrapassam os 25% do total como mostra a tabela 2 que relata as despesas de uma fazenda com 400 animais. Tabela 2. Despesas pecuárias em fazenda no Amapá com 400 animais de recria. Fonte: Rogério Banin Porém, mineralizando os animais em pastagens bem manejadas com Brachiaria humidícola tem-se desempenhos de 4 a 4,5 @/ano. Índices interessantes, quando se fala em Amapá onde bovídeos em pastagens nativas e sem mineralização ganham de 2 a 3 @/ano. Figura 1. Capim kikuio-da-amazônia (Brachiaria humidícola) um dia antes da entrada dos animais para pastejo. Fonte: Rogério Banin Dessa forma se o empreendedor intensificar sua área com: formação de pastagens, divisão de pastos, cochos cobertos para mineral e também investir em reposição de fora do estado, pode se deparar com retornos de até R$214,00/ha/ano, não considerando os investimentos com terra. Mas precisa, para tal, usar expertise em manejos de pastagens e reposição da categoria certa como vacas magras para explorar o ganho compensatório. No caso dos manejos convencionais como recria e engorda de bezerros ou garrotes nelores, quando a margem não é zero, ela é negativa. A tabela 3 mostra a viabilidade e a inviabilidade econômica de categorias distintas. No caso de bubalinos mineralizados e em pastagens formadas a receita é de o R$62,40/ha/ano (R$41,60/cabeça e lotação de 1,5 cab/ha). Tabela 3. Viabilidade econômica para quatro categorias distintas. Fonte: Rogério Banin O Amapá é zona de alto risco para febre aftosa, assim toda a produção destina-se ao mercado interno. Existem dois abatedouros trabalhando de forma regular, isso mesmo, abatedouros, pois aqui não existem frigoríficos. O funcionamento de ambos acontece três vezes por semana, eles abatem semanalmente 2.000 cabeças entre bovinos e bubalinos. A oferta amapaense não atende a demanda, principalmente nos meses de chuvas, fevereiro a junho, quando as fazendas estão ilhadas sem condições de retirar os bubalinos gordos das áreas, assim o Pará fornece gado gordo também para o mercado interno. Figura 2. Búfalos adultos pastejam próximos ao rio Piririm, município de Itaubal do Piririm, AP. Toda essa área é alagada durante o inverno. Fonte: Rogério Banin Não existem estimativas, mas acredita-se que 80% do rebanho não seja mineralizado o que reflete na elevada idade de abate bem como baixo rendimento de carcaça. Contudo os abatedouros não penalizam ou mesmo bonificam os produtores; o preço é único para gado bem acabado ou não. Concluísse que ainda não é o momento de explorar uma pecuária intensiva ou mesmo semi-intensiva no estado deve-se aguardar os novos investimentos e projetos que o governo vem traçando para o agronegócio os quais podem contemplar a pecuária local. Mas então como ganhar dinheiro explorando terras agricultáveis no meio do mundo? É o que vamos dissertar no próximo artigo.



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